Ideias

Imbecilização coletiva (o que não sabem é que é possível não gostar de Lula e de Bolsonaro ao mesmo tempo)

Imbecilização coletiva (o que não sabem é que é possível não gostar de Lula e de Bolsonaro ao mesmo tempo)

Falar em Lula ou em Jair Bolsonaro é mexer com paixões. Na maioria dos casos, o que se vê é a racionalidade sendo deixada de lado em favor da admiração e confiança inabaláveis que a histeria coletiva costuma adotar em cada caso. A biografia dos dois, aos respectivos fãs, parece ungida e imaculada; não há questionamento de seus atos ou discursos falhos, já que traições ideológicas seriam o comburente necessário para o outro medrar.

Em busca de um jornalismo para o século 21

Em busca de um jornalismo para o século 21

Ouço repetir que o jornalismo da América Latina está vivendo tempos difíceis e sofrendo ataques e ameaças à sua liberdade por parte de vários governos democráticos. Nas ditaduras sabíamos muito bem a que nos segurar, porque a força bruta e o absolutismo agridem com fórmulas simples. Mas as democracias — quando são autoritárias — empregam recursos mais sutis e mais tenazes, que às vezes tardamos em reconhecer.

Porta dos Fundos: para os incomodados, há a válida e democrática opção de não assistir

Porta dos Fundos: para os incomodados, há a válida e democrática opção de não assistir

Mais um fim de ano chega e, com ele, também o já tradicional especial de Natal do Porta dos Fundos. Desde 2013, o aclamado canal de vídeos produz seu debochado episódio temático, que sempre acaba se tornando ponto de partida de debates sobre os limites do humor. Em 2019, porém, a sátira parece ter causado um alarido incomum, provocando a ira de religiosos e movimentando uma corrente que propõe até mesmo a sua censura.

“Eu tenho um amigo negro” e o racismo nosso de cada dia

“Eu tenho um amigo negro” e o racismo nosso de cada dia

É necessário ter em mente que o fato de se ter um parente ou um amigo negro não é desculpa capaz de apagar injúrias raciais deliberadamente praticadas. Em último caso, é de se pensar que seres humanos não são bichos de estimação e que, ao projetar seu ato falho em outra vida negra, mais uma vez na história o agressor estará colocando um corpo preto como escudo para a proteção da pele branca.

A era do gado sem cabeça

A era do gado sem cabeça

Estamos, definitivamente, numa era de desapego à razão. Evidências e certezas científicas são deixadas de lado em prol de movimentos iconoclastas radicais, que valorizam mais o potencial de viralização na internet que a segurança e a certeza de seus conteúdos. A despeito de todo avanço tecnológico, a maioria da população tende a acreditar nas barbaridades e desinformações cultivadas por desonestos célebres.