Crônicas

Feio, sujo e malvado

Feio, sujo e malvado

Não respondo perguntas difíceis a essa hora do dia. Vocês só sabem criticar o desgoverno. Um dia ainda acabam calados. Não pouparemos esforços para colocar os cadáveres nos trilhos, combater a liberdade de expressão e os baixos índices de patriotismo no sangue. Eu vi a cara da morte e ela chorava de medo. Eu renasci das tripas com a missão de cagar com tudo e moralizar a República dos Imolados.

Como funcionam os neurônios de um apaixonado

Como funcionam os neurônios de um apaixonado

Gosto de beijar o canto do seu nariz, na junção com as bochechas. Você ri. Sabe que esse é nosso código de nada. É só um jeito que inventamos de passar o tempo diferentemente dos outros casais. Você franze o nariz, a gente brinda com um vinho quase bom, enquanto zomba do novo estagiário do seu trabalho e de como ele acha que a vida é séria.

Será mesmo possível que se morra de tristeza?

Será mesmo possível que se morra de tristeza?

A vida nada mais é do que a morte que vai ficando, que vai ficando, que vai ficando. Num asilo, perguntaram a um homem velho, um homem muito velho mesmo, se ele precisava de algo. Respondeu assim: “Vida. Eu preciso de um pouco mais de vida”. Todos os outros idosos que estavam presentes ao banho de sol riram do chiste.