Crônicas

A minha vida aqui é uma desgraça

A minha vida aqui é uma desgraça

A minha vida é uma desgraça. É problema o tempo todo. Não tenho paz para absolutamente nada. Um cano que vaza. Um disjuntor que fecha curto. A chuva que molha. O sol que esquenta. Os raios que caem duas vezes no mesmo lugar. Os furibundos da bancada da bala. Os moribundos que morrem de gripe.

Poucas e boas para você não votar em mim

Poucas e boas para você não votar em mim

Farei conchavos com a chuva. Se ela cair, eu me levanto e danço. Nunca mais vou tratar a chuva como ranço de tempo ruim. Ruim é não chover. Ruim é não dançar. Bom mesmo é prevaricar com a lua. Finjo de morto, enquanto ela rouba a atenção do povo. Por menos gabinetes do ódio, prometo um aumento substancial do PIB (Poesia Interna Bruta) no coração das pessoas.

Contratam-se faxineiras para os gabinetes do ódio

Contratam-se faxineiras para os gabinetes do ódio

A rua estava coalhada de terraplanistas convictos, de cidadãos-do-bem que se negavam a vacinar contra o ódio, que vaticinavam a ascensão da escumalha ao poder. Nunca vi tamanha alegria estampada nas nádegas. Contentava-me com uma melancolia interior, infrutífera, ineficiente, saudosista de liberdade, que me impingia ladeira abaixo.

Algumas pessoas nunca saem da fase anal freudiana

Algumas pessoas nunca saem da fase anal freudiana

Histórias de pronto-socorro dariam ótimos livros de ficção. Ou não. É cada coisa que acontece. É cada caso que se conta. Num primeiro momento, no âmago da dor e do medo, alguns acontecimentos clínicos são dramáticos, gerando sofrimento aos pacientes e considerável pressão psicológica aos médicos e paramédicos assistentes.

Não confio em médicos que nunca examinam

Não confio em médicos que nunca examinam

O tempo passou. Há roupa no varal e doses homeopáticas de devaneio nesse texto em tributo à medicina humanizada. Espero ser bem compreendido. Adveio tecnologia avançada com o uso trivial de caríssimas máquinas-de-tirar-dúvidas nas quais se entra numa extremidade, enquanto o laudo sai noutra. Ganha-se de um lado, perde-se de outro. Eis a vida.

É preciso mais sorriso no rosto

É preciso mais sorriso no rosto

Desde que eu soube da morte de Eddie Van Halen não fiz outra coisa senão lamentar, ler a seu respeito, ouvir o repertório da banda Van Halen e assistir aos vídeos nos quais ele aparecia debulhando a guitarra como se fosse o instrumento mais fácil de se tocar na face da Terra. A morte de artistas que eu admiro costuma me incomodar além do razoável. É como se fossem amigos próximos. Difícil de explicar.

Dance comigo até o fim do amor

Dance comigo até o fim do amor

O tumor na laringe de Anthem tinha deixado o timbre da sua voz parecidíssimo com o de Leonard Cohen. Então, começou a fazer apresentações cover do cantor canadense, cantando canções de amor e ódio que tratavam de problemas populares, num pub mal frequentado do setor portuário.