Um dia as máscaras caem

As máscaras servem de disfarce, esconderijo e proteção. Talvez, por associações de ideias, tangenciemos espécies como o caramujo, o tatubola e a tartaruga que se defendem dos imprevistos e intempéries da natureza, com algo que os reveste, além de uma simples máscara: a carapaça. Digamos que estas criaturas possuam a priori um estigma constitucional de nascença. Mas e as máscaras que se acoplam à vida, em diversas situações, ensejando intenções inexplícitas ou sub-reptícias? Máscaras do cinismo, hipocrisia, do faz de conta, dos lobos em pele de cordeiro.

Os 10 maiores poemas brasileiros de todos os tempos

Pedimos a 50 convidados — escritores, críticos, professores, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de autores brasileiros em todos os tempos. Cada participante poderia indicar entre um e dez poemas. Nenhum autor poderia ser citado mais de uma vez. 40 poemas foram indicados, mas, destes, apenas 24 tiveram mais de três citações. Por motivo de direitos autorais, alguns poemas tiveram apenas trechos publicados.

Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa

Pedimos aos leitores e colaboradores — escritores, jornalistas, professores — que apontassem os poemas mais significativos de Fernando Pessoa. Escritor e poeta, Fernando Pessoa é considerado, ao lado de Luís de Camões, o maior poeta da língua portuguesa e um dos maiores da literatura universal. O crítico literário Harold Bloom afirmou que a obra de Fernando Pessoa é o legado da língua portuguesa ao mundo.

Tudo que é sólido desmancha no ar?

Todo mundo sabe que esse alvoroço da população que avassala as autoridades começou em protesto a um acréscimo de 20 centavos no preço dos passes do transporte urbano. Todo mundo sabe, mas ninguém acredita. Ninguém dá conta de entender como uma merreca de 20 centavos possa causar tamanha revolta e euforia numa população que sempre foi tratada como frouxa e sem noção. Pode ser que continue a ser tratada como sem noção, mas como frouxa, nunca mais.

Renato Russo não merecia isso

“Faroeste Caboclo” é um filme milimetricamente planejado para impressionar o público médio, que ingenuamente ainda se encanta com edição rápida, tiros, sangue falso e um pouco de sexo, para incrementar a emulação de transgressão

Os norte-americanos, sendo donos do cenário primordial, criaram o faroeste clássico, pelo qual se expressaram artistas brilhantes como John Ford, Nicholas Ray, Howard Hawks e Sam Peckinpah. Em sua esteira comercial, os italianos desenvolvendo o chamado faroeste “spaghetti”, de muitos djangos, gemmas e hills; e um único e grande Sérgio Leone.

Os 10 melhores poemas de Carlos Drummond de Andrade

Pedimos a 10 convidados — escritores, críticos, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de Carlos Drummond de Andrade. Cada participante poderia indicar entre um e 10 poemas. Coincidentemente, não houve votos repetidos, o que só evidencia a grandeza e a vastidão da obra do poeta mineiro. Desde de 2011, Carlos Drummond de Andrade ganhou o Dia D, inspirado no Bloomsday, o dia dedicado ao escritor irlandês James Joyce. A data, 31 de outubro, aniversário do poeta, é comemorada no Brasil e em Portugal.

A ditadura não amoleceu o povo

Nosso povo é doce. Mas, também, duro de roer para espanto de alguns políticos, ainda nadando serenos na empáfia que os cega para as urgências sociais do nosso tempo. Hoje o Brasil  exibe faceiro sua poligamia ampla, geral e irrestrita, estabelecida com todos os cidadãos. Seu status de nação namoradeira e apaixonada por seus filhos. Um incesto limpo, risonho, desejado, consentido.

O ABC dos amores malogrados de quase todas as mulheres

Abel, embora pacífico e delicado, se não tivesse sido assassinado pelo próprio irmão (vocês souberam pelos jornais?), daria um marido e tanto. Adamastor — só de se lembrar disto ela tem calafrios — não deu certo porque era um pastor verborrágico que se amarrava em sexo anal. Adão era um sujeito machista que a tratava como se ela fosse uma costela. Alencar — gordo que nem um capado — começou a elencar um sem número de defeitos que ele vinha observando no corpo dela nos últimos tempos. Almeida Prado só fazia cagadas.

A última entrevista de Nelson Rodrigues

Entrevista de Nelson Rodrigues, concedida em outubro de 1980, ao jornalista Tom Murphy, do jornal “Latin American Daily Post”. O dramaturgo morreria dois meses depois

Fui recebido por um homem pálido, até mais alto do que eu imaginava, de calça azul mal ajustada pelos largos e famosos suspensórios; um homem lento no andar e na fala. Lento de dar pena. Anos depois conheci Alfredo Machado, dono e cabeça da Editora Record, a quem relatei a experiência daquele dia: “Entrevistei o Nel­son Rodrigues dois meses antes da morte dele; ele já estava doente, muito mal mesmo”.

100 links para clicar antes de morrer — update

Este post é uma atualização de um post publicado em 2011 com o título “100 links para clicar antes de morrer”. Em dois foram mais de meio milhão de compartilhamentos. Atualizamos as informações e acrescentamos novos links. A lista faz uma espécie de inventário do que teve de melhor na internet nos últimos  anos. Os links que compõem a lista contemplam os mais díspares perfis e abrange os mais diferentes segmentos e tendências: música, livros, cinema, fotografia, ciência, tecnologia, jornalismo, mídias sociais, artes e humanidades.

“Algo deve mudar para que tudo continue como está”

“O Leopardo”, de Tomasi di Lampedusa, publicado postumamente e popularizado pelo gênio do cineasta italiano Luchino Visconti, narra a decadência da nobreza e a ascensão de uma nova classe na Itália do final do século 19, endinheirada, destituída de sangue azul, mas ávida para comprá-lo

Nicolau Maquiavel é o que se pode chamar de unanimidade entre os estudiosos da ciência política. Na verdade, com a publicação de seu pequeno grande livro, “O Príncipe”, foi considerado o fundador da ciência política moderna.

Levante contra as mazelas de um país vagabundo

Esta crônica é uma tentativa, com o risco dos enganos de praxe, de listar algumas razões pelas quais estourou esse movimento ruidoso, supostamente contra o reajuste das passagens de ônibus urbanos. Não houve identificação pela imprensa, nem pelos órgãos de inteligência do governo de que uma revolta latente estava prestes as explodir. Se alguém identificou, não foi divulgado, nem foram tomadas as providências necessárias para minimizar os danos materiais causados pelo movimento.

O amor quase sempre pode dar certo um dia

Alice me mostrou o que era mesmo o tal país das maravilhas. Amélia é que era mulher de verdade: adorava cartão de crédito, batom e depilação definitiva. Alexandrina preferia os versos livres da poesia concreta. Angélica tinha o diabo no corpo. Angelina, mesmo sem os seios, eu teria me casado com ela. Anunciação anunciou que a menstruação estava bastante atrasada, então eu gelei. Aparecida sumiu de mim num piscar de olhos.

Nem com Tiro aprendemos a lição

Três mil anos depois e o Brasil não aprendeu a lição. Há várias passagens do Velho Testamento que dão conta de um rei longevo chamado Hiram, que governou Tiro, na antiga Fenícia (hoje no Líbano) por 34 anos. Seu governo (969-935 a.c) coincidiu parte com Davi e parte com Salomão, reis de Israel, o grande Império da época.

No início do reinado, o rei Hiram, juntamente com seus técnicos, fez um estudo minucioso das potencialidades do pequeno reino.

Jornalista afirma que Hitler morou e morreu na Argentina

O livro “El Exilio de Hitler” (Ediciones Absalón, 493 páginas), do jornalista argentino Abel Basti, de 54 anos, sustenta que o líder nazista e sua mulher, Eva Braun, não se mataram. “Fugiram” para Barcelona, onde passaram alguns dias, e depois foram para a Argentina, onde morreu, nos anos 60. Dezenas de livros mais equilibrados sustentam que a polícia secreta comunista levou os restos mortais (queimados) de Hitler e Eva Braun para a União Soviética.

A última entrevista de Clarice Lispector

Uma rara entrevista de Clarice Lispector, concedida em 1977, ao repórter Júlio Lerner, da TV Cultura. Depois de gravada, Clarice pediu que a entrevista só fosse divulgada após sua morte. Foi ao ar dez meses depois. Clarice morreu em dezembro de 1977, aos 57 anos

De minha sala até o saguão dos estúdios tenho que percorrer cerca de 150 metros. Estou tão aturdido com a possibilidade de entrevistá-la que mal consigo me organizar naquela curta caminhada. Talvez falar sobre “A Paixão Segundo G.H”… Ou quem sabe sobre “A Maçã no Escuro” e “Perto do Coração Selvagem”… Vou recordando o que Clarice escreveu. Será que li tudo? Em apenas cinco minutos consegui um estúdio para entrevistá-la.

Às vezes tudo o que se precisa é de um emoticon

Parece absurdamente desumana a afirmação. Certo. Um banho de solvente eficaz no desmanche da espécie humana. Mais acertado ainda. A adesão total à cultura do amazing, dos likes virtuais. Eventualmente, por que não? Em algumas ocasiões o cafuné na rede vale tanto quanto entregar o corpo ao sol manhoso e adocicado de uma rede real, trançada com o carinho artesão de sorridentes nordestinas. Uma rede larga e colorida, afixada em coqueiros bem ao sabor do vento, naquela delícia de praia que é Jericoacoara, no Ceará. Eita malemolência safada.

Se for a uma festa familiar, não me convide

“Hey, Jude, the movement you need is on your shoulders”
(Lennon e McCartney)

A gente às vezes se baseia em certos ditames populares bestas pra ir tocando a vida em frente, vocacionados que somos para a fantasia, para a introspecção de cunho esotérico-religioso, para enganação mental pura e simples, para os artifícios de maquiagem das agruras cotidianas, enfim. Eis a valia de vivermos: fazermos de conta a maior parte do tempo.