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POR EM 02/09/2010 ÀS 07:42 AM

Hoje | Pio Vargas: Poesia Completa

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POR EM 02/09/2010 ÀS 07:41 AM

Hoje | Cabaré Goiano no Martim Cererê

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A Cia. Teatral Martim Cererê apresenta nesta quinta (02), às 21 horas, no Centro Cultural Martim Cererê, mais uma edição do Cabaré Goiano — Vermelho Sensual, espetáculo de variedades com números de música, dança, humor e irreverência sobre assuntos do cotidiano e fatos recentes ocorridos no País. O roteiro e a direção são de Marcos Fayad.

Alguns atores dos primeiros tempos do Cabaré Goiano, levado ao palco do Martim Cererê, no período de 1988 a 1992, foram convidados a compor o elenco. Entre eles estão Adriana Veloso, Newton Murce, Tetê Caetano, Jorge Cosmo e Lenita Caetano. Dividirão o palco com os veteranos, a atriz, cantora e acrobata Débora di Sá, Marcus Gouveia, Neto Mahnic, Gleik Lino, Kleber Alves, Ketely Aquino, Thamiles Alencar e o Mágico Nenê, que fará uma participação especial.
Paródias

Entre os 22 esquetes, alguns fazem paródias de celebridades do meio musical, como a cantora inglesa Amy Whinehouse e dos milhares de templos com nomes estranhos espalhados pelo País. Dois esquetes cômicos, um do goiano Hugo Zorzetti e outro de um artista cearense foram inseridos no roteiro, que tem também números musicais, dança, circo, ilusionismo e dublagens. A música é o fio condutor de todos os esquetes e da abertura do Cabaré. Sobre o retorno do espetáculo depois de 18 anos, Marcos Fayad argumenta que a boa aceitação do público é garantia de sucesso da produção. “Queremos que as pessoas tenham uma atividade divertida às quintas-feiras e possam se sentir à vontade como se estivessem em um bar”, diz. Ingressos: (62) 8462-5544 ou 8102-9977.


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POR EM 30/08/2010 ÀS 09:55 PM

A vingança de Moby Dick

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No Coração do MarPublicado em 1851, “Moby Dick”, de Herman Melville, é um clássico. O romance é produto da imaginação do escritor americano — discípulo que rivaliza com Shakespeare — e, ao mesmo tempo, baseado em fatos reais. Muitos leitores certamente avaliam que o espírito vingativo de Moby Dick, um cachalote gigantesco, é uma invenção literária de Melville. A baleia do livro parece ter sentimentos, como a capacidade de ser vingativa, de perseguir o seu perseguidor, o obcecado capitão Ahab, que parece mais selvagem do que seu oponente marítimo. A história é baseada num acontecimento real, de 1820, que, sem a cobertura da recriação poderosa da literatura, teria se tornado um rodapé na história náutica. Baleias atacam barcos de curiosos que aparentemente as agridem, talvez pela proximidade excessiva e ameaçadora. Na edição de 22 de julho do jornal espanhol “El País”, Lali Cambra relatou, na matéria “O ataque da baleia”, como um mamífero de 40 toneladas atingiu e destruiu parcialmente o barco Intrepid, na costa atlântica da Cidade do Cabo.

O jornal publicou duas fotografias, da Agência EFE (o nome do fotógrafo não é mencionado), impressionantes. A primeira exibe a baleia jogando-se sobre o Intrepid. A segunda mostra o barco de 10 metros destroçado. A reportagem afirma que é “inusual” baleias se jogarem em cima de barcos. Autoridades marítimas sul-africanas concluíram que a baleia pode ter sido “acossada e perseguida” por pessoas que ocupavam pelo menos dois barcos — um deles o que quase foi afundado. Paloma Werner e Ralph Mothes, proprietários do barco, contaram que, assim que avistaram a baleia, desligaram o motor. O casal observou-a por cerca de uma hora, a uma distância de 120 metros. Eles “asseguram que a baleia, sem que fizessem qualquer coisa, aproximou-se e jogou-se em cima da embarcação”. Nenhum deles se machucou.


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POR EM 30/08/2010 ÀS 09:11 PM

A segunda chance

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Li outro dia num site sobre animais uma coisa que me deixou perplexo de susto e descoberta: li que a águia é uma ave capaz de viver 70 anos. São muitos anos para uma ave, nenhuma vive tanto tempo. Mas por volta dos 40 anos a águia tem que tomar uma difícil e fundamental decisão, porque nessa idade suas unhas cresceram tanto e estão tão compridas e flexíveis que ela já não consegue mais caçar suas presas e sabe que vai acabar morrendo de fome antes de chegar aos 70 anos que poderia completar.

E mais: seu bico que já é alongado e pontiagudo cresce tanto que fica curvo e as penas das asas se tornam tão grossas e pesadas que ela já nem consegue mais voar com a leveza de sempre. Então só lhe sobram duas alternativas: uma é deixar-se morrer pouco a pouco, conformada em ir perdendo a majestade sem voar direito e sem poder caçar. A outra é enfrentar um dolorido processo de renovação que as águias conhecem muito bem e que pode durar mais de 5 meses.  As águias envelhecidas voam até o paredão de uma montanha bem alta, se recolhem e se ajeitam num ninho de onde elas não precisarão voar. Quando encontram esse lugar elas começam a bater o bico com extrema força sobre as pedras da rocha até conseguirem arrancá-lo dolorosamente. Daí então ficam quietas pra não gastar energia porque vão ficar sem comer um bom tempo esperando um bico novo crescer. Ele cresce, fica novamente forte e com o novo bico elas começam a arrancar suas próprias unhas pra que caiam e cresçam também novas. Da mesma maneira, com o bico novo elas começam a arrancar as velhas e grossas penas que tornaram seu voo pesado, espera que cresçam e aguarda o grande momento em que, finalmente, vão poder se atirar do alto da montanha pro seu voo de renovação.  Aí, sim, elas sabem que poderão viver mais 30 anos. Claro que algumas águias preferem morrer que enfrentar esses meses todos de recolhimento, fome e dor.


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POR EM 30/08/2010 ÀS 08:41 PM

Ambição excessiva

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Nossos valores, geralmente formados e sedimentados na infância, eram transmitidos pela família, pelas histórias que se ouviam ao redor da mesa depois do jantar. Meu velho, enquanto viveu e eu meninei, gostava de contar-nos histórias, e, entre aquelas de que mais gostava estavam as histórias de Pedro Malasartes, tradição que nos veio da Idade Média europeia. Histórias exemplares, quase sempre, porque se sabe que é mais fácil reter na memória uma narrativa do que um conceito abstrato. Tenho certeza de que todos os discursos a respeito da ambição excessiva que você ouviu e eu também ouvi, já foram esquecidos. Mas uma história, ah, isso até hoje eu ainda posso repetir.  

Aborrecido com o que Pedro Malasartes fizera com sua filha, a princesa, o rei condenou-o à morte por afogamento. Preso no interior de uma barrica, lá foi o Pedro, de carroça, na direção do lago real. Nas vizinhanças do lago havia uma taverna, e os dois funcionários encarregados da execução da sentença real resolveram que a hora era boa para uns copos de vinho. Espiando pelas frestas da barrica, Pedro Malasartes tudo viu. Neste momento aproximava-se uma carruagem ricamente ornamentada. Em sua boleia, ao lado do condutor, vinha um jovem que, por suas vestes, era de alta estirpe.


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POR EM 25/08/2010 ÀS 09:37 AM

Humorismo brasileiro é uma piada

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Rir. Rir pra não chorar. Numa era em que a violência, o estresse e a corrida tresloucada contra o tempo transformam a vida urbana num inferno, por que não sucumbir à tentação e escancarar um sorriso?

Sorrir. Dar trégua ao coração e à bile. É possível que o riso seja bem melhor que sessões de psicoterapia. Afinal, conhecer a si mesmo, enxergar os defeitos não têm graça nenhuma. Vou me ater somente ao humorismo televisivo. Quanto ao teatro, num país com dimensões continentais como o Brasil, certamente há bons atores encenando textos de humor refinado, ao ponto de extasiar a plateia provocando cólicas no baço e urgência urinária.

Porém, o que me parece evidente é que existe uma onda, uma epidemia de “stand up comedy” (tradução plausível: comédia caça-níquel?!) pipocando em território nacional. Apostando no improviso, jovens atores lotam auditórios com platéias também muito jovens, o que não deixa de ser um mérito, desde que o conteúdo tenha suporte. Bem, na pior das hipóteses, ensina-se à juventude o endereço do teatro. Quanto ao humor na internet, assumidamente, sou ignorante. Não acho tempo nem pra manter atualizado o meu correio eletrônico... É surpreendente como milhares de internautas dedicam-se a vasculhar “orkuts e twiters”. Seguir e ser seguido nas trilhas virtuais... Quem sabe, ao abdicar dos livros impressos, do contato com as pessoas e do sexo (uma das mais interessantes diversões que a vida animal pode proporcionar), sobra tempo suficiente para se embrenhar na rede. Já pensaram se toda esta gente comprasse e lesse livros?! Seria a salvação da lavoura para os escritores brasileiros... Utopia. Há que se baratear bastante os preços para permitir o consumo.


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POR EM 23/08/2010 ÀS 09:42 AM

Impressões da FLIP

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Ferreira Gullar— Fui para a minha primeira Feira Literária Internacional de Paraty este ano. A Flip chegou à sua oitava edição já meio esvaziada, com poucos nomes que causassem comoção e histeria do público, além de repetir alguns convidados, como Salman Rushdie e Ferreira Gullar. O poeta maranhense parece o tapa-buracos da festa: esta foi sua terceira Flip.

— Fiquei com uma visão esquisita da Flip. É incrível que o Brasil tenha conseguido organizar um evento no qual escritores renomados venham para uma cidadezinha do interior do Rio de Janeiro para ficar quatro dias conversando sobre literatura. Porém, fica a dúvida: qual é o papel do escritor na sociedade do espetáculo?

— Foi Salman Rushdie quem se aproximou desta reflexão, ao afirmar que preferia não explicar seu novo livro, que gostaria que o leitor chegasse de forma pura ao livro, sem saber nada da história nem do autor. Estamos longe de um J. D. Salinger, que raramente se deixou fotografar. Imaginá-lo na Flip é um delírio - até porque ele está morto. Dalton Trevisan, para ficarmos em um exemplo caseiro, dificilmente seria seduzido a participar de um evento como esse.


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POR EM 23/08/2010 ÀS 09:19 AM

O dia da sogra

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Dia desses, um jornal diário publicou uma crônica em que este antigo rabiscador (atualmente um digitador) propunha um dia para se homenagear a sogra. A resposta não me veio de sogra nenhuma, mas de uma intelectual das mais respeitadas da região, cujo nome declino por não estar autorizado a expô-la à sanha popular. Essa intelectual, que é minha amiga, mandou-me um emeil fazendo-me o reparo ao informar que o Dia da Sogra já existe e que é o dia 28 de abril. Agradeço pela informação, prometo marcar o dia em meu calendário e ainda sugiro àqueles que, como eu, adotaram a mãe de seu cônjuge como sua segunda mãe que façam o mesmo. Elas merecem.

Mas não é só isso que quero, minha cara amiga. Na verdade eu estava achando que um dia por ano é como aniversário: tão festejado nos primeiros anos quanto esquecido depois de certa idade. Um dia por ano sempre me pareceu muito pouco para que se dedique à reverência desta figura duplamente materna como de qualquer outra que a mereça. Elas merecem mais, muito mais, e não tenho culpa se você não gosta de sua sobra ou se ela não vai muito com a sua cara. 


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POR EM 22/08/2010 ÀS 12:09 PM

Hitler não foi herói na primeira guerra

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Adolf HitlerSerá lançado na Inglaterra, em setembro, o livro “A Primeira Guerra de Hitler”, do historiador Thomas Weber, da Universidade de Aberdeen (Escócia). Weber sustenta que mais de 70% de seu livro é baseado em fontes ainda não utilizadas por outros pesquisadores. Parte de suas revelações foi retirada dos arquivos do 16º Regimento de Reserva da Infantaria Bávara (RIR 16). Os arquivos não haviam sido catalogados nem utilizados pelos especialistas.

Weber diz que os historiadores compraram a tese, elaborada pelos nazistas, que reescreveram depoimentos, de que Hitler esteve na “vanguarda” da Primeira Guerra Mundial, como soldado e, depois, cabo. Como “estafeta”, o militar austríaco, a serviço do exército alemão, levava mensagens àqueles que estavam no front. É a tese tradicional. O historiador contesta e afirma que Hitler era mesmo portador de mensagens, mas para militares que atuavam na retaguarda. Segundo reportagem do jornal espanhol “ABC”, “Adolf Hitler não foi um herói na Primeira Guerra Mundial”, com material da agência EFE, o pesquisador encontrou dados que indicam que o “mensageiro estava sempre a mais de cinco quilômetros da linha de frente” da batalha. Em 1918, Hitler ganhou a cruz de ferro, proposta pelo tenente judeu Hugo Gutmann. A reportagem do jornal, mera transcrição de um texto de agência, não cita “Hitler”, do inglês Ian Kershaw, embora a alentada biografia tenha sido publicada na Espanha em dois volumes.


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POR EM 20/08/2010 ÀS 11:36 AM

Deus inútil e ciência ineficaz

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É no mínimo temerário continuar subjugando a Natureza a nossos desejos e caprichos e acreditar que possamos, ao final de tudo, sair imunes de tal empreendimento. Cedo ou tarde a Natureza vai nos cobrar a fatura. E o preço dessa conta poderá ser muito acima da capacidade de solvência do Homo sapiens. Daí, como soe acontecer com os inadimplentes do tráfico de drogas bem como aos da Natureza, teremos que dar quitação com a própria vida. Não a vida individual, porque esta vem sendo cobrada ordinariamente pelo processo de gestão biológica, mas sim a morte coletiva, geral, irrestrita da espécie como um cataclismo irremediável.

Apesar de que não estaremos aqui para curtir a morbidez desse luto, supor que um dia nenhum descendente nosso habitará este planeta, que suportou por certo tempo o desenrolar de nossa saga maluca, é sem sombra de dúvidas um dos sentimentos mais nostálgicos e desolador que o ser humano possa ter. Mais que desolador, é revoltante mesmo, por saber que estamos na corda bamba da existência, mais por estupidez de hábitos que adotamos do que mesmo por determinismos transcendentais. É que a inteligência, que de forma unânime se constitui no distintivo da condição humana, traz em sua gênese o dom de se iludir, de se equivocar. A humanidade, ao contrário do que muitos acreditam, é semelhante às pessoas: quanto mais velha fica, mais equivocada se torna. O avanço de alguns aspectos tem o vínculo de causa e efeito com o atraso de outros. Exemplo: o desenvolvimento tecnológico de intervenção ao meio ambiente se desenvolve numa velocidade maior do que tem o meio ambiente de se recompor, arrastando a humanidade, mais as espécies adjacentes e aderentes a perigos de extinção cada vez mais aterradores.  O progresso humano é como a corrida de um cavalo que, ao impulsionar-se para frente, no galope, acaba por arremeter argila para trás.


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