Carpe diem

Morreu Philip Roth

Morreu Philip Roth

O que dizer de um escritor que admiro profundamente? Li todos os seus livros, vários deles excepcionais, e já escrevi antes sobre o impacto que “O Teatro de Sabbath” teve em mim. O livro é, como todo grande romance, cheio de camadas que se sobrepõem. A vida de Morris Sabbath é um longo acúmulo de fracassos. Leio-o, entre outras coisas, como uma reflexão sobre a vida e a morte, e por isso o texto é profundamente humano, demasiado humano.

Existem janelas  para todos nós, aguardando o nosso lado outsider adormecido

Existem janelas para todos nós, aguardando o nosso lado outsider adormecido

Sim, sabemos que janelas e portas são o canto de sereia de deprimidos, suicidas e insatisfeitos com a caminhada, sempre aflitiva, no “jardim dos caminhos que se bifurcam” (todos nós?). Mas esse chamado se faz por oposição, ai de nós: se o que há além delas é uma possível liberdade, dentro existem as paredes que simbolizam as normas que, afinal, devem reger qualquer vida social.

Sobrevivendo ao domingo

Sobrevivendo ao domingo

Amigos velhos, e então, como vai o domingo? Paulo Mendes Campos, cronista tão invejável (invejo quem escreve bem) quanto o urso Rubem Braga, escreveu que, para um domingo perfeito, é preciso “ter na véspera o cuidado de escancarar a janela”. Sim, sim, mas não só as janelas físicas: as metafísicas devem ser abertas ainda com mais vigor aos domingos. Abrir-se, eis um mandamento obrigatório, um, por assim dizer, imperativo categórico.

Churchill por Gary Oldman: uma história de adultos para adultos

Churchill por Gary Oldman: uma história de adultos para adultos

O filme é direto e sem muitas firulas, mas Gary Oldman está realmente excepcional — e a história de maio de 1940, essa história, meus amigos, merece ser recontada muitas vezes (principalmente nesta época em que as grandes lutas são pelo fim dos fogos de artifício para que totós não se assustem e dos saleiros em mesas de restaurantes para que os sais não nos tentem).

“Querencia”: eu e Goiânia

“Querencia”: eu e Goiânia

Aqueles que me conhecem sabem: gosto imensamente de viajar. Não só da viagem em si, mas também da sua preparação e, depois, da sua recordação; por isso mesmo, aliás, leio guias de turismo como se fossem clássicos da literatura. Viajo, logo existo; contudo, a cada nova viagem e retorno, as agruras cotidianas desta cidade que consegue superar constantemente os seus próprios limites de desorganização me exasperam e me levam a me perguntar por que aqui permaneço.

Admito: sou interno de um hospício

Admito: sou interno de um hospício

Escrevi, numa “Carpe Diem” anterior, sobre inícios clássicos de livros; hoje, como prometido, volto ao tema com outros incipit (meu jovem editor: sem variação no plural aqui, por favor). Não são exatamente “clássicos” de melhores começos de livros, mas sim, digamos, parte da minha lista maníaco-idiossincrática.

É o tempo, estúpido: ainda ontem eu tinha 20 anos

É o tempo, estúpido: ainda ontem eu tinha 20 anos

O negócio é o seguinte: praticamente não me abalo da minha casa para ir a cinemas, mas acabei, quase por acidente, numa sala escura vendo “O Filme da Minha Vida”, dirigido por Selton Mello. Festa estranha com gente esquisita. Tudo o que costuma me afastar dessa atividade estava lá para ser enfrentado, gente falando ao telefone, comendo sanduíches gigantescos e tirando os sapatos, mas, reconheço, valeu o esforço. Fui, vi e venci. Venci principalmente o meu preconceito contra filmes brasileiros.