Ideias

Um velho em Buenos Aires

Um velho em Buenos Aires

Ele pediu dois alfajores para, depois, sentar-se na esquina de uma agradável rua arborizada. Foi quando percebeu uma linda moça passando, morena, de andar que impunha lentidão aos relógios e à visão. Vestida de modo fino e vanguardista, seus cabelos negros denunciavam, assim como os seus olhos, traços de origem mediterrânea, misturados com alguma escapadela de uma avó ou avô.

Num país de maricas, onde o choro e o mimimi são intermináveis, o que são 270 mil mortes?

Num país de maricas, onde o choro e o mimimi são intermináveis, o que são 270 mil mortes?

Segundo a presidencial voz da razão, o resultado final da pandemia não chegaria a 800 óbitos — muito abaixo dos números do H1N1. O pânico seria uma maneira covarde de encarar o vírus letal. Afinal, quem está na chuva tem mais é que se molhar. Num país de maricas, onde o choro e o mimimi são intermináveis, nada mais justo do que mitificar um ser humano que enaltece a ditadura e se preocupa em aumentar o número de armas, mas não se compadece com os milhares de mortos a cada dia.

Terraplanismo e pensamento conservador

Terraplanismo e pensamento conservador

Apesar da ampla audiência em sociedades tradicionais como a brasileira, o terraplanismo é frágil diante de um fato incontestável: a perpétua metamorfose da realidade em outra coisa. A mudança é inerente a tudo o que existe na Natureza (incluindo o homem), e culpar a cultura — pretensamente “globalista” — de subverter crenças é inútil.

Carta de Winston Churchill para Jair Bolsonaro

Carta de Winston Churchill para Jair Bolsonaro

Caro Jair, o sr., que deve ter lido os livros de Richard Evans, Ian Kershaw, Antony Beevor, Richard Overy e Andrew Roberts — este, meu mais recente biógrafo (o historiador foi o primeiro a ter acesso aos arquivos da família real, ao menos é o que diz) —, talvez possa me informar melhor: por que perdi a eleição, depois de salvar a Europa e, portanto, o mundo das garras do totalitarismo nazista?

Enquanto pais, mães, avós e amigos morrem aos milhares, o presidente nada

Enquanto pais, mães, avós e amigos morrem aos milhares, o presidente nada

Atualmente, o país enfrenta a maior média móvel de mortes desde junho de 2020 e passa da casa dos 1000 óbitos diários. São mais de 240 mil mortes no total e o país se aproxima dos 10 milhões de casos confirmados. Alguns estados, inclusive, já indicam um colapso indesejado nas redes de saúde pública, e alguns governadores inclusive estão em vias de adotar práticas restritivas mais severas, como o lockdown.

Carta de Brás Cubas ao presidente Bolsonaro

Carta de Brás Cubas ao presidente Bolsonaro

Capitain, old master, espero que não perceba desrespeito na minha linguagem algo modernista. Morri 14 anos antes da Semana de Arte Moderna, mas não sei se será vaidade sugerir que, mesmo assim, permaneço mais moderno do que a maioria dos escritores ditos modernistas, como Graça Aranha (nada mais tradicional, oh, bom Deus!), Mário de Andrade e Oswaldo de Andrade.

Literatura regionalista e erudição: um mito inevitável

Literatura regionalista e erudição: um mito inevitável

Eu poderia afirmar, sem medo de errar, algo que deveria tornar-se uma tradição nos meios literários, pelo menos entre os que almejam materializar suas ideias na forma da escrita: não precisamos de muitos escritores, mas, sim, de leitores. Quanto mais leitores, melhor. O incauto que se inicia na redação de ficção acha maravilhoso tudo que escreve, um primor. Não percebe o óbvio.

Felipe Neto é o maior crítico literário do Brasil

Felipe Neto é o maior crítico literário do Brasil

Acho curioso que Stephen King seja o autor preferido de alguém com mais de 17 anos. Talvez a grande questão seja exatamente essa: Felipe Neto partiu de sua própria percepção sobre estética para criar o juízo universal que defendeu no polêmico post. Mas poderia ser pior: poderia ser George Lucas escrevendo que os adolescentes americanos deveriam parar de ler “O Apanhador no Campo de Centeio”.

O Brasil dos últimos anos elegeu a ignorância como o sol em torno do qual se quer orbitar

O Brasil dos últimos anos elegeu a ignorância como o sol em torno do qual se quer orbitar

O momento é tão singular e preocupante que temos que explicar com paciência e apreensão que feijão ungido não cura e que a vacina para conter uma pandemia é fundamental, segura e de exigência coletiva. Vacinar-se para conter a pandemia jamais se refere a uma opção ou questão de opinião existencial, exatamente porque o controle da doença é uma atividade necessariamente supraindividual e sua eficácia depende de todos.