Autor: Larissa Bittar

Todas as vidas importam. Mas não dá para colocar na mesma balança o que está desnivelado há cinco séculos

Todas as vidas importam. Mas não dá para colocar na mesma balança o que está desnivelado há cinco séculos

Vidas negras importam e não merecem o contra-argumento imbecil de que “todas as vidas importam”, que tenta, em retórica desonesta, colocar no mesmo patamar o que há séculos está desnivelado. Vidas negras importam e tentam ser ouvidas, enquanto “vidas brancas” se esmeram em dividir protagonismo com uma causa que não lhes pertence e insistem em colocar o racismo na clandestinidade.

Aos pais que se foram

Aos pais que se foram

Sempre haverá sensação de escassez quando há amor. Porque amor é sinônimo de abundância na presença, mas de incompletude na saudade. E é esse amor que faz as milhares de risadas parecem poucas, as centenas de jantares parecem insuficientes, as dezenas de domingos em agosto parecem apenas um pequeno trailer de um filme que merecia as horas de todos os longas já produzidos desde a invenção do cinema.

Quando sua mãe é sua amiga você se sente forte para enfrentar todo o peso do mundo

Quando sua mãe é sua amiga você se sente forte para enfrentar todo o peso do mundo

Bronca, cara brava, sermão, castigo. Vez ou outra uns tapas daqueles que mais estalam que machucam, mas que cumpriam a função de desencorajar travessuras nos tempos em que palmada fazia parte do script até de famílias politicamente corretas. O rosto de minha mãe nunca escondeu a rigidez com que ela regia a casa. Jamais houve dúvidas sobre quem ditava as regras e, durante anos de imaturidade e percepção distorcida sobre as relações, eu via a autoridade dela como afronta à minha individualidade.

2019: viver foi uma roda gigante

2019: viver foi uma roda gigante

2019 foi trator. Mas também foi bálsamo. Houve ossos estraçalhados pelo caminhão de loucuras que nos amassou sem dó. E houve estrutura recomposta pela imensidão de força que descobrimos possuir. Teve dor no peito, dor da perda, vontade de gritar. E teve mão estendida, pé descalço na areia reencontrando o prumo, desejo de ficar.

No último dia do ano haveremos de rever orgulhos e viabilizar reconciliações

No último dia do ano haveremos de rever orgulhos e viabilizar reconciliações

No último dia do ano haveremos de pincelar com um pouco de graça essa jornada que nos leva do chão ao topo num piscar de olhos, que nos faz em um dia abraçar o travesseiro aos prantos e no outro ter vontade de gritar aos céus como a vida vale a pena. Seremos o acumulado dos anos anteriores dando passagem para ares inéditos. Alicerçados nos perrengues que nos deram casca e nos prazeres que nos deram ânimo, uniremos o ontem e o amanhã em um só minuto.

Não há ferida que não se cure com colo e amor de mãe

Não há ferida que não se cure com colo e amor de mãe

Talvez um dia a gente entenda a imensidão do amor de mãe. Talvez um dia, nós que ainda não experimentamos dar a vida a alguém, saibamos de onde vem tanta força e coragem, tanto empenho e afeto. Quem sabe no futuro, ao olhar nossos filhos, tenhamos compreensão do que movia nossas mães na missão de nos criar, nos erguer, nos formar, ainda que sob o custo de seus próprios sonhos.

Esteja você onde estiver, o novo ano será melhor

Esteja você onde estiver, o novo ano será melhor

Rendidos aos encantos da renovação, brindamos a virada de página cientes de que a troca de calendário não tem o poder de apagar as dores, resolver as pendências, colar os cacos deixados pelas pelejas que cruzaram nossos passos de janeiro a dezembro. Mas pode nos acariciar com a ideia de que, findado o ciclo, nos preenchemos com a força necessária para prosseguir.

O que construímos por dentro é maior do que o mundo que edificamos por fora

O que construímos por dentro é maior do que o mundo que edificamos por fora

Escancarou a escolha sem medo de ser julgado, revelando que em Nova York ou em mares distantes, todos passam por dilemas. Ele encontrou o meio termo que lhe pareceu mais próximo da felicidade. Discorremos sobre angústias e alegrias, anseios e realizações, medo da liberdade e também da falta dela. Ficou claro como as inquietações são humanas e não categorizadas por território ou saldo bancário. No fim, estamos todos procurando mais ou menos as mesmas coisas.

A vida toda é saudade. Um filme sem direito a replay

A vida toda é saudade. Um filme sem direito a replay

Eu tentei estacionar minutos por tantas vezes. E segui batendo com a cara no muro. A vida insistia em tirar onda com minha pretensão infantil de querer romper com a rota natural das coisas. Sempre que tentava burlar o inevitável fluxo que nos obriga a olhar para frente, a realidade se apresentava como uma avalanche impiedosa, mas necessária. De um lado eu batalhava para eternizar felicidade em porta-retratos estáticos, de outro o mundo era filme sem direito a replay.