Ensaios

Em uma sociedade de analfabetos, ser inteligente na adolescência virou crime

Em uma sociedade de analfabetos, ser inteligente na adolescência virou crime

A indústria cultural, diferentemente de boa parte dos pais, sabe o significado do mito da adolescência moderna. Ultrapassando as pretensas crises emocionais que decorrem do período, as quais são deixadas para reflexão dos psicólogos e dos psicanalistas, cuida-se logo de “empurrar goela abaixo” o estereótipo estupidificante do adolescente bestializado, um “trapo humano” jovem e insensível. Despreza-se a leitura, tida como “tarefa chata da escola”, travestindo de “poesia” os “ex-my love” da vida — como se pudesse haver perenidade artística em algo tão ruim e de criatividade equivalente a de uma bactéria anaeróbia.

As palavras e a fraude ou o malabarismo ideológico

As palavras e a fraude ou o malabarismo ideológico

Às vezes, as palavras revelam mais do que deveriam, vão além do que era a intenção original, escorregam em cascas de banana, cometem atos falhos, deixam rastros nos chistes e expressões. As palavras não são traiçoeiras, mas a forma como são utilizadas, sim. A vingança não demora: elas desmascaram a intenção do mau uso.

Chaplin, Kubrick e Spielberg: o verbo do cinema

Chaplin, Kubrick e Spielberg: o verbo do cinema

Filme é o que enxergamos, inclusive a elipse, quando a cena nos remete a algo fora da tela. O exercício de ver serve para abordar o cinema pelo que ele é, quando estão dispostos os elementos chave para decifrarmos o que é visto. Limpar a obra da Sétima Arte de intenções adventícias é uma atividade valiosa, principalmente quando assistimos o trabalho de cineastas como Kubrick, Spielberg ou Chaplin. Ou quando conseguimos nos esclarecer sobre filmes aparentemente banais que provocam insights importantes para o trabalho ensaístico.

Por que é que os revolucionários foram reacionários

Por que é que os revolucionários foram reacionários

As revoluções levam a açoites de aço, trabalhos forçados e ao encarceramento de grandes escritores. No entanto, o termo “revolucionário” continua a gozar das mais nobres conotações, enquanto que o termo “reacionário” detém, tanto na arte quanto na política, o monopólio do mau. Já se disse que os revolucionários na literatura foram em geral reacionários em matéria de política.

Hermann Hesse: o guru dos hippies

Hermann Hesse: o guru dos hippies

O Sul da Alemanha, a partir do século 17 até meados do século 20, era fortemente influenciado pelo pietismo, o maior movimento reformista dentro do protestantismo europeu após a Reforma Protestante. Os pietistas, profundamente crentes, conservadores e intransigentes a tudo quanto era novo, levavam o conteúdo da Bíblia ao pé da letra e eram, por isso, considerados ortodoxos dentro do protestantismo. Foi neste ambiente que, em 2 de julho de 1877, nasceu e passou a sua infância e parte da adolescência Hermann Hesse, o mais lido escritor alemão do século 20.

Hannah Arendt: a filósofa como poeta

Hannah Arendt: a filósofa como poeta

A faceta da judia Hannah Arendt filósofa quase militante — dotada de uma coragem intelectual excepcional, mesmo quando enfrentava o reducionismo e o vitimismo do establishment judaico — é por demais conhecida. Nascida em 1906 e falecida em 1975, é frequentemente citada em livros e reportagens e artigos de jornais de todo o mundo tal a vitalidade de suas ideias. Afirma-se que algumas de suas ideias são insight não desenvolvidos — e seu livro clássico, “Origens do Totalitarismo”, mereceu críticas de vários autores, como os judeus Bruno Bettelheim, psicanalista, e Raul Hilberg, historiador. Nos últimos tempos, nos quais dinheiro compra até amor verdadeiro, tem sido mencionada, com constância excessiva, por sua paixão pelo filósofo Martin Heidegger.