As promessas que eu faria pra ganhar seu coração

Prometo que as ruas serão, de novo, o playground da molecada. E digo mais: no que tange aos logradouros públicos, de maneira geral, prometo que todos os moradores de rua terão uma casa pra morar. Se isso não for possível, nós é que nos mudaremos para as ruas, a fim de finalmente sermos todos iguais perante a lei e a lira. Prometo que os beijos técnicos serão substituídos pelos beijos de língua, doa em quem doer.

Sobre aquelas coisas que a gente sabe mas faz questão de esquecer

Você sabe. Uma paixão não tem hora certa para acender e nem tempo exato de apagar. As crianças de colo não têm vergonha de cair no choro quando sentem tristeza, medo, dor e essas coisas que, por sua vez, não têm problema de aparecer sem avisar. Acredite. Quando você está triste ou está feliz, o clima lá fora nada tem a ver com isso. Na praia também chove, e a chuva está nem aí para as suas vontades. Apesar de toda a nossa empáfia, nossa pretensa segurança e nossas patéticas demonstrações de controle.

Levanta, me serve um café, que o mundo acabou

Não importa o tamanho do regaço, eu vou é torcer pelo meteoro. Há milênios, os micróbios e as tempestades tentam (sem êxito) dar cabo da humanidade. Solidário aos malemolentes esforços da lama, eu aposto no cometa, na inexpugnável e desgovernada pedra fumegante que vai partir o planeta em pedacinhos, resolvendo de uma vez para sempre todos os dilemas do homem, como a fome de amor na África e a epidemia de banha nos Estados Unidos. Unidos venceremos? Às favas! Segue abaixo o melhor dos manuais para se destruir um mundo pior.

O melhor filme da história recente do cinema

O roteiro complexo, com permanentes digressões entre passado e presente, a excelente interpretação dos atores, a bela fotografia, a trilha sonora comovente assinada pelos compositores Federico Jusid e Emilio Kauderer, o antológico plano-sequência no estádio de futebol. São aspectos técnicos, já amplamente incensados pela crítica, que colocam essa película, com todo o mérito, não só entre as mais sofisticadas produções do cinema latino-americano como entre o que de melhor já se fez na história da cinematografia recente em nível mundial.

10 livros que vão mudar sua vida

A ideia de que um livro pode mudar a vida de alguém é altamente controversa. Há quem acredite; há quem discorde. O fato é que, caso a leitura de uma obra possa mesmo ser capaz de mudar a vida do leitor, isso depende em grande medida do conjunto de referências culturais e experiências vitais experimentadas por aquele que lê. Não creio, por exemplo, que um livro de filosofia possa mudar a vida de alguém sem disposição para o saber filosófico. Da mesma maneira, um livro de História não causará impacto naquele que não consiga se aperceber de que a compreensão do passado é fundamental para o entendimento do presente.

1001 álbuns para ouvir antes de morrer disponíveis on-line

O “1001 Álbuns” é um projeto audacioso. Seus criadores, a rádio romena 3 Net, disponibilizaram 1001 álbuns de música para se ouvir on-line. Os álbuns do projeto são os mesmos do livro “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, do jornalista Robert Dimery. Do rock ao pop, são apresentados os melhores álbuns dos últimos 50 anos. A seleção foi feita em 2006 por 90 jornalistas e críticos e abrange a história da música de 1955 a 2005, de Frank Sinatra a Arcade Fire. Artistas brasileiros como João Gilberto, Tom Jobim, Caetano Veloso, Astrud Gilberto, Bebel Gilberto, Mutantes, Chico Buarque, Elis Regina, Jorge Ben Jor e Sepultura também estão presentes.

Essa felicidade que nos toma de assalto e devolve o que é nosso

A vida passa e leva. É… a vida passa levando tudo. Leva embora nossos dias e nossas tardes e noites. Um a um, a vida leva nossos instantes mais altos, nossas conquistas e desgraças, nossos achados e perdidos, os melhores momentos, os piores episódios e os que ficam entre um e outro lado. Em sua chuva violenta e interminável dos segundos que viram minutos e se tornam as horas que formam os dias, e as noites que compõem as semanas e os meses e os anos que fazem uma existência, a vida inunda as ruas que se pavimentam em cada um de nós e as arrasta em sua torrente. Aos poucos, vai levando quem somos.

Lá vem a vida. Vem seguindo no passo manso das moças

E então meu pai, que andava sumido no tempo, deu as caras numa lembrança. Disseram lá e cá que ele andava com saudade de mim. Saiu voando por cima das casas, feliz e triste, apertando os olhos para ver se me via lá de cima. Ah… meu pai. Aí me deu saudade de você. Mas foi saudade alegre. Saudade da graça das suas piadas sem graça, do perfume barato da sua loção pós-barba, do seu jeito de ver a vida seguindo no passo manso das moças. Aquelas moças da cidade nossa. Deu saudade.

Chega de tanto mi-mi-mi. O amor perdeu, parceiro

Não me venham com essa história de “só o amor constrói”. Ontem mesmo, a balconista da vídeo-locadora em que sou cliente ajoelhou-se no asfalto escaldante — com aqueles joelhinhos bem torneados que até o papa aprovaria — e rezou com fervor ao seu algoz que só o amor construía, e blá-blá-blá, e ti-ti-ti, e assim mesmo levou um tiro na fuça que partiu o seu aparelho ortodôntico de linguinhas cor-de-rosa bem ao meio. Desde então, não consigo mais me imaginar locando os meus tradicionais três filmes tristes da semana sem pagar doze moedas praquela jovem criatura que ria à beça de qualquer coisa que eu falasse, até de política ou de uma sequela sifilítica.

Declaração universal dos direitos e deveres de amar

Então um dia o mundo, ocupado com o que realmente importa, num momento de divina iluminação, há de reunir sem maior espalhafato não uma comissão de notáveis das ciências e da política, nem um séquito de respeitosos acadêmicos e pensadores superdotados, mas uma turma desprendida, formada por pessoas de modos simples, representando diferentes origens, profissões, faixas etárias e níveis sociais variados. Entre essa gente, nada além de dois ou três interesses comuns, coisas como a inutilidade das conversas à toa, a profundidade dos assuntos desconhecidos e, claro, a alegria incomparável de dar e receber amor.

Para Ariano Suassuna, um homem de ideias e sonhos

Nesta terra da saúde que o cabra põe doente, onde morre tanta gente e a vileza nunca para, mulher apanha na cara e homem faz o que quer, um rei meio quixote, meio doutor, desceu da realeza pra ver de perto a pobreza, sentir toda a sua dor. E pra ajudar seu povo de um a um, tirou a coroa e saiu à toa, vestido de pessoa comum. Andando pra todo lado, de jeito santo e letrado, o rei feito andarilho viu o mundo, desceu ao fundo, cada pai e cada filho e cada mãe, ouviu o velho, ouviu o novo com paciência, gente de toda idade, pra entender de verdade a querência de seu povo.

Carta aberta a você que ainda acredita no amor

Você sabe que tem gente se matando agora, não sabe? Tem um povo bombardeando outro, crianças apavoradas, mulheres subjugadas. Uns homens soltam bombas, outros prendem o choro. Edifícios desabam fáceis, sob a mira dos mísseis prateados, impecáveis. Famílias se desmancham como papelão na enxurrada, canalhas fogem com o dinheiro do povo. Ódio vira regra, medo se faz prática, desespero se torna música. O sucesso de audiência é a nossa escandalosa miséria de todos os dias.

Rubem Alves me ensinou de tudo. Até a chorar a perda do avô que eu nunca tive

Pois o último sujeito que escolhi para ser o meu avô foi o Rubem Alves. Leio seus escritos imaginando que cada palavra está sendo dita pelo avô que eu nunca tive. Leio como se ouvisse conselhos do meu velho avô, um homem que no meu mundo de fantasia gosta de plantas e de caqui e de ipês amarelos. Quando o via falando bonito na televisão, pensava comigo mesmo: “esse vovô tem cada uma”. Agora, com a partida dele, me sinto tocado por um sentimento que eu desconhecia: a do luto por meu avô.

De tão besta, esta crônica vai ficar sem título

O frisson que aquela mulher provocou nos homens durante a festa de aniversário do Toninho até hoje reverbera no sono e na sina de um quarteto de marmanjos claudicantes à beira da andropausa. Pensem numa mulher tão bonita de fazer gaguejar, de fazer perder a fala, de fazer inflar o falo, de fazer latir um fila, cuja nuca com tez de pêssego levava tatuada a seguinte recomendação em letras cursivas, garrafais: “Sonhe”.

Viva João Ubaldo Ribeiro!

É que tem gente que deixa o mundo melhor, né? Tem gente que abre o riso e o tempo. No meio de tanta bobagem, tanto desgosto, tanto ranço, tanta empáfia, tem gente que faz a vida mais simples em toda a sua complexidade. Tempos difíceis, os nossos. Já faz tempo que é assim. É que a gente aprendeu a levar o carro adiante no tranco. Aprendeu o ritmo louco das coisas, descobriu como faz pra seguir em frente quando sobe e quando desce.

Nem sempre o amor começa numa segunda-feira

É… nem sempre as coisas vão para onde a gente quer. Nem sempre a vida acontece como você e eu desejamos. Nem sempre. Preciso confessar a você que essas velhas certezas só me enchem de novas perguntas. Amigos verdadeiros nunca faltam mesmo? Amor de verdade não acaba? Só uma mãe entende um filho? O perdão é um privilégio das almas elevadas? Quem sabe? É que eu tenho a impressão de que as verdades de cada um nunca foram, assim, tão absolutas, austeras, esbanjando sisudez. As minhas, pelo menos, andam de tênis.

As 10 mais importantes canções de rock da história da música

É óbvio que o rock não errou. No máximo, confundiu, provocou, tirou sarro, consumiu noites de sono de papais e mamães, interrompeu a inércia de políticos e burocratas de um status quo viciado em castração mental. Convencido de que Deus e o amor até que ajudam, mas, quem salva pra valer é a música (nesse caso, eu reverencio toda a boa música feita no mundo, inclusive, a brasileira), compilei as dez mais importantes, significativas, emblemáticas e transformadoras canções de rock dos últimos 60 anos.

Os 10 mais tristes filmes da história do cinema (um guia básico para homens que precisam aprender a chorar)

Frente ao frisson criado por causa do desmedido chororô da equipe canarinho dentro das quatro linhas, e às centenas de pareceres informais de psicólogos por todo o território nacional, eu achei conveniente compilar e indicar, não somente aos atletas durões desta e de outras Copas que ainda virão, mas aos homens de coração duro, uma lista com os 10 Mais Tristes Filmes da História do Cinema. Companheiros, tranquem a porta da sala, assistam aos filmes, saquem os seus lenços de seda, mas chorem com moderação.