Crônicas

Maturidade é parar de buscar a aprovação das pessoas para ser feliz

Maturidade é parar de buscar a aprovação das pessoas para ser feliz

Maturidade é entender que todos estão certos sob suas próprias perspectivas e que não existe uma verdade absoluta. Maturidade é sublinhar, relevar e deixar ir aquilo que não é mais nosso: o amor que acabou, o amigo que se transformou, o emprego, o apartamento, o carro. É deixar para trás o que não nos cabe mais: as roupas apertadas, os sapatos que tomaram a forma dos nossos pés, os livros que tanto nos ensinaram e que podem ensinar outras pessoas.

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Mantenha distância de pessoas que te deixam triste

Mantenha distância de pessoas que te deixam triste

Ando antissocial, eu reconheço. Não curto hipocrisia. Eu sou aquele desagradável que se sente solitário no meio da multidão, um homem com vontade de olhar pro futuro e virar estátua de sal. Contradições. Não me convide para passeios ao sol, passeatas contra o governo, procissões em prol da igreja, convenções da empresa e arrastões sobre os turistas. Minha praia é outra.

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A incrível história de como fui parar na icônica capa do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles

A incrível história de como fui parar na icônica capa do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles

Apesar de forte tendência suicida, não gosto do ideal desses homens-bombas. Aliás, sou ateu, velho, não sonho com mulheres virgens faz tempo e estou me lixando em entrar no paraíso. Tornei-me um cadeirante, um homem fisicamente inválido e, mais do que tudo, espero pela morte e odeio as cuidadoras contratadas pelos meus herdeiros para limparem o meu rabo, socarem comida moída na minha boca e empurrarem a maldita cadeira-de-rodas até um parque ensolarado. Maldito sol! Pombos, seus miseráveis, vão cagar no inferno!

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Se você é feito de música, este texto é pra você

Se você é feito de música, este texto é pra você

Já somos castigados com o peso das tragédias, o barulho das buzinas, os ruídos dos conflitos. Ao menos com a música não tenhamos amarras — porque ela salva. Tem hora que a gente desanima. Há momentos que são como um bandolim desafinado e aí é um chorinho atrás do outro. É pau, é pedra, é o fim do caminho. Há uma nuvem de lágrimas sobre os olhos, você está na lanterna dos afogados, coração despedaçado, sociedade em frangalhos e vem o pensamento: inútil, a gente somos inútil.

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Eu devoro a solidão sem sujar as minhas mãos

Eu devoro a solidão sem sujar as minhas mãos

Pode parecer um paradoxo, um conflito interior da maior magnitude, mas, eu não confio em gente que guarda rancor nos cofres da memória. Não minta pra mim, que meu peito não é de aço. Ele não possui chave nem segredo. Também sofro de injustiças, iniquidade e medo. Será que um dia eu cresço? Na minha idade, já devia demonstrar mais equilíbrio. Eu sou aquele carinha desequilibrado, com os dedos a rasgar a própria boca; um homem ignorante, de talento mediano, que escreve para estancar a sede de justiça que lhe seca os sorrisos.

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