Contos

Apesar de loucas, tronchas e solitárias, as pessoas parecem flores, finalmente

Apesar de loucas, tronchas e solitárias, as pessoas parecem flores, finalmente

Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido. Mas, eu não queria mais ficar sozinho. Não naquele dia. Hollywood era coisa do passado. Andava à toa em San Pedro, ao sul de lugar nenhum. Buscava inspiração para escrever um livro sobre o amor, sobre gatos, sobre bêbados e bebidas, o que surgisse primeiro como inspiração. Estava saturado de escrever cartas na rua para ninguém. Sentia-me um fodido ao inventar personagens que, de fato, nunca existiram.

Textura de tempo

Textura de tempo

Você deve ter conhecido meninos e meninas que na descoberta do corpo, e também dos amores, por algum motivo desconhecido descobriram que a poesia acalentaria os seus despudores. Alguns crescerem assim, sem entender as razões pelas quais ficariam para sempre presos à tentativa do verso.

O suicídio em suspenso

O suicídio em suspenso

Os pais entreolharam-se, sem apoiá-lo nem repreendê-lo. Qualquer ação poderia, com o tempo, reverter-se em munição para que ele insistisse no disparate. Abafaram seu sonho com indiferença, ao mesmo tempo em que tentavam influenciá-lo a gostar das coisas do sítio, como os irmãos: doma gentil no rodonel, clube do laço, prova do tambor, cavalgadas de domingo, além da lida cotidiana.

Decálogo do Perfeito Contista, de Horacio Quiroga

Decálogo do Perfeito Contista, de Horacio Quiroga

Publicado originalmente na revista “Babel”, de Buenos Aires em 1927, o “Decálogo do Perfeito Contista”, de Horacio Quiroga, se tornou uma espécie de receituário para contistas iniciantes. “O ‘Decálogo do Perfeito Contista’ é, por um lado, a profissão de fé de um exímio contista, a partilha — generosa, diga-se — de um conhecimento forjado a duras penas, com o objetivo, talvez, de maneirar os excessos literários da juventude, mas, por outro lado, é também um documento literário de uma época e de um modo de se pensar a literatura.”