Finalista1º Bula Prêmio de Poesia 2026
Há Lugares onde o Céu Não Chove Água
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Você parou neste poema.
Deseja continuar do ponto salvo?
não sei mais o que é real.
um mar de tecido branco
ondula
ondula
ondula
ondula
ondula
ondula
ondula
lençóis estendidos ao vento
um campo inteiro de branco (res)pirando
um campo inteiro de branco (res)pirando
de suas dobras
emergem flores coloridas
emergem flores coloridas
às bordas do luto
pequenos corpos
em caixas
em caixas
uma multidão enlutada
carrega suas preciosidades
transportando
o próprio coração
para dentro da terra
carrega suas preciosidades
transportando
o próprio coração
para dentro da terra
as lágrimas não cabem
no rosto dos vivos
no rosto dos vivos
assistimos ao real
como se fosse irreal
como se fosse irreal
crianças
uma escola
o céu limpo
uma escola
o céu limpo
um segundo inteiro
de céu
de céu
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há lugares
onde o céu
não chove água
onde o céu
não chove água
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um risco rasga o azul
um assobio de metal
depois
o impacto
o mar de tecidos brancos
já não ondula
já não ondula
a f u n d a
algo em nós
foi sendo desligado
foi sendo desligado
os afetos desmobilizados
a indiferença
o hábito
estamos diante
de quê?
que mundo é esse
onde a queda de um míssil
sobre uma escola
se torna
mais uma imagem
que atravessa a tela
antes do próximo café
ainda quente
ainda quente
não sei mais o que é real
