Autor: Eberth Vêncio

Bohemian Rhapsody: Freddie Mercury merecia mais

Bohemian Rhapsody: Freddie Mercury merecia mais

Eu ansiava por uma cinebiografia arrebatadora e retumbante, como são os excelentes “Ray” (do diretor Taylor Hackford, que retrata a vida do incensado Ray Charles) e “The Doors” (do diretor Oliver Stone, que conta a trajetória do genial Jim Morrison e seus comparsas musicais). Receio que eu tenha ido com demasiada sede ao pote. Sinto que faltou profundidade ao filme, como deve estar faltando também a esta minha crônica.

Para morrer dormindo, desde que não se interrompa o sonho

Para morrer dormindo, desde que não se interrompa o sonho

Era articulista do jornal Notícias Impopulares. Escrevia uma coluna diária com receitas de bem viver. Ele frequentava o restaurante da minha família, esporadicamente. Certo dia, eu o reconheci, me aproximei e me apresentei. Ele disse que sabia, sim, com certeza, dos meus dois livros. Duvido muito. Deve ter dito aquilo para me agradar.

Amigo não é coisa pra se guardar numa lata de lixo

Amigo não é coisa pra se guardar numa lata de lixo

Vivemos as agruras da intransigência. Amigos desconhecem amigos. É quando o sujeito se coisifica, numa metamorfose torpe, para desfavores da reciprocidade. Os órgãos do sentido perdem o rumo. De repente, já não são mais do ramo. É como se já não sentissem. Acontece assim a metamorfose: a primeira estação que seca são os olhos. Cega-se seletivamente.

Precisa pouco amor pra gente viver bem

Precisa pouco amor pra gente viver bem

Contou-me que tomava antidepressivo, uísque e cuidado. Sofria de gastrite, artrite, fibromialgia e saudades-de-nada. Cursava Letras. Namorava firme com um colega de sala. Não era da minha conta, mas, fazia sexo com ele, sim. Não sentia muito prazer naquilo, mas, transava com ele. Fazia psicoterapia. Fazia ioga. Fazia tempo que não cria em Deus.

Cuidado. Pode ser amor

Cuidado. Pode ser amor

Quem já beijou a lona nunca esquece o gosto amargo dos lábios da queda. Quem já patinou na lama sempre se assombra ao lembrar como era tolo ser criança aos olhos de um adulto. Pois digo e reafirmo que vivi os meus melhores momentos na chuva. Foram tempos em que eu brincava de viver sem me importar com o barro, com os resfriados ou com a minha mãe gesticulando, esbravejando conchavos irresistíveis da janela verde de casa, como se fosse possível que eu saísse já daquela chuva e deixasse de ser menino para sempre.