Diários do Aran

O humor precisa ser irreverente ou então vira propaganda de margarina

O humor precisa ser irreverente ou então vira propaganda de margarina

Muito antes de inventarem “Star Wars”, já existia a “prequel”. Parece que em português se diz “prequela”. Sério. “Prequela” lembra um cancro venéreo nos Países Baixos, então vamos de “prequel” mesmo. Gargântua é o pai de Pantagruel, como Anakin é pai de Luke, mas a história dele foi publicada em 1534, dois anos depois do primeiro livro. Os dois são gigantes e comem, bebem e transam como se o mundo estivesse à beira do Juízo Final. Vem daí as expressões “banquete pantagruélico” ou “proporções gargantuescas”. Literatura também é cultura!

A distopia mais bonita da cidade

A distopia mais bonita da cidade

As distopias estão na moda. E não apenas na política, mas também na literatura, veja você. Pode ser apenas masoquismo do leitor, mas também pode ser um ciclo autodestrutivo. Primeiro a pessoa lê ficções sobre lugares e tempos horríveis. Depois elege gente capaz de transformar a realidade em alguma coisa mais estranha do que a ficção.

Um escritor é só uma Anitta que não sabe rebolar

Um escritor é só uma Anitta que não sabe rebolar

Gente que escreve pensa que é grande coisa. O cara aprende conjugação verbal, coloca um substantivo antes do adjetivo e, pronto, já se acha um gênio da raça. É uma praga. Depois de meses ou anos batucando o teclado, o escritor finalmente coloca um ponto final no texto e pensa: “Esse meu novo livro tem verdades tão profundas sobre a natureza humana que me aclamarão gênio antes da próxima quarta-feira, tenho certeza!” Dá dó, claro, mas pretensão não enche o saco.

Harvey Kurtzman: o mais maluco dos humoristas americanos

Harvey Kurtzman: o mais maluco dos humoristas americanos

Ele influenciou Jerry Lewis, descobriu Terry Gillian (diretor de “Brazil — O Filme”), Robert Crumb, Jules Feiffer e fundou a revista de humor mais famosa do mundo. Seu nome é Harvey Kurtzman e você, provavelmente, nunca ouviu falar dele. Não se preocupe. Mesmo nos EUA, sua terra natal, ele é virtualmente desconhecido. Embora cultuado por um time seleto de humoristas — que inclui Woody Allen, a turma do Monty Python e o próprio Lewis — Kurtzman foi vítima da “Síndrome de Frankenstein”: suas crias ficaram mais famosas do que ele.

Esquece esse “Round 6” chato e vai ver coisa que presta

Esquece esse “Round 6” chato e vai ver coisa que presta

A melhor série disponível na Netflix no momento não foi badalada na mídia e nem ganhou uma legião estridente de fãs no Twitter. Também não tem empregada doméstica americana se ferrando feito uma Regina Cazé e nem sul-coreano participando de jogos mortais para ganhar uns trocos. Mas tem diversos monstros bizarros, tramas alucinadas e um visual surpreendente e revolucionário, algo que faz cada vez mais falta ao audiovisual mainstream.