O amor quase sempre pode dar certo um dia

Alice me mostrou o que era mesmo o tal país das maravilhas. Amélia é que era mulher de verdade: adorava cartão de crédito, batom e depilação definitiva. Alexandrina preferia os versos livres da poesia concreta. Angélica tinha o diabo no corpo. Angelina, mesmo sem os seios, eu teria me casado com ela. Anunciação anunciou que a menstruação estava bastante atrasada, então eu gelei. Aparecida sumiu de mim num piscar de olhos.

Barbie era brincadeira. Belinda me largou na maior berlinda. Benvinda eu mandei embora de casa. Babete saiu pra me comprar um grapete e nunca mais voltou. Bianca era uma ativista negra incrível. Brígida, por mais que eu procurasse pelo seu ponto G, continuava frígida.

Camila, depois do silicone, deitada sobre a cama, parecia mais uma camela. Carlinda, mesmo com aquele consórcio de cirurgias plásticas, continuava feia de dar dó. Celeste adorava contar estrelas comigo, até que o tempo fechou. Cesária jurou que, se tivéssemos um filho, ele nasceria de parto normal. Cleópatra morria de amores por mim, até conhecer Marco Antônio. Custódia prendia os meus braços com meias-ligas.

Dadinha foi a mais amarradinha de todas: “sexo, só depois do casamento”. Daiane já foi diferente: “apague a luz, e que tudo se dane”. Dalila cortou o meu cabelo e o meu barato. Deusa não acreditava em Deus, muito menos em mim. Dilma tinha ideias revolucionárias; então, me deu um fora pra roubar o cofre do governador de São Paulo. Divina tinha um rebolado infernal. Dominique foi um equívoco de baile carnavalesco chamado Alexandre.

Emmanuelle me levava ao cinema pra ver filmes eróticos. Esmeralda era falsa. Eva me oferecia maçãs em Paraíso do Norte. Evita evitava gravidezes valendo-se de pílulas ou enxaquecas. Flora fazia jus ao próprio nome: perfume de alfazema. Fortunata me fez perder 500 paus no Jóquei Clube. Frida não largava do meu pé; parecia até um kahlo.

Generosa sempre me acudia em noites de tensão. Gioconda tinha aquele irritante sorriso enigmático: nem cheirava, nem fedia. Glória deu na terra como no arranha-céu. Godofreda… Não, não namorei nenhuma mulher chamada Godofreda… Helienay ficou alienada de tanto assistir noticiários da TV e programas dominicais de auditório. Herculiana foi denunciada por maus tratos (eita, mulher da mão pesada!). Hortência, apesar do nome, cheirava sempre a vick-vaporub. Honestina descobriu a minha senha bancária e me deixou um rombo mais que uma Copa das Confederações.

Imaculada assim ficou até o último dia do nosso namoro. A Inês morreu, coitadinha. Isaura me escravizou sexualmente. Iracema me trocou por um fiscal da FUNAI. Irene riu, Irene riu, Ireniu riu quando desci a sunga. Isabel possuía um humor negro. Israelita administrava as minhas minguadas aplicações bancárias. Ivete me trocou por uma mulher e, ainda por cima, fez apologia à homoafetividade. Laila nunca daria certo: ela adorava Eric Clapton; eu curtia os Beatles.

Magali me comia com os olhos. Manuela odiava as minhas piadas de português. Maria Madalena eu resgatei de um prostíbulo. Mercedes era muita areia pro meu caminhãozinho. Naja era meio esguia, venenosa. Natividade foi um amor que já nasceu morto. Norma era muito certinha pro meu gosto. Ofélia, na verdade, tinha um falo que metia medo. Olinda, em fevereiro, fedia ureia.

Pandora, em termos de fantasias, era uma caixinha de surpresas. Perpétua pensou que seríamos felizes para sempre. Pilar sustentou as minhas fraquezas. Raimunda era feia de cara e de bunda também (não rolou). Rosa podou aquela estória de sexo sem compromisso, logo no início do nosso compromisso. Rosária ajoelhava, mas não rezava. Rosemary disse que o bebê era meu (já vi este filme).

Safira até que era joia, mas não valia nada. Salomé quase me fez perder a cabeça por força dos quadris. Sebastiana odiava o próprio nome, e eu também. Serena perdia as estribeiras quando estava de TPM. Socorro me ajudou a curar uma dor de cotovelo. Tâmara implorava para ser chupada. Teresa, valendo-se de lençóis, me ajudou a escapar da prisão em que eu me encontrava.

Urbana me ensinou a namorar em pé no pomar da fazendinha. Valda vivia usando pastilhas por causa do mau hálito. Valentina fugiu da raia quando a pedi em casamento. Vera, de todas as mulheres que conheci, foi a que mais mentiu pra mim. Veronika decidiu morrer ao invés de ir comigo a uma palestra de Paulo Coelho. Vitória me fez perder noites de sono. Virgolina adorava namorar à luz de um lampião. Walkíria, esta sim, me quis apesar de tudo.

  • http://caricartunista.blogspot.com/ Robson F. Vilela

    Ótimo! Genial! Divertidíssimo!

  • Silvia

    Porque não foi até ao Z?

  • Letícia Melo

    Adorei!

  • Ro

    Criativo.

  • Angelica Lino

    Muito bom, divertido e criativo!

  • Mauricio Dias

    Parabéns, Eberth! Como sempre, excelente texto; divertido e espirituoso. Abs

  • Camila

    Parabéns..adorei o texto,muto divertido,ri demais da conta