Crônicas

Sei que sentirei saudade, mas preciso dizer adeus

Sei que sentirei saudade, mas preciso dizer adeus

Sabemos que a tecnologia tornou possível amenizar a ausência. Vemos as crianças crescerem através dos vídeos e fotografias e aproximamos as distâncias com áudios e mensagens de texto. Porém, não existe nada tecnológico que substitua as brincadeiras na piscina, o bolo de chocolate feito a quatro mãos, o tilintar das taças que brindam juntas e o carinho delicado sentido na pele.

Procura-se felicidade perdida. Recompensa-se bem a quem encontrá-la

Procura-se felicidade perdida. Recompensa-se bem a quem encontrá-la

O meu dia pela cidade já começa meio perdido. Zoeira, fumaça, barulho de motor, desempregados jogando baralho, as pessoas se odiando, tudo assim, numa péssima vibração. A cidade parece a desgraceira de sempre. Estranhos ao volante amaldiçoam-se como se já fossem da família. “Esse foi Deus que me deu”, diz o adesivo colado no para-brisas de um carro que avança o sinal vermelho. Nada posso naquele que me enfraquece. Há tíbias fraturadas no asfalto.

A dor e a delícia de ser mulher

A dor e a delícia de ser mulher

Ser mulher é ouvir com abraço, sorrir com olhos, chorar com espírito e sonhar com ação. É franzir o cenho pra enxergar o que o outro tem de melhor, e a ele estender a mão (ainda que nem sempre a mereça). É ser inacreditavelmente leve, mas carregar um piano de culpa nas costas, movendo montanhas para tornar mais fácil o fardo do irmão.

Contra todas as probabilidades, você não está voltando pra mim

Contra todas as probabilidades, você não está voltando pra mim

Me desculpe por ligar tão tarde assim. É que eu bebi um pouco e, sempre que eu fico bêbado, a minha saudade aumenta; a insensatez, idem. Sei que eu não deveria, mas, eu só liguei pra dizer o quanto eu me culpo pelo fato do seu amor por mim ter feito as malas e partido, por mais que eu metesse nas janelas os cadeados dos gestos, as taramelas das palavras.

A vida de cão do meu gato

A vida de cão do meu gato

Otto Lara Resende tem uma crônica de 1992 chamada “Zano”. É sobre um gato que fugiu de sua casa. Reli-a recentemente numa coletânea e resolvi contar a minha história sobre felinos. Muitos autores interessam-se por esses animais gloriosos e misteriosos. Só que eu, é curioso, até então só havia escrito sobre cães e peixes beta. De fato, felídeo, em casa, só houve um.

Não há mais vagas no céu para crianças que viram estrelinhas

Não há mais vagas no céu para crianças que viram estrelinhas

Caminhamos, sob anseios seculares, singulares, sem saber aonde é que isso tudo vai dar, se no oco vazio do peito ou na dança frenética das jugulares. Que os bons ares me traguem. Preciso, urgentemente, ser fumado. Dúvidas… Que me valham as dúvidas. Por elas, tragado até a guimba, eu sobrevivo, mais aceso do que nunca. Eu digo e repito: Nada disso é real.