Finalista1º Bula Prêmio de Poesia 2026
Rastros
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Você parou neste poema.
Deseja continuar do ponto salvo?
me escrevem
(quase)
não sabia
de onde vinha
meu nome
era um risco leve
na margem
de um caderno alheio
antes
de mim
outros lápis
passaram
alguns
firmes
duros
cor/tan/tes
escreveram
sobre a pele
da terra
do corpo
da língua
↓
isto não
isto sim
isto apaga
isto fica
↓
apagaram
(com borrachas
que ferem mais
que o grafite)
↓
ficaram
marcas
sulcos
cicatrizes
silêncios
↓
eu cresci
lendo
o que não
estava escrito
↓
ouvi
nas pausas
das vozes velhas
um eco
Puri
(baixo
quase sopro)
↓
tarde demais?
↓
meus avós
par-
ti-
ram
levando
inteiras
↓
e eu
fiquei
com pedaços
↓
peguei
um lápis
não novo
não limpo
já gasto
já vivido
↓
e escrevo
por cima
por dentro
por entre
as marcas
que deixaram
em mim
↓
não apago
(não mais)
↓
eu risco
reforço
assumo
↓
não começa
em mim
↓
mas
agora
é a minha mão
que treme
que aprende
que escreve
↓
eu
(inteiro?)
↓
me faço
traço
por
traço
ainda
