Crônicas

Guimarães Rosa tinha razão: viver é um rasgar-se e remendar-se

Guimarães Rosa tinha razão: viver é um rasgar-se e remendar-se

Cinco da manhã. Eu trabalhava havia quase 24 horas no plantão do Pronto-Socorro Municipal. Passagens de ano sempre foram agitadas, com rojões que queimam mãos, festeiros que bebem demais e doenças imprevisíveis. Tudo que eu queria era ir embora e dormir no primeiro dia do ano para acordar bem tarde. Queria esquecer os vômitos, suturas e ataduras das últimas e intermináveis horas.

Confesse: ser mãe, às vezes, é muito chato!

Confesse: ser mãe, às vezes, é muito chato!

Sou mãe. Encontro respostas sem saber de onde tiro. Luto com todas as garras para que minha filha vença suas primeiras batalhas. Não há cansaço maior que a necessidade do meu bebê. É impressionante como um ser, ainda miúdo, desperta uma gama de habilidades inéditas em nós. Um lado bicho que acorda durante a geração da cria. E, de tão potente, pode provocar também o (re) nascimento da mãe.

Odeio meu pai

Odeio meu pai

O amor morreu dentro de mim da pior maneira possível: devagarinho, aos poucos, até que um dia: finitum est. Vidas que se apartaram por uma vírgula. Melhor: pela falta dela. Eu preferiria, mil vezes, ter dito ou escrito “Odeio, meu pai”. Nada mais formal para qualquer ser humano. Afinal de contas, em maior ou menor conta, todos desse mundo odeiam alguém ou alguma coisa.

A vida é um filme em preto e branco: cabe a nós dar cor às nossas cenas

A vida é um filme em preto e branco: cabe a nós dar cor às nossas cenas

A vida é um filme em preto e branco: cabe a nós dar cor às nossas cenas. Apesar de nossas mortes diárias, permanecemos pulsando. Somos seres únicos. Cada um de nós tem a sua importância, onde quer que esteja. Porém damos um preço alto para a nossa felicidade. Queremos tudo aqui e agora. Não temos paciência para esperar ou sensibilidade para aceitar; e deixamos de viver um dia de cada vez.

Viver em cima do muro é prejudicial à saúde

Viver em cima do muro é prejudicial à saúde

Nota-se certo padrão do viver em cima do muro. Como uma receitinha básica. Vejam só: Misture meias palavras em um discurso politicamente correto. Inclua, com ar de respeito, a posição contrária. Cozinhe em banho-maria. Deixe descansar, para sempre, se puder. Se necessário, volte ao fogo brando. Não mexa mais. Sirva morno. Viu? Simples de fazer. Difícil é digerir.

O voto é secreto, mas, a intolerância é explícita

O voto é secreto, mas, a intolerância é explícita

As próximas eleições vão ser um porre. Você acredita que o velho Mojo condecorou o fantasma do Almirante Ultra em pleno plenário do Senado? O cara torturava estudantes com penas de ganso. Não brinca com coisa séria, Meg. Ele era o demônio de farda. Não consigo me concentrar com você falando feito uma tagarela. Tá difícil, viu? Vira, por favor. Deixa eu ver se por trás dá certo.