Crônicas

Quarenteners: como gourmetizar uma pandemia

Quarenteners: como gourmetizar uma pandemia

Precisamos impor um limite. Gourmetizar brigadeiro e cachaça até dá pra aguentar. Mas gourmetizar pandemia é demais. Não dá para encarar esse isolamento obrigatório e necessário como um período sabático, como se a humanidade toda estivesse indo espontaneamente para um spa.

O livro é o melhor amigo do homem

O livro é o melhor amigo do homem

Há livro que nos diverte. Há livro que nos ensina. Há livro que nos faz lembrar e há livro que nos faz esquecer de tudo. Há livro que nos tensiona, há livro que nos relaxa. Há livro que nos leva ao infinito, há livro que nos deixa de quatro no chão. Há livro que nos amplia e a há livro que nos coloca em nossa verdadeira dimensão. O livro acompanha você na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na fila do consultório e na viagem de avião, no tumulto da rua e no aconchego do lar, na fartura de amor e na indigência afetiva.

Favor, não mergulhar no esgoto

Favor, não mergulhar no esgoto

Chegou a hora dos bilionários garantirem lugar no céu. Proponho que desapeguem, que retirem os escorpiões dos bolsos e façam doações vultosas ao governo. Se não o fizerem por livre e espontânea vontade, que o fisco, com a permissão do Congresso Nacional, lhes arranque o couro taxando fortemente as fortunas.

Não temos tempo de temer a morte, mas, por ora, vamos respeitá-la

Não temos tempo de temer a morte, mas, por ora, vamos respeitá-la

Exercitem os neurônios. Tirem os sapatos. Sentem no assoalho. Pratiquem jardinagem. Falem com as plantas. Desliguem um pouco a droga do telefone celular. Vejam sob uma nova ótica. Encantem-se com os filhos brincando pela casa, se tiverem filhos, se tiverem casas. Eles estão crescendo rápido demais e, vai chegar o dia em que vão dar o fora. Normal. Nada de novo no front. A vida é assim mesmo.

Enfrentando as pragas com dignidade

Enfrentando as pragas com dignidade

Vivemos a era da comunicação instantânea, da liberdade de expressão, da apologia à estupidez e do culto às opiniões de mau gosto vociferadas com orgulho inconteste por indivíduos que se julgam a última Coca-Cola gelada do deserto. De certo, há sede de notoriedade no terreno fértil da ignorância.

Mulher sofre

Mulher sofre

Fé, menina. Deus é um poeta. Fez a mulher a partir da costela do homem. O melhor que Ele fazia, em sentido figurado, era deixar transfigurado o tórax masculino. Fica sempre faltando um pedaço. Adultos e meninos devem a sua existência ao domicílio uterino, a despeito da impensável claustrofobia de boiar durante meses dentro de um bolsão líquido nas entranhas maternas.

Enfrente o machismo de cabeça erguida. Ele revela o medo do poder da mulher

Enfrente o machismo de cabeça erguida. Ele revela o medo do poder da mulher

Vou profanar. Neste 45º Dia Internacional da Mulher começarei pelo fim: a história do machismo estrutural brasileiro é a confissão do medo do poder feminino. Por que entreguei logo o desfecho do meu raciocínio? Porque temos pressa. Depois de 45 anos de celebração mundial, o contexto dos direitos deste 8 de março é muito pior do que a situação nos anos 1970, quando a data foi criada.

Secreções, excreções e desatinos de um herói sem nenhum caráter

Secreções, excreções e desatinos de um herói sem nenhum caráter

Era agosto, mês de cachorro doido. A estrangeira Lucia McCartney lia Poemas Escolhidos, de Ferreira Gullar. Era uma mulher apaixonada pela literatura. Formava uma amálgama perfeita com os seus livros. Sentia-se mais feliz na varanda, lendo histórias curtas, histórias de amor, contos de terror e de morte, do que na cozinha, esquentando o ventre no fogão e esfriando-o no tanque.