Ideias

Os sinos que unem John Donne, Hemingway e Raul Seixas

Os sinos que unem John Donne, Hemingway e Raul Seixas

Com raras exceções, já se vão longínquos os tempos em que a Igreja era a referência de uma comunidade em todos os assuntos, inclusive em termos de comunicação. Com TV, computador, internet e celular à mão, soa anacrônico e até jocoso, além de improvável, imaginar que o sino de uma capela possa anunciar a uma população inteira um novo fato da localidade

Quando a cegueira ideológica contrasta com a morte

Quando a cegueira ideológica contrasta com a morte

O distópico mundo da cegueira ideológica contrasta com uma realidade dura, cheia de perdas incontáveis — tudo no mesmo balaio. São traços da marcha fúnebre brasileira, que caminha a passos largos para a lata de lixo da história, estranhamente, ao som de músicas nacionalistas, cânticos de aniversário e dores abafadas.

A mulher que inventou o cinema

A mulher que inventou o cinema

Ao morrer em 1968, o ano que talvez tenha mudado o mundo, ao torná-lo mais tolerante à rebeldia política e comportamental, Alice Guy não chamou atenção, nem mesmo da antenada turma da Nouvelle Vague. François Truffaut e Jean-Luc Godard, ases do cinema francês, estavam de olho muito mais na cinematografia norte-americana do que na conterrânea pioneira. Mas a francesa de Saint-Mandé começa a ser reconhecida como a primeira pessoa que explorou os recursos narrativos do cinematógrafo.

É preciso reafirmar a dignidade das Ciências Humanas, contra o negacionismo dos ventríloquos

É preciso reafirmar a dignidade das Ciências Humanas, contra o negacionismo dos ventríloquos

O negacionismo atual começou por negar a Política. Foi o começo de tudo, e explica muita coisa. Há coerência, apesar do déficit de tutano cerebral dos novos paladinos da sabedoria. Pois, amigos, quero ver fazer política sem Sociologia! Apesar de Brasília preferir agir no escuro (o que explica tantas aberrações), não existe governo viável sem programas e projetos.

Enquanto o Brasil compra containers para guardar corpos, os políticos decidem reabrir os shoppings

Enquanto o Brasil compra containers para guardar corpos, os políticos decidem reabrir os shoppings

No Brasil, após um interstício de pseudoisolamento social, com um índice pífio de cumprimento das medidas adotadas e uma indiferença premeditada pelo governo federal, a tendência é a reabertura. Na contramão da lógica, o país, que acaba de alcançar o pico mundial na média de mortes diárias, força a barra e — utilizando uma linguagem popular — “paga de maluco” para atender aos anseios de empresários.

Ser indiferente a o que está acontecendo não deixa de ser uma forma de cumplicidade

Ser indiferente a o que está acontecendo não deixa de ser uma forma de cumplicidade

O Brasil, a despeito disso, parece estar em um multiverso desconexo. Populares saem às ruas com suas bandeiras e camisas verde-amarelas para exaltar uma figura como herói e recriminar todas as instituições que estejam a arranhar essa imagem mitificada. Esse contraponto, com pessoas aglomeradas, munidas de negacionismos e síndrome de perseguições, conta com a participação eloquente do próprio presidente, que surge sempre orgulhoso de seus adeptos cegos.

A corrupção moral é a mãe de todas as corrupções

A corrupção moral é a mãe de todas as corrupções

É admirável como em geral não toleramos a corrupção “pública” que envolve dinheiro (desvios, subornos etc.), tudo porque achamos que apenas o dinheiro trás consequências tangíveis à nossa vida. Admirável como, por outro lado, aceitamos o que leva a práticas tão condenadas: a corrupção moral.

Milhares de mortes pelo Coronavírus. Mas fique tranquilo que só morrem idosos e sedentários, tá ok?

Milhares de mortes pelo Coronavírus. Mas fique tranquilo que só morrem idosos e sedentários, tá ok?

Levantamentos oficiais apontam que o país caminha em ritmo acelerado para um caos devastador no sistema de saúde e aquelas cenas de filmes gore de outros países, com corpos carregados como pedaços de carne, já não são uma realidade tão distante. Infelizmente, quem sofre é o povo, conduzido por políticas surreais e com atitudes desarrazoadas de apoio a flexibilização, com claro flerte do chefe do executivo.