Desabafo de um coração em estado de graça

Desabafo de um coração em estado de graça

Os velhos esquecidos nas casas de repouso por descuido dos seus. As crianças descobrindo a beleza. Os desprendidos tocando a vida e deixando a dos outros em paz. Aqueles que olham com afeto velhas fotografias. As pessoas que sorriem à toa tantas vezes, todo dia, lembrando a farra dos cachorros e o humor dos gatos. As mães orgulhosas dos filhos. Os pais esforçados em sua porção de agrados. As almas solitárias sentindo alegria por entender, enfim, que o amor não é o contrário da solidão, mas é a sua solidão dividida com o outro.

‘Felicidade em pessoas inteligentes é a coisa mais rara que conheço’

‘Felicidade em pessoas inteligentes é a coisa mais rara que conheço’

Aprender a ver, segundo Nietzsche, é “acostumar os olhos à quietude, à paciência, a aguardar atentamente as coisas; protelar os juízos, aprender a circundar e envolver o caso singular por todos os lados”. Com um olhar mais afetivo, encontramos o sentido nas coisas e a razão de ser. Não acredito que estamos aqui para nos afastarmos uns dos outros. Ver as coisas através delas pode parecer difícil, mas basta querer. E, quando aprendemos a enxergar o que antes não era visto, o mundo se expande. Conectados uns ao outros através de nossos sentidos, encontramos felicidade. Já dizia Cora Coralina, “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

Tudo passa. Na vida somos eternos passageiros

Tudo passa. Na vida somos eternos passageiros

Os dias correm numa rapidez absurda. Não nos resta tempo para notar o que acontece lá fora. Claro, se não enxergamos nem aqui dentro, que dirá perceber alguém ou algo ao redor. Parece que estamos constantemente ligados no botão automático, emendando compromissos, fazendo, cumprindo, buscando. A vida passa diante dos nossos olhos e, num raro momento em que nos desconectamos de alguma tomada, nos surpreende.

Vou atirar um avião contra os Montes Urais para provar que te amo

Vou atirar um avião contra os Montes Urais para provar que te amo

“A cidade é uma moça”. Partindo dessa premissa, aportou no Rio, onde nadou, nadou, nadou, nadou em busca de um amor, mas morreu na praia. Foi reanimado com falta de jeitinho pelos simpáticos cariocas praianos, com mate gelado na fuça e um sol a pino a esturricar o seu coração partido. Partiu, então, para São Paulo, terra das oportunidades e das atrocidades. O nome pomposo de santo apostólico romano não impediu que a louca metrópole o engolisse. E mais: ao contrário do que o poeta baiano cantou em Sampa, nada de diferente aconteceu no seu coração ao cruzar a Ipiranga e a Avenida São João.

Porque a vida sem sonho é o pior pesadelo

Porque a vida sem sonho é o pior pesadelo

Prepara-te. A qualquer instante, quando menos esperares, alguém fará pouco de teus sonhos. Virá de um canto insuspeitado, do seio de tua família, do campo de teus amigos, da multidão de teus estranhos e fará coro com um bando descrente, rasteiro, numeroso e empenhado em manter a rasa normalidade das coisas.

Que Deus jamais me faça nascer mulher ou escritor

Que Deus jamais me faça nascer mulher ou escritor

Bolei. Será que os homens também sofrem as agruras de uma TPM? Deve ter um pedaço de ovário a germinar num canto qualquer das minhas entranhas, atrás de uma tripa, sei lá. Só pode. Quem sabe, ele brotará calado na curva estomacal, disfarçado de víscera irrelevante, lado a lado com o meu panceps. O bom e velho panceps. O que será isso?

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe

Como é possível viver sem estar vivo? Manter-se de rancor sem um pingo de ternura e alegria? Tem pessoas que sobrevivem em um mar de lamúria, que transformam a vida em uma perda de tempo e faz de cada segundo uma obrigação de existir. Gente que parece ter ingerido um veneno em dose insuficiente para matar de uma só vez, então se arrasta, se contorce. E não adianta lhes falar de amor ou do dia lindo que está lá fora… Nada, absolutamente nada é capaz de arrancar a nuvem de tempestade sobre as suas cabeças.