Crônicas

Não compre cães e gatos. Adote!

Não compre cães e gatos. Adote!

Confesso que, muitas vezes, sinto um nó no estômago. Vejo imagens de animais abandonados por ex-donos que se mudaram para outra cidade e deixaram seus cães e gatos para trás, como se eles fossem um sofá velho que não caberia na nova morada. Já me emocionei com as histórias de pessoas que nunca vi na vida, mas que contam como reencontraram seus animais de estimação ou relatam a dor de tê-los perdido.

Viver é sobreviver às tragédias e ao pior de nós mesmos

Viver é sobreviver às tragédias e ao pior de nós mesmos

A gente pensa que já viveu uma situação ruim, então chega outra pior. Nem sempre é diretamente conosco, mas nos afeta mesmo assim. Recentemente, assistimos ao espetáculo da morte em carne viva: ela veio com a lama, a água e o fogo. A certeza da morte nos força a sobreviver às tragédias. E nossa pior tragédia é viver sem esperança.

Não era amor

Não era amor

Sou um homem antiquado, maduro como uma banana, metido com uma mulher muito mais jovem, muito mais louca, igualmente imatura. Serei também um inseto? Quisera passar pela metamorfose de que nos fala Kafka e ser pisoteado por pés tão cativantes.

Você tem um passado promissor pela frente

Você tem um passado promissor pela frente

Mataram a tiros Dona Carmem, a mulher que me lia as mãos. Perdi o chão; ela, a vida. Eu soube que restou cogitado pelos técnicos da funerária serrá-la ao meio, num corte sagital que pegava da forquilha até o cocuruto, um recurso hostil, grotesco, porém, estratégico, para acomodar, fazer caber o seu cadáver gorducho dentro de dois ataúdes de pau-bosta. A família ria de estupefação e ódio.

O rompimento da barragem de Brumadinho não é acidente: é crime praticado pelas mineradoras e políticos

O rompimento da barragem de Brumadinho não é acidente: é crime praticado pelas mineradoras e políticos

Hoje estamos aflitos por Brumadinho. Os olhos do mundo voltados para mais uma tragédia em nossas Minas Gerais. É tudo tão desavergonhadamente esfregado em nossas caras que, às vezes, temos dificuldade de enxergar e agir. Sinto necessidade e obrigação de reagir. Escrever, denunciar, protestar. E, ao tentar fazer isso, como cidadã, jornalista e ativista, vislumbro um cenário de pouca mudança.