Crônicas

Orgulho de ser trouxa

Orgulho de ser trouxa

Taylor nasceu de parto anormal, cravando as unhas das mãos e dos pés nas reentrâncias e circunvoluções elástico-gelatinosas do canal do parto. Teimoso, histriônico ao extremo, quase se enforca no cordão umbilical. Supõe-se que pressentia um mundo pior do lado de fora do claustro materno.

Os que ainda têm pulmões fortes têm o dever de gritar

Os que ainda têm pulmões fortes têm o dever de gritar

Está faltando ar. E nem os pesadelos mais pessimistas previram que, meses depois, o negacionismo e ignorância iniciais persistiriam com tanto vigor. Em cada leito que alguém tenta puxar o último respiro de sobrevivência, agoniza também a luta contra a estupidez e a maldade dos que reverberam o descaso personificado na maior liderança política do país.

Mulheres e clientes têm sempre razão

Mulheres e clientes têm sempre razão

A cor. A falta de cor. Andorinhas vestidas de fraque preto dão rasantes sobre a minha cabeça. Elas brincam no quintal. Nada mal morar numa casa com jardins floridos que recebe visitas constantes dos passarinhos. Eu me aninho ao som do blues porque não possuo asas.

David Bowie foi um camaleão? Não foi, não

David Bowie foi um camaleão? Não foi, não

Odeio chavões que se repetem sem uma boa razão. E tá na hora de acabar com um deles: 8 de janeiro foi o aniversário de David Bowie, falecido em 2016. E pode apostar que você leu e ouviu isso sem parar: “Davi Bowie, o camaleão do rock”. É um chavão batidíssimo, surrado. E pior: não faz o menor sentido.

O que um refrigerante nos ensina sobre 2020

O que um refrigerante nos ensina sobre 2020

Vamos combinar: 2020 foi estranho, esquisito, tenso. Mas não caia na armadilha de achar que tem que aprender algo com ele. Até porque, se o ano veio para ensinar algo, a maioria não entendeu. Não veio um manual junto nem uma nota de rodapé explicativa. Na verdade, a melhor coisa de 2020 é que ele acabou.

Não é hora de falar de gratidão. Esse foi o ano da dor

Não é hora de falar de gratidão. Esse foi o ano da dor

À meia noite os céus de Copacabana estarão escuros. Algumas mesas estarão vazias. O colorido dos fogos e dos sorrisos dos que partiram precocemente dará espaço à feição cinza que pintou 2020 de dor. À meia noite o peito apertará mais forte em milhares de lares, que viram 2020 sepulcrar em escala máxima tantos amores e golpear a esperança.

Tira essa máscara e me dá um beijo!

Tira essa máscara e me dá um beijo!

Nas confraternizações, a Fiocruz recomenda usar a máscara sempre que não se estiver comendo ou bebendo. Esse tira-e-põe de máscara vai exigir dos convivas muita concentração e coordenação motora. Penso que não vai funcionar, especialmente depois de algumas taças. Outra: manter 2 metros de distância, pelo menos, e evitar apertos de mão e abraços.