Encontrar é se perder. E vice-versa

Encontrar é se perder. E vice-versa

Não, eu não tenho certeza de nada. Não imagino o que vai acontecer agora. Sei lá que rumo tomarão nossas vontades estranhas, elas que de tão livres ousaram atravessar a vida e nos descobrir sozinhos aqui, bichos simples e doces na noite alta. Nem desconfio onde isso vai dar, não tenho ideia do caminho a seguir. Quanto tempo nos cabe, sei tampouco. Nem o tempo suspeita. Só Deus sabe, mas o tempo divino é outro, não é? Acontece para muito além das pequenas coisas cá debaixo. É o insondável, a mirada impossível, a eternidade de cada segundo. Melhor não tentar contar. Mais certo é viver.

Sabemos onde fomos, mas não enxergamos onde poderíamos ir

Sabemos onde fomos, mas não enxergamos onde poderíamos ir

Não há luz nesse cômodo onde o sol se escondeu atrás da própria sombra. Suas visitas nesse momento são as dúvidas e as dívidas de compromissos que se multiplicam em contas para pagar, e são também as picuinhas dos invejosos e dos mal-humorados que só atrapalham a sua humilde tentativa de viver em paz. Você quer sair desse lugar apertado. As janelas da sua alma estão fechadas, está tudo escuro e seu silêncio dói. Que miserável! Como pode alguém viver assim? Perdido nas profundezas da vida, ocultado da sua própria sorte, subjugado por seu próprio medo.

Uma dúzia de livros que ninguém leu, mas mentem que sim

Uma dúzia de livros que ninguém leu, mas mentem que sim

Faz parte das regras de etiqueta da alta sociedade PIMBA (Pseudo-intelectuais metidos a besta) exaltar efusivamente ou criticar severamente livros que não leu, que leu apenas a orelha, leu trechos ou breves comentários na internet. O importante é posar de especialista, seja para elogiar ou criticar. Na condição de Mister M da comunidade PIMBA, revelo aqui uma dúzia de livros que, considerando a margem de erro, provavelmente aquele seu amigo descolado, reluzente em sua fina camada de verniz cultural, não leu, mas diz com todas as letras (menos as letras do livro) que sim.

As melhores coisas a gente pode fazer na chuva

As melhores coisas a gente pode fazer na chuva

Tem gente que quer se casar. Tem gente que quer comprar uma bicicleta. Tem gente que quer trocar de carro. Tem gente que quer dar uma volta ao mundo. Tem gente que viaja demais na maionese. Tem gente que quer perder uns quilos. Tem gente que acha a vida muito pesada. Tem gente que quer botar umas tetas novas. Tem gente que quer um cargo comissionado. Tem gente que quer fazer um check-up. Tem gente que quer pular de uma ponte. Tem gente que quer ter um filho. Tem gente que não fala mais com os pais. Tem gente que só quer a herança. Tem gente que rasga dinheiro. Tem gente que fala rasgado. Tem gente que perdeu a esperança.

Amar nos faz profundos. Odiar nos torna rasos

Amar nos faz profundos. Odiar nos torna rasos

Desistam, sabotadores. Larguem o osso, entreguem o jogo, deixem de coisa. Retrógrados de mau caráter, canalhas, prepotentes, autoritários, pernósticos de toda sorte, desuni-vos! Não há o que fazer. Resignem-se! No mundo há muito mais pessoas boas que cretinos. Melhor é trocarem logo de lado. Para cada existência sórdida odiando além da conta, aborrecendo pelos cantos, malquerendo a vida, um batalhão de almas amorosas afia bons sentimentos e os dispara por aí.

Quem tem alma de pássaro não se aquieta em terra firme

Quem tem alma de pássaro não se aquieta em terra firme

Sou um ser livre. Nasci assim. Minha mãe sempre dizia que eu não gostava de usar sapatos, nem de prender os cabelos, e que era um sacrifício me vestir porque as roupas me apertavam. Gostava de tomar banho de chuva, de sentir o vento no rosto, e tinha a pertinente ideia de mudar de ideia amiúde. Moral da história: Continuo assim. Sou desprendida por natureza e gaiola nenhuma me segura por muito tempo.

Os personagens mais mal-humorados da história da literatura

Os personagens mais mal-humorados da história da literatura

Pedimos aos leitores, seguidores do Twitter e Facebook que apontassem, entre personagens literários conhecidos, quais eram os mais mal-humorados da história da literatura universal. Na lista, aparecem personagens dos mais díspares perfis, em comum entre eles apenas o mau-humor crônico. De Holden Caulfield, criação de J. D. Salinger em “O Apanhador no Campo de Centeio” — o mais citado —, até o Deus vingativo do Velho Testamento bíblico. Abaixo, a lista baseada no número de citações e uma pequena amostra do humor colérico dos personagens selecionados.