Crônicas

Os fascistas morrem pela boca

Os fascistas morrem pela boca

Nunca as causas ideológicas foram tão mal interpretadas e mal defendidas quanto nas redes sociais da internet. Deselegância. Agressividade. Impaciência. Falta de empatia. Propagação de notícias falsas. Pode ser que coisas assim expliquem, em certo grau, os meus ímpetos desgraçados, antissociais, de preferir o isolamento, de evitar agrupamentos de pessoas, em especial, aquelas que desenvolveram talento para serem desagradáveis.

WhatsApp clonado

WhatsApp clonado

Nunca achei que teria meu WhatsApp clonado. Eu, no auge da minha arrogância e prepotência (friso: prepotência, e não “potência”) — mestre em Computação, pós-doutor pela Universidade de Harvard, escritor e professor de Inteligência Artificial, e outros blá blá blás — achei que passaria ileso por mais um golpe.

2019: viver foi uma roda gigante

2019: viver foi uma roda gigante

2019 foi trator. Mas também foi bálsamo. Houve ossos estraçalhados pelo caminhão de loucuras que nos amassou sem dó. E houve estrutura recomposta pela imensidão de força que descobrimos possuir. Teve dor no peito, dor da perda, vontade de gritar. E teve mão estendida, pé descalço na areia reencontrando o prumo, desejo de ficar.

O espírito não carrega excesso de bagagem. Tudo o que não servir mais, jogue fora

O espírito não carrega excesso de bagagem. Tudo o que não servir mais, jogue fora

Não sei você, mas tem hora que me sinto meio intoxicada. Abro as gavetas e só vejo bagunça, reparo um trincado feioso no vidro do celular, futrico as maquiagens e descubro que várias já passaram da data de validade. Esbaforida, percebo que o relatório prometido para a sexta passada está atrasado — de novo! — e que a visita ao centro de caridade que me comprometi a fazer acabou ficando para o mês que vem.

No último dia do ano haveremos de rever orgulhos e viabilizar reconciliações

No último dia do ano haveremos de rever orgulhos e viabilizar reconciliações

No último dia do ano haveremos de pincelar com um pouco de graça essa jornada que nos leva do chão ao topo num piscar de olhos, que nos faz em um dia abraçar o travesseiro aos prantos e no outro ter vontade de gritar aos céus como a vida vale a pena. Seremos o acumulado dos anos anteriores dando passagem para ares inéditos. Alicerçados nos perrengues que nos deram casca e nos prazeres que nos deram ânimo, uniremos o ontem e o amanhã em um só minuto.

MMA ou rinha de cães: o que será mais degradante ao ser humano? Stop abusing boy violence , Human Rights Day concept.

MMA ou rinha de cães: o que será mais degradante ao ser humano?

Vivemos tempos estranhos nos quais prevalecem a instantaneidade da comunicação e a plena liberdade de expressão, sob a égide de um alvará virtual que libera os indivíduos para o mau gosto, o apego à frivolidade, a sordidez e a insensibilidade. Não tive interesse de assistir aos vários vídeos que me foram enviados por “amigos”, mostrando o baculejo policial contra os contraventores.

Aquele tipo de homem que cuida melhor de um carro do que de uma mulher Portrait of nice attractive depressed devastated gloomy grumpy aggressive, married spouses having argument disagreement pretense failure crisis period isolated on bright vivid shine yellow background

Aquele tipo de homem que cuida melhor de um carro do que de uma mulher

Quisera morar numa cidade onde pudesse ir a pé para o trabalho; onde pudesse pegar o metrô sem ser encoxado por um boi-sem-coração. Quisera viver num lugar como Amsterdã, onde há mais bicicletas do que ralados nos joelhos. Quisera pedalar uma magrela ao encontro de uma mulher empolgada, rechonchuda, mais cheia de curvas do que a rodovia Belém-Brasília.

Compram-se almas. Favor, tratar com o capeta

Compram-se almas. Favor, tratar com o capeta

Compro almas. Mais pra frente a gente acerta. Pago regiamente com amor passageiro e sucesso estelar. Garanto poder, fortuna, bajulação e reconhecimento público, ainda que o teor qualitativo do interessado seja irreconhecível aos olhos mais apurados. Pouco importa. Quanto pior, melhor. O que conta mesmo, além do dinheiro, essa máquina de fazer felicidade, são a glória e a fama.