Ensaios

Jack London, o mito permanente

Jack London, o mito permanente

London escreveu o que viveu, e seus livros têm três cenários distintos: o mais apreciado é, sem dúvida, o da corrida do ouro no Alaska, vindo depois o das ilhas até hoje deslumbrantes do Pacífico Sul e finalmente o espaço político socialista (e comunista) norte-americano do fim do século 19 e início do século 20. Nesses três cenários, Jack London gastou intensamente sua breve existência, viveu as emoções mais profundas, correu os riscos mais mortais, travou as mais duras batalhas. De fato, tinha o que relatar.

692
Gosto não é qualidade. Algo não é bom apenas porque você gosta

Gosto não é qualidade. Algo não é bom apenas porque você gosta

Ao achar que a arte prescinde de técnica, de teoria, de conhecimento, de estudo, uma parcela da opinião pública confunde arte com sentimento; uma coisa mágica, sem explicação, como se fosse um fluído exotérico. Pura gratuidade. Não parece difícil concordar que tudo isso desmerece o esforço dos artistas que estudam seu ofício por anos a fio, e contribui para que não sejam levados a sério. É um grave equívoco. Talvez isso explique por que o que é apreciado não é sério, e o que é sério seja sistematicamente desvalorizado.

7696
O segredo para escrever ficção

O segredo para escrever ficção

Qualquer técnica pode ser repassada e aprendida na escola ou em oficinas. Mas isso por si só não cria um escritor, se o aprendiz não tiver o ouvido preparado para escutar. Ler trechos de romances como se lê estrofes de um poema, procurando ressonâncias, significados ocultos, nas entrelinhas. Porque o oculto é que conta, não o óbvio ou o aparente. Mesmo um Graciliano e um Hemingway não são óbvios. Por isso muito se perde quando não se lê adequadamente.

994
Confesso, sem nenhum resquício de vergonha, li Dan Brown e gostei

Confesso, sem nenhum resquício de vergonha, li Dan Brown e gostei

Este pequeno ensaio resulta de uma tentação, talvez de uma heresia: comparar um best-seller, “O Código da Vinci”, de Dan Brown, a um conto da alta literatura, “A Morte a Bússola”, de Jorge Luis Borges. Borges, por convicção, se vale da economia do conto; Brown, da prolixidade romanesca, e aqui termina a diferença mais óbvia. Quanto às semelhanças, um e outro intrigam a religião (Borges o judaísmo, Brown o cristianismo); um e outro partilham o gosto pela trama policial, possuem notável erudição e escrevem histórias fantásticas.

5147
A poesia morreu

A poesia morreu

Quando um grande artista se vai, ele não desaparece. Eternizado em sua obra, permanece para nós, leitores, pobres vivos que passarão, talvez com a sorte de beleza com que passam os passarinhos. Ferreira Gullar, um artista de verdade, um glutão do saber e da cultura, da palavra e do fazer expressivo, que se aventurou na pintura, na música, no teatro, na teledramaturgia, nos movimentos de cultura popular, faleceu hoje, no quarto dia de um mês de Dezembro de 2016, ano custoso de terminar.

12471
A era dos ídolos medíocres

A era dos ídolos medíocres

Os medíocres sempre existiram em todas as atividades humanas, seja nos esportes, na política, nas religiões, nas ciências, na guerra ou na cultura. Estamos acostumados com eles. Em muitos casos são inofensivos ou mesmo necessários. A ameaça se revela quando se tornam dominantes, como é o caso no cenário cultural brasileiro. Podemos observá-lo em vloggers, blogueiros, socialites, literatos e cineastas, entre outros. Mas onde esse fenômeno se torna mais evidente é na música popular.

8965