Autor: Eberth Vêncio

Não confio em médicos que nunca examinam

Não confio em médicos que nunca examinam

O tempo passou. Há roupa no varal e doses homeopáticas de devaneio nesse texto em tributo à medicina humanizada. Espero ser bem compreendido. Adveio tecnologia avançada com o uso trivial de caríssimas máquinas-de-tirar-dúvidas nas quais se entra numa extremidade, enquanto o laudo sai noutra. Ganha-se de um lado, perde-se de outro. Eis a vida.

Na noite de natal, matei um cara

Na noite de natal, matei um cara

Na noite de natal, matei um cara. Revirava lixo. Também chafurdo caçambas. Fugi a pé com o antigo suéter de um bacana respingado de almôndegas e sangue. Alguém sempre encontra cabelo no molho à bolonhesa e compartilha a foto do prato, injuriado, nas redes sociais, acusando a indústria alimentícia de triturar ratos junto com os tomates.

Gente chata dá câncer

Gente chata dá câncer

Em Deus confiamos, senhor. Está grafado no livro sagrado e na moeda corrente. Não nos cabe lucubrar. Uma das missões mais nobres da polícia, além de tripudiar contra o cidadão de bem, é checar com critério as fofocas e garantir a ordem local. Tem gente que não suporta a felicidade alheia, sabe como é.

Nem todo João é de Deus

Nem todo João é de Deus

Ninguém é santo. Ninguém foi forjado a partir do barro. A carne é frágil e, quando menos se espera, surpreende, fere. Faz séculos que somos matilhas de feras domesticadas vivendo loucuras controladas. Não vou fazer troça com o desalento e a crença de quem quer que seja, contudo, reitero: não endeusem mais ninguém. Nem o Moro. Nem o Lula.

Matando cachorro a grito e a cacete de ferro

Matando cachorro a grito e a cacete de ferro

Não sou muito afeito a falar a verdade, mas, o fato é que a poesia não me afeta. Eu amo a mulher, criatura abjeta. Eu bato em mulher com os punhos cerrados, porrada na dose certa. Eu mato mulher quando erro a mão num mero acidente de percurso que sequer me desconcerta. Eu com certeza meto a colher em briga de casal até engrossar o caldo.

Ela canta, dança e se automutila

Ela canta, dança e se automutila

Louca varrida. Criança oferecida. Escória. Inúmeras vezes, Camila já se adjetivou, impropriamente, sentindo-se culpada, suja, pensando em se matar. As câmaras frias dos necrotérios estão lotadas de gente que tinha o sangue quente. Ela ama a vida. Ela odeia a própria vida. São poucos os que compreendem tais sentimentos antagônicos. Muitos sequer conhecem o significado do vernáculo.