4º lugar1º Bula Prêmio de Poesia 2026
Jabalia
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Você parou neste poema.
Deseja continuar do ponto salvo?
Três bombas explodiram
no centro comercial de Jabalia.
A primeira matou uma mulher (ou 10 ou
15) que enchia de água duas tinas.
A segunda matou uma criança (20, 35?),
hospitalizada, num campo
de refugiados, no pátio assolado
de sua escola.
Já a terceira bomba
(bem no centro de Gaza),
essa explodiu no Palácio
das Nações em Genebra, nos banheiros
asseadíssimos do Conselho
de Segurança, embaixo dum banco
de metal na esquina da
Broadway com a Sétima.
A terceira explodiu
na mente devastada
de uma árvore migratória,
no coração de uma jubarte, no Segundo
Templo de Herodes, em cada
uma das dezoito mil e quinhentas
sinagogas, na rosa
dos ventos e dos namorados,
nos cravos para nossos mortos.
Essa explodiu em minhas mãos
e nos seus olhos,
no sopé da cruz de Cristo,
nos túmulos de Heitor e Aquiles,
nos tinteiros de Ben-Gurion,
nas gavetas de Golda.
A terceira, a covarde, a implícita,
explodiu (sem explodir) no colo
de Deus, no Gênese e no Juízo,
na tenda beduína
onde Mohammad sonha,
no Réveillon de Copacabana,
no dia do meu e do seu Bar Mitzvah.
