Ideias

Os homens de Machado de Assis

Os homens de Machado de Assis

Brás Cubas, Bentinho, Cristiano Palha, Conselheiro Aires. Para quem não conhece ou não se lembra, eles são personagens da chamada “segunda fase” da ficção de Machado de Assis, iniciada com as “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881). Foi algo como um estalo: os livros machadianos passaram, de repente, a ser narrados em primeira pessoa, de forma desabusada, sarcástica, nada confiável e livre. Figuras para fazer alegorias e ironizar a situação da época. Resultado: tais narrativas apontaram para o modernismo literário do século 20 e trouxeram uma visão nova sobre o Brasil.

Os traumas portugueses, segundo António Lobo Antunes   

Os traumas portugueses, segundo António Lobo Antunes   

Um dos grandes eventos no século passado foi, sem dúvida, a Revolução dos Cravos em Portugal. Em 25 de abril de 1974, enterrou-se um dos regimes políticos, o salazarismo, mais medíocres do mundo. Foram 41 anos de uma de ditadura clássica que fechou um país pequeno em si mesmo e sufocou toda uma geração no campo cultural. A volta da democracia representou um renascimento dos portugueses e o início de uma produção literária que revelou os nomes de José Saramago e de António Lobo Antunes.

Carolina Maria de Jesus, intérprete do Brasil

Carolina Maria de Jesus, intérprete do Brasil

Em 1960, surgiu uma escritora inesperada na literatura brasileira, por conta de sua origem social. Ninguém imaginava a existência de uma autora moradora da favela do Canindé, na cidade de São Paulo. Do meio do nada, Carolina Maria de Jesus (1914-1977) entrou para o meio literário e trouxe um olhar inédito sobre as coisas do país que, na época, vivia os anos dourados da bossa nova, da inauguração de Brasília e do slogan dos cinquenta anos em cinco de Juscelino Kubitschek.

A oficina literária de Liev Tolstói

A oficina literária de Liev Tolstói

“Anna Kariênina”, de Liev Tolstói, foge a uma conhecida convenção do romance — ou, por outra, a maioria dos romances fogem ao padrão antessala de “Anna Kariênina”. Pelo menos, segundo alguns entendidos, nas duas ou três primeiras páginas de um romance “é” necessário apresentar a trama e esboçar os personagens principais. Caso contrário o leitor “perde” o interesse e o romance “naufraga” por falta de interesse, e isto é categórico. Oficinas literárias são cheias dessas dicas, feitas por autoridades no assunto: os ficcionistas atuais.

Os 10 mais importantes dramaturgos da História do Teatro Brasileiro Foto / Arquivo Público de São Paulo

Os 10 mais importantes dramaturgos da História do Teatro Brasileiro

Por sua significância histórica, inicio este artigo fazendo menção ao jesuíta José de Anchieta (1534 – 1597), que, por encomenda do seu superior hierárquico Manuel da Nóbrega, inaugurou, com os seus autos moralizantes, a dramaturgia colonial brasileira, no século 16. Longe de ser um Gil Vicente de batina, o estrategista São Anchieta inspirou-se no teatrólogo lusitano para adaptação de temáticas autóctones, com objetivos civilizatórios.