Crônicas

Prometa à sua mãe que você vai se tornar um ser humano melhor

Prometa à sua mãe que você vai se tornar um ser humano melhor

Ela odiava as filas de domingo. Então, preferiu jantar comigo no sábado. O lugar eu escolhia. Optei por uma churrascaria com boa acessibilidade para uma velhota em precárias condições para deambular. Havia um atrativo extra. Naquela noite, alguém faria ali um show em tributo a Chico Buarque, que era um artista que eu admirava desde que eu tinha cabelos.

Não há ferida que não se cure com colo e amor de mãe

Não há ferida que não se cure com colo e amor de mãe

Talvez um dia a gente entenda a imensidão do amor de mãe. Talvez um dia, nós que ainda não experimentamos dar a vida a alguém, saibamos de onde vem tanta força e coragem, tanto empenho e afeto. Quem sabe no futuro, ao olhar nossos filhos, tenhamos compreensão do que movia nossas mães na missão de nos criar, nos erguer, nos formar, ainda que sob o custo de seus próprios sonhos.

O dia em que Deus saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou

O dia em que Deus saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou

Fazia muito tempo, era cada um por si e Deus a fumar. A humanidade tinha atingido o grau máximo de perversidade. Tanto assim que a próxima atração da rinha de cães seria o duelo, até a morte, de crianças entre sete e doze anos. Imperava a pior espécie de resiliência possível ao ser humano. Tudo isso porque ninguém mais se indignava com atrocidade nenhuma.

O abdome está definido, mas, a cabeça está cheia de dúvidas

O abdome está definido, mas, a cabeça está cheia de dúvidas

Já faz tempo que odeio espelhos. Também não gosto de frequentar academias, sejam elas de ginástica, de polícia ou de letras. Afetam-me sobremaneira os cheiros de éter, de pólvora e de colônia, não necessariamente nesta ordem. E a ojeriza só cresce com a idade. Puxar ferros vestido com uma camiseta regata, postado de frente um espelho, nessa altura da vida, desafia os meus pecados capitais.

Queimando por dentro como a Catedral de Notre-Dame

Queimando por dentro como a Catedral de Notre-Dame

Desde que a família sumiu do mapa de uma forma tão estúpida e impensável, Sue Mae decidiu lidar com a dor e o sofrimento alheios para driblar a própria miséria. A filantropia fazia bem à sua pele. Morreu por volta dos setenta. Era uma de minhas leitoras mais assíduas e cuidadosas, uma pessoa que verdadeiramente se interessou pelo que eu tinha a dizer nos meus textos, a ponto de ter a delicadeza de opinar a respeito do conteúdo, quase sempre discordando de tudo.