Crônicas

Para enlouquecer com saúde

Para enlouquecer com saúde

Vaiar o morto. Contar piadas às carpideiras. Ser convidado, com energia, a se retirar do recinto. Sair de cabeça em pé, levando uma flor entre os dentes. Dizer toda a verdade que lhe vier à telha. Morder a imprópria língua. Envenenar as palavras com doses letais de franqueza. Ser um desanimador de festas infantis. Riscar-se de uma lista de convidados.

Apenas o reflexo opaco do que fomos ou do que somos

Apenas o reflexo opaco do que fomos ou do que somos

A cama não era apenas leito, era para nós antes um caleidoscópio voltado para o espaço, em que você se perdia entre estrelas vivas e mortas, constelações, galáxias, todo o silêncio e tempo necessários para encontrar o que procurava sem saber ao menos por onde começar a busca.

Mãe, não se esqueça de mim, pois, eu nunca vou lhe esquecer

Mãe, não se esqueça de mim, pois, eu nunca vou lhe esquecer

É o segundo domingo de maio. A maior parte das famílias reúne-se nesse dia, põe comida na mesa e comemora o Dia das Mães. Rosas nas mãos. Faca entre os dentes. Fazer o quê? Tem dessas coisas. Família, você sabe, é um mal necessário, e elas são todas iguais. Eu gostaria de aproveitar o ensejo pra lhe fazer algumas recomendações que julgo importantíssimas pra sua saúde e pra minha paz de espírito, se é que eu ainda possua algum.

O amor é frágil. Segure com cuidado

O amor é frágil. Segure com cuidado

O amor quase sempre morre por acidente, bala ou de inanição. São coisas que acontecem. A imaturidade fez de mim uma boboca que por muito pouco não se especializava em auto-piedade. Nota agora a verve, com que diligência a minha mão cicatrizada de ti rabisca o chão. Não há uma só nuvem no céu azul.