Crônicas

Ninguém te ama quando você está arruinado

Ninguém te ama quando você está arruinado

Encontrei o Léo Rosca-de-Trança chorando calado. Fazia dó. Estava sentado sozinho numa das mesas do seu estabelecimento comercial, o cigarro apagado entre os dedos, o queixo escorada num dos punhos, como se a cabeça pesasse uma tonelada. Tratores roncavam na rua. A padaria estava entregue às moscas.

Feio, sujo e malvado

Feio, sujo e malvado

Não respondo perguntas difíceis a essa hora do dia. Vocês só sabem criticar o desgoverno. Um dia ainda acabam calados. Não pouparemos esforços para colocar os cadáveres nos trilhos, combater a liberdade de expressão e os baixos índices de patriotismo no sangue. Eu vi a cara da morte e ela chorava de medo. Eu renasci das tripas com a missão de cagar com tudo e moralizar a República dos Imolados.

Como funcionam os neurônios de um apaixonado

Como funcionam os neurônios de um apaixonado

Gosto de beijar o canto do seu nariz, na junção com as bochechas. Você ri. Sabe que esse é nosso código de nada. É só um jeito que inventamos de passar o tempo diferentemente dos outros casais. Você franze o nariz, a gente brinda com um vinho quase bom, enquanto zomba do novo estagiário do seu trabalho e de como ele acha que a vida é séria.