Ideias

A marcha da insensatez: redes sociais estão destruindo a sociedade civil

A marcha da insensatez: redes sociais estão destruindo a sociedade civil

Umberto Eco (1932-2016) disse que as redes sociais possibilitaram o surgimento — e quiçá uma hegemonia — de uma “legião de imbecis”. Antes, concentrados em bares, tomando vinho ou cerveja, “falavam sem prejudicar a coletividade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.

O cinismo tem sede de bala

O cinismo tem sede de bala

Um saco de cimento pode ferir e matar. O operário revoltado com o colega pode jogá-lo do andaime quando a vítima passar lá embaixo. Mas cimento foi feito para a construção. Uma pistola pode livrar um enforcado. O mocinho do filme de faroeste pode mirar na corda do condenado e salvá-lo da morte. Mas pistola foi feita para ferir e matar.

Philip Roth X Ian McEwan

Philip Roth X Ian McEwan

Não poucos estudiosos acreditam que a língua de Shakespeare produziu a maior das literaturas. Não vem ao caso discutir a procedência deste julgamento. Mas é certo que, indiscutivelmente, dois dos maiores escritores da atualidade, no mundo, são o inglês Ian McEwan e o norte-americano Philip Roth. Não terem ganhado o prêmio Nobel é apenas um detalhe que deporia contra o prestígio da academia. São dois magistrais romancistas, gênero por excelência de sua arte.

Espécie de Policarpo Quaresma da filosofia, o menino do Acre talvez seja uma das maiores empulhações da história do Brasil

Espécie de Policarpo Quaresma da filosofia, o menino do Acre talvez seja uma das maiores empulhações da história do Brasil

O “Menino do Acre” talvez fique na história como uma das grandes empulhações brasileiras e a mídia, certamente para obter audiência e acesso, se não está endossando diretamente, está sendo conivente com as trapalhadas e enganações do estudante de Psicologia Bruno Borges, de 25 anos. A Argentina tem Jorge Luis Borges. O Brasil contenta-se com Bruno Borges, o pós-adolescente fujão, que ficou desaparecido durante algum tempo, alegando que estava em busca do conhecimento.

Calles de papel e tinta: um passeio pelas livrarias de Buenos Aires

Calles de papel e tinta: um passeio pelas livrarias de Buenos Aires

As livrarias de Buenos Aires não precisam de alguém para contar suas histórias: elas precisam ser descobertas e, uma vez descobertas, falam por si mesmas. Uma das poucas cidades do mundo onde as livrarias são parte do apelo turístico, Buenos Aires chega à era digital sem sofrer, sequer remotamente, a ameaça de ter seus livros trocados por e-books. Pelo contrário: é crescente na cidade das livrarias um movimento de novos livreiros que se somam aos já tradicionais para que o império do papel prossiga ainda por muito tempo.

Os três maiores poetas e os três maiores prosadores do Brasil

Os três maiores poetas e os três maiores prosadores do Brasil

Evidentemente, não há só três grandes romancistas e três grandes poetas. Mais verdadeiro é admitir que uma cultura diversa como a brasileira jamais produzirá tão-somente dois ou três poetas que podem ser qualificados de grandes. Há espaço, e vasto, para incorporar vários poetas, de matizes diferentes. Escolher prosadores talvez pareça fácil, mas não é. Citar apenas três é uma missão quase impossível.

Contra Temer e em defesa dos vampiros

Contra Temer e em defesa dos vampiros

A patrulha ideológica Nutella é o mal do século. Se o mal do século 19 foi a solidão, o mal do século 20 foi a incomunicabilidade (ou o Menudo? Estou em dúvida!), o mal do século 21 é o sujeito entrar no seu perfil das redes sociais te cobrando posicionamento, engajamento, sentimentos e outros (ju) mentos assim. Parece que ninguém mais tem o direito de ser cínico, iconoclasta ou, simplesmente, alienado.