Obituário

Fãs ou não, o Brasil inteiro chora

Fãs ou não, o Brasil inteiro chora

Marília nasceu na simplicidade interiorana, ganhou alcance nacional, findou-se com reconhecimento mundial. Fez o termo “feminejo” estrear no “NY Times”, foi reverenciada pela Billboard, estampou matérias argentinas, francesas, portuguesas. Com talento despido de amarras extrapolou a barreira que segrega estilos musicais. Homenageada por nomes da MPB, expoentes do hip hop, notáveis do samba, cantores elitistas e parceiros de viola conseguiu que em uníssono um coro engasgado reverberasse o sertanejo em saudação à sua história.

A música ficou menor, morreu Nelson Freire

A música ficou menor, morreu Nelson Freire

Na terra da canção popular, surgiu um menino na década de 1950 que saiu do interior de Minas Gerais e assombrou o mundo na música erudita. A elegância discreta se juntava ao modo perfeito de executar as peças para piano de Chopin e Debussy. Nelson Freire morreu na véspera do Dia dos Mortos deste ano e deixou uma obra de piano que, graças às plataformas de streaming como o Spotify, pode ser apreciada na íntegra.

Toni Morrison ficará para a história como uma gigante literária

Toni Morrison ficará para a história como uma gigante literária

Talvez seja possível sugerir que, no caso de Toni Morrison, a militância — o engajamento — contribuiu para fortalecer seu imenso talento, dando-lhe ideias, temas. Não a prejudicou em nada. Tornou-se a uma gigante literária dos séculos 20 e 21. Agora, quando tentam transformá-la em mera panfletária, colocando a militante na primeira fila e a escritora na segunda fila, estão prestando um desserviço tanto (não só) à literatura quanto à própria militância política.