Fábula do futuro: “A Babel de um idioma só”

Naquele tempo, os parlamentares brasileiros eram indiferentes às fronteiras do bem e do mal. Porém, um dia, a ira celeste lhes infligiu assombroso castigo inspirado na herança mitológica da Torre de Babel. E assim, ditos parlamentares, embora falassem exclusivamente o idioma português, não conseguiram mais se entender porque as suas frases e alocuções eram desconexas e aleatórias.

Meu encontro com Aurélio Buarque de Holanda

26 de dezembro de 1977 foi uma data importante. A partir de então, algemas azinhavradas de puídas relações, esgares de desbotadas e ranhetas conjugalidades, persistindo sob o espectro de ervas daninhas, cantaram sua débil glória. A regulamentação do divórcio, pela lei 6515, sacramentou deste dia em diante a diluição de convívios decretados fantasmáticos. Ainda nesta data circulava nas bancas uma reportagem nascida do melífluo contato com o filólogo, tradutor, ensaísta e lexicógrafo mestre Aurélio Buarque de Holanda.

O que é felicidade, cambada?

Uma comitiva composta por uma louca, uma bicha louca, um deputado evangélico, um pastor alemão, um cão dos infernos, um padre exorcista, uma alma penada, três mulheres peladas, um palhaço deprimido e um escritor medíocre em busca de reconhecimento viajou na maionese por vários países do planeta com uma incrível missão a tiracolo: descobrir, preferencialmente, de uma vez por todas, o que fosse aquela tal felicidade?

Casagrande conta como “escapou” da cocaína e da heroína

“Casagrande e Seus Demônios” (Globo Livros, 247 páginas), de Casagrande e Gilvan Ribeiro, é uma descida ao coração das trevas. Ribeiro conta, sem tergiversar ou açucarar, a dramática história do artilheiro da seleção brasileira, do Corinthians e do Torino. Sua atração quase mortal — sobreviveu porque tem um organismo de atleta e, nas overdoses, foi atendido com a qualificação necessária no Hospital Albert Einstein — pelas drogas, como heroína e cocaína, é descrita sem contemplação.

50 frases clássicas de escritores célebres

Seguindo a ideia de um ensaio com frases de personalidades históricas, publicado pelo jornal inglês “The Observer”,  reuni neste post 50 frases célebres de escritores de díspares perfis, nacionalidades e épocas — de Shakespeare a Guimarães Rosa. Diferentemente da lista publicada pelo “The Observer”, não selecionei apenas frases ditas textualmente, mas também aquelas fictícias, que foram emprestadas às personagens e obras por intermédio de seus criadores, como os casos de “O horror! O horror!”, últimas palavras do capitão Kurtz antes de morrer, do livro “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad; ou “Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, trecho inicial de “Anna Kariênina”, de Tolstói. 

Seríamos nós os herdeiros de Judas?

Hoje, 22 de abril, é o Dia da Terra, que coincide com o dia do descobrimento do Brasil. Aliás, o Brasil, e por extensão, a Terra, estão extremamente maltratados pelo nosso estilo de vida. O Dia da Terra, criado em 1970 nos Estados Unidos, tem por finalidade conscientizar as pessoas sobre os problemas da contaminação, da preservação da biodiversidade e sobre os riscos de esgotamento do planeta. Enfim, sobre o risco de um colapso do suporte da vida, que é o meio ambiente.

20 insultos literários

A literatura é um terreno fértil para intrigas. Não foram poucas as vezes que nomes consagrados deixaram a elegância de lado e alfinetaram colegas de ofício. Pequenas declarações se transformaram em polêmicas gigantes e inimizades eternas. Neste post, publico uma seleção de insultos literários. A lista compila “grosserias” de escritores de díspares perfis, nacionalidades e épocas. Na seleção aparecem escritores canonizados como William Faulkner, Ernest Hemingway, Virginia Woolf, Gore Vidal, Oscar Wilde, Truman Capote, Nietzsche e Henry James. Em comum entre eles, o fato de um dia, por mera provocação, impulso, raiva, terem externado suas opiniões pouco elegantes sobre seus companheiros de ofício.

Espelho, espelho meu: existe alguém tão sem rosto quanto eu?

Sinistro, definiria a gíria da galera jovem. Ou seria macabro? Talvez gótico expresse melhor a semântica dos espelhos, cuja polissemia perpassa campos distintos da cultura e das artes. Aonde se esconderam meus camuflados caleidoscópios psíquicos, encarregados de iluminar até as sombras de todos os mosaicos que habitam meu corpo, gestor máximo de uma catedral-pagã? O espelho traduz suas simbologias, participando de discursos poéticos, mitológicos, literários, religiosos e artísticos, entre outros.

Mais profundo que uma poça de sangue na calçada

Se você quiser ficar pra baixo, arrasado no chão: cocaína. Ela não mente, ela não mente, ela não mente: cocaína.  (Cocaine, Eric Clapton)

As substâncias mais entorpecentes que já usei até hoje foram as caipiroscas preparadas pelo Padre Hendrix (ultimamente, este meu amigo anda preso a um dilema: não sabe se larga a batina, as batidinhas ou as bacaninhas que o procuram na paróquia) e as pingas de engenho que meu falecido avô fabricava no seu alambique na roça.

As 30 falas mais populares da história do cinema

Em 2007, a revista norte-americana “Premiere” publicou uma lista com as 100 falas mais populares da história do cinema. Em 2009, foi a vez da britânica “Empire” publicar sua versão da lista. Em 2013, o site americano IMDb realizou uma enquete com leitores que também elegeu as 100 melhores frases do cinema em todos os tempos. Fizemos uma compilação das três listas e tiramos delas as 30 frases mais citadas. A compilação está publicada na ordem decrescente, de 30ª à 1ª, com uma tradução aproximada, já que o contexto em que as falas foram ditas determina em muito o seu significado, sobretudo para as que têm duplo sentido. 

Alice Munro, a Tchekhov da América, dá adeus à literatura

A notável escritora americana Cynthia Ozick diz que sua par canadense Alice Munro é a Tchekhov da América. Talvez não exatamente o russo, um dos pais do conto moderno, mas a autora de “A Fugitiva” (Companhia das Letras, 392 páginas, tradução de Sergio Flaksman), “Ódio, Amizade, Na­moro, Amor, Casamento” (Globo, 359 páginas, tradução de Cássio de Arantes Leite), “Felicidade Demais” (Companhia das Letras, 341 páginas, tradução de Alexandre Barbosa de Souza) é uma artífice do conto “longo”. O belo e doloroso conto “The bear came over the mountain”, filmado com o título de “Longe Dela”, é mais do que uma história de uma mulher com Alzheimer e um marido “compreensivo”. É sobre a vida em si, sobre as diferenças entre os seres, sobre sua face sombria.

Os 48 melhores frasistas do Twitter

Durante o mês de março e a primeira quinzena de abril, pedimos a colaboradores, leitores e seguidores que enviassem sugestões sobre os melhores frasistas do Twitter. 716 participantes sugeriram 348 nomes, desses, 45 obtiveram mais de 20 citações. Discutível como qualquer lista de melhores, esta também não pretende ser abrangente e reflete apenas a opinião dos participantes da enquete.

A sátira que desisti de escrever

Tenho a impressão, a triste impressão de que a mistura do politicamente correto com o analfabetismo funcional acabou por assassinar a possibilidade da sátira no Brasil de nossos dias. A sátira, que existe desde os antigos gregos, é uma técnica literária, em prosa ou verso, que tem por finalidade ridicularizar um tema para chamar a atenção sobre ele. Para conseguir tal objetivo o autor recorre às entrelinhas, ao humor, ao escracho, à ironia, ao nonsense, ao sarcasmo, à corrosão, ao contrario sensu, à caricatura, enfim. Para tanto se vale da redução ou ampliação de uma coisa ou de uma ideia até torná-la ridícula, colocação em pés de igualdade coisas de tamanhos ou valores desiguais.

29 aforismos de Paulo Francis

Publico nesta edição uma seleção de 30 frases célebres do jornalista, crítico de teatro e escritor brasileiro Paulo Francis. As frases revelam o olhar preciso e ferino de Paulo Francis sobre temas como ecologia, política, religião, literatura e cinema. Paulo Francis notabilizou-se,  no fim da década de 1950, como crítico de teatro do jornal “Diário Carioca”. Após o golpe de 1964, trabalhou no semanário “O Pasquim” e no jornal “Tribuna da Imprensa”, comentando assuntos internacionais.

A lição de “Faça Acontecer”, de Sheryl Sandberg, para as meninas de “Girls”

A indústria norte-americana do entretenimento está apaixonada por Lena Dunham. Do alto dos seus 26 anos, ela já dirigiu um filme, “Tiny Furniture” (2010), assinou um contrato de US$ 3,5 milhões com a editora Random House para publicar seu primeiro livro e acaba de encerrar a segunda temporada de “Girls”, série televisiva de sucesso que criou e protagoniza.

A era do instantâneo: bobeou, você vira leite em pó

Estamos habitando — ou levitando, caso já nos tenhamos transformado em irrevogáveis avatares, seres cíbridos ou espectrais, deste surpreendente século 21 — a Era do Instantâneo, do Flash-Vivencial-Mob. Do #partiuimprevistos. Ops. Já é, como enfatiza a galera jovem, sempre antenadíssima.

Não temos tempo a perder, diz a música. Por isso, roemos todas as nossas unhas, cultivamos poderosas gastrites, como plantas regadas nos “vasos do stress” e parecemos, então, com aqueles animais domésticos endoidecidos, gatos, cachorros, rodando em círculos pela casa, no intento de morder a própria cauda — que, claro, jamais conseguimos.

As flagrantes fragrâncias de Florence

O que mais agradava a Davi eram os cheiros da Florence. Uma fragrância diferente para cada dia da semana. Adolescentes estudavam na mesma escola. Davi sentia um prazer inconteste quando ela entrava na sala um pouquinho antes da sete horas da manhã, trancinhas no cabelo, abraçada a uma pilha de livros e cadernos que a mãe vivia advertindo qualquer dia acabariam detonando a sua coluna.

Gringos valorizam assaltantes que falam inglês

O ex-presidente FHC é considerando pela ONU uma das pessoas mais inteligentes do mundo. Dentre os intelectuais de alcance global, a revista “Foreign Policy” o classifica como um dos mais influentes da atualidade. Se mais influente do que inteligente, ou vice-versa, não vem ao caso. O que importa é que desta vez quero escorar meu artigo nas ideias de um camarada que goza de altos conceitos nas rodas dos mais sábios do mundo. Quero ver alguém falar que estou escrevendo bobagens.

16 tipos de beijos e um desejo desesperado

De imediato, basorexia é um termo que me lembra de uma palavra que eu ouvia vez por outra nos meus tempos de infância em Madrid, onde nasci. “Basura”, que simplesmente em espanhol significa lixo. Vamos combinar que a princípio, ao menos, basorexia não sugere nenhum detrito, nada fétido ou escatológico por exagero. Pois estamos falando do desejo, da compulsão mesmo irrefreável de beijar. Beijar muito. Beijar enlouquecidamente. Beijar sem parar.