Crônicas

Não aceite ser metade num mundo onde se pode ser inteiro

Não aceite ser metade num mundo onde se pode ser inteiro

Há dias em que dá vontade de comer o mundo com uma colher. Bebê-lo fumegante, queimando o esôfago, até que finalmente proteja o estômago da fome de tudo. Essa sensação não costuma pedir licença: às vezes surge ali, em meio à rotina manhosa, em que tudo repousa no devido lugar, e cresce enquanto o sangue bombeia inconsequente nos ouvidos.

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A receita para ser feliz é não pensar muito

A receita para ser feliz é não pensar muito

No início, era a escuridão. Agora, nem sei. Alguém, por favor, acende uma luz. Nunca passei fome. Nunca passei frio. Nunca me passou pela cabeça ser feliz sozinho. O ódio é mais comum do que se imagina. Certa vez, de uma nave estelar, um astronauta afirmou que a Terra era blue, ou seja, triste. Invejo os homens bem humorados. Queria que as pessoas parassem, olhassem e rissem da minha cara engraçada. Acontece que eu não faço rir. Eu faço é pensar; e isso, às vezes, é uma coisa bastante embaraçosa.

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Mesmo triste, o Rio de Janeiro continua lindo

Mesmo triste, o Rio de Janeiro continua lindo

O Rio de Janeiro vai continuar lindo. Vai continuar lindo para sempre. Não importa se tudo parece incerto, se as balas estão perdidas, se o ar aqui em cima é mais rarefeito, se a culpa pelo caos urbano é do traficante, do funk ou do prefeito, se o cenário político-econômico é insano ou, se olhando do alto do Pão de Açúcar, o nosso modo de vida parece um ledo engano. O Rio de Janeiro vai continuar lindo, mesmo que você me odeie, mesmo você me amando. A visão extasiante da baía existindo lá embaixo, o azul do céu eloquente, a brisa fresca que o olfato pressente, o chope gelado que amortiza as dúvidas na mente, tudo faz com que eu me sinta mais divino que o habitual.

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Não espere seu pai ir embora para dizer que o ama

Não espere seu pai ir embora para dizer que o ama

Quando se tem o pai sempre por perto, ou mesmo se ele mora longe, mas se mantém presente, é comum se acomodar na segurança da sua presença. Mas repare que o pique dele já não é mais o mesmo de quando tinha tanta energia para trabalhar por várias horas seguidas, ou quando subia no telhado para consertar a antena da televisão. Hoje ele toma remédios, sente dores e tem o caminhar mais lento por causa da artrose; suas mãos já não são tão ágeis, e os fios de cabelos brancos, assim como a pele enrugada ao redor dos olhos, revelam que heróis também envelhecem.

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Depressão não é frescura

Depressão não é frescura

Seres humanos são mamíferos singulares. Você pensa que é forte, mas, você é fraco. Na semana passada, encontrei um amigo num corredor hospitalar. Adoro cheiro de éter. Demorou um pouco até que eu o reconhecesse, pois estava com a lataria avariada, tipo assim, meia-boca, em mau estado de conservação, a aparência de quem rodou muito em estrada de terra, se é que me entendem. Acho que não o via há séculos, desde a formatura.

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Pilar del Río, viúva, porém alegre

Pilar del Río, viúva, porém alegre

A Flip 2017 chega ao fim. Foram dezenas de mesas redondas e debates literários. Centenas de quilos de moita consumidas. Milhares de litros de cerveja entornados. Milhões de fotos e selfs com celebridades postadas. Incalculáveis tropeções no calçamento de pedregulhos. Alguns livros lidos. Uma linda festa, sem dúvida. Recapitulando esses dias, concluo que a noite de sexta-feira foi a mais memorável.

Livros para causar na Flip

Livros para causar na Flip

O ex-presidente Fernando Collor de Mello nos ensinou a importância de andar com um livro debaixo do braço para causar boa impressão. Essa verdade universal é ainda mais verdadeira na Flip. Por isso, em um trabalho de utilidade pública, a Revista Bula apresenta algumas opções de livros para causar nas badaladas ruas de pedra de Paraty.