Carpe diem

Se tudo é preconceito, xenofobia e fascismo, nada mais o é de verdade

Se tudo é preconceito, xenofobia e fascismo, nada mais o é de verdade

Há labirintos que nos parecem sem saída; confusos, nem sequer podemos, nos ensinam a mídia, nossos líderes e o blogueiro moderninho, sob risco de linchamento pelos Torquemadas da nova Santa Inquisição (Santa Inquisição, vocês sabem, era uma espécie de Facebook da Idade Média), emitir qualquer opinião fora dos cânones pré-estabelecidos por uma soi-disant elite que pensa as relações sociais como reflexo do próprio mundinho.

Morreu Philip Roth

Morreu Philip Roth

O que dizer de um escritor que admiro profundamente? Li todos os seus livros, vários deles excepcionais, e já escrevi antes sobre o impacto que “O Teatro de Sabbath” teve em mim. O livro é, como todo grande romance, cheio de camadas que se sobrepõem. A vida de Morris Sabbath é um longo acúmulo de fracassos. Leio-o, entre outras coisas, como uma reflexão sobre a vida e a morte, e por isso o texto é profundamente humano, demasiado humano.

Existem janelas  para todos nós, aguardando o nosso lado outsider adormecido

Existem janelas para todos nós, aguardando o nosso lado outsider adormecido

Sim, sabemos que janelas e portas são o canto de sereia de deprimidos, suicidas e insatisfeitos com a caminhada, sempre aflitiva, no “jardim dos caminhos que se bifurcam” (todos nós?). Mas esse chamado se faz por oposição, ai de nós: se o que há além delas é uma possível liberdade, dentro existem as paredes que simbolizam as normas que, afinal, devem reger qualquer vida social.

Sobrevivendo ao domingo

Sobrevivendo ao domingo

Amigos velhos, e então, como vai o domingo? Paulo Mendes Campos, cronista tão invejável (invejo quem escreve bem) quanto o urso Rubem Braga, escreveu que, para um domingo perfeito, é preciso “ter na véspera o cuidado de escancarar a janela”. Sim, sim, mas não só as janelas físicas: as metafísicas devem ser abertas ainda com mais vigor aos domingos. Abrir-se, eis um mandamento obrigatório, um, por assim dizer, imperativo categórico.

Churchill por Gary Oldman: uma história de adultos para adultos

Churchill por Gary Oldman: uma história de adultos para adultos

O filme é direto e sem muitas firulas, mas Gary Oldman está realmente excepcional — e a história de maio de 1940, essa história, meus amigos, merece ser recontada muitas vezes (principalmente nesta época em que as grandes lutas são pelo fim dos fogos de artifício para que totós não se assustem e dos saleiros em mesas de restaurantes para que os sais não nos tentem).

“Querencia”: eu e Goiânia

“Querencia”: eu e Goiânia

Aqueles que me conhecem sabem: gosto imensamente de viajar. Não só da viagem em si, mas também da sua preparação e, depois, da sua recordação; por isso mesmo, aliás, leio guias de turismo como se fossem clássicos da literatura. Viajo, logo existo; contudo, a cada nova viagem e retorno, as agruras cotidianas desta cidade que consegue superar constantemente os seus próprios limites de desorganização me exasperam e me levam a me perguntar por que aqui permaneço.

Admito: sou interno de um hospício

Admito: sou interno de um hospício

Escrevi, numa “Carpe Diem” anterior, sobre inícios clássicos de livros; hoje, como prometido, volto ao tema com outros incipit (meu jovem editor: sem variação no plural aqui, por favor). Não são exatamente “clássicos” de melhores começos de livros, mas sim, digamos, parte da minha lista maníaco-idiossincrática.