Crônicas

Precisa pouco amor pra gente viver bem

Precisa pouco amor pra gente viver bem

Contou-me que tomava antidepressivo, uísque e cuidado. Sofria de gastrite, artrite, fibromialgia e saudades-de-nada. Cursava Letras. Namorava firme com um colega de sala. Não era da minha conta, mas, fazia sexo com ele, sim. Não sentia muito prazer naquilo, mas, transava com ele. Fazia psicoterapia. Fazia ioga. Fazia tempo que não cria em Deus.

A opinião é uma ideia aposentada

A opinião é uma ideia aposentada

A frase-título desta crônica é de Millôr Fernandes, a quem concedi o título de “Único Filósofo Vivo do Brasil”. O fato dele ter morrido não quer dizer nada nesses tempos de fake-news e nem invalida a honraria, que seria recusada de imediato pois Millôr desprezava olimpicamente as medalhas e salamaleques, principalmente se viesse dos poderosos da vez.

O que construímos por dentro é maior do que o mundo que edificamos por fora

O que construímos por dentro é maior do que o mundo que edificamos por fora

Escancarou a escolha sem medo de ser julgado, revelando que em Nova York ou em mares distantes, todos passam por dilemas. Ele encontrou o meio termo que lhe pareceu mais próximo da felicidade. Discorremos sobre angústias e alegrias, anseios e realizações, medo da liberdade e também da falta dela. Ficou claro como as inquietações são humanas e não categorizadas por território ou saldo bancário. No fim, estamos todos procurando mais ou menos as mesmas coisas.

A felicidade é uma meia cinza

A felicidade é uma meia cinza

Era segunda-feira. O dia amanheceu cinza. Eu estava um trapo. Mais parecia um pano de chão sujo, rasgado, pisoteado, cuspido por um dragão medieval com bafo ancestral. A alma encardida, mais densa que nuvem cúmulo-nimbo, mais empoeirada que chão do agreste. Era assim que eu me sentia. Mais um dia, mais uma semana, mais ônibus cheios, mais engarrafamento, mais chefe, mais boletos. Era só mais uma segunda-feira como todas as outras, só que fria e cinza.