Mirisola

Orwell versus Mãe Dinah

Orwell versus Mãe Dinah

Vivemos tempos de muita demagogia, falsos engajamentos e marketing tresloucado. De modo que o que se vende e o que se consome em todas as frentes — salvo as exceções de praxe — são oportunidades de negócios, tudo em nome da arte e da igualdade, como se uma coisa tivesse ligação com a outra. Portanto, além da questão das misérias que somente fizeram se agravar nas últimas décadas, também a alma humana definhou, perdemos em liberdade e individualidade: essas duas forças que juntas poderiam ser chamadas George Orwell — o homem que investiu bravamente contra os totalitarismos de sua época.

Na baixada do Glicério ou no Vidigal é tudo igual

Na baixada do Glicério ou no Vidigal é tudo igual

O Brasil está entorpecido de uma breguice lisérgica mais despirocada do que qualquer viagem de ácido, uma bad-trip jeca-fundamentalista que cozinha neurônios há pelo menos três gerações. A cultura brasileira, hoje, causa mais demência e incapacidade cognitiva do que qualquer droga lícita ou ilícita. E aí vão querer me convencer que os uivos, guinchos e ganidos contra as drogas ilegais não são exclusivamente uma questão estética-político-ideológica?

Nove de maio, onze de agosto

Nove de maio, onze de agosto

A primeira providência foi comprar uma agenda para ela. E deixar os acertos por conta dos desconcertos do dia a dia. Vale dizer: deixar que o inusitado acontecesse à revelia, e se possível manter uma distância segura para que o dia a dia não o paralisasse completamente.

É isto um homem, Chico?

É isto um homem, Chico?

Penso que todo candidato a escritor, e todo sujeito(a) que se ocupa em escrever livros, devia, antes de publicar qualquer coisa, passar por “É Isto um Homem?”. E, somente depois de viver a experiência (significa mais do que simplesmente “ler”), pesar os prós e os contras de interferir através de seus livros na vida de terceiros. O ideal seria que procurasse outra coisa para fazer. Seria o melhor para todos.

Prisões, açougues e democracia

Prisões, açougues e democracia

A impressão é que o mundo, hoje, sofre de uma síndrome de não-pertencimento, mas a coisa não é tão chique assim. Denominar dessa forma é quase dar uma transcendência para algo que não é coisa alguma. O mundo sofre mesmo de bursite tecnológica, vivemos na era das bolhas digitais. O anacronismo é geral, não são apenas as medalhas e as honras aos méritos dos medíocres que perderam o sentido, os lugares e oráculos do século 20 não existem ou não tem mais necessidade de existir.