Ensaios

Sartre: o messias da filosofia

Sartre: o messias da filosofia

O francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), o gnomo obsceno, talvez tenha sido o filósofo mais comentado e, até, lido do século 20. O que você vai ler neste texto é tão duro que dou duas dicas: há uma ampla biografia, “Sartre”, de Annie Cohen-Solal, que tem uma interpretação menos ácida e mais equilibrada do companheiro de Simone de Beauvoir, e há “Passado Imperfeito — Um Olhar Crítico Sobre a Intelectualidade Francesa no Pós-Guerra”, do historiador britânico Tony Judt.

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“O Leopardo”, de Tomasi di Lam­pedusa, a obra-prima que imortalizou a Sicília

“O Leopardo”, de Tomasi di Lam­pedusa, a obra-prima que imortalizou a Sicília

“O Leopardo”, de Giu­sep­pe Tomasi di Lam­pedusa (1896-1957), é um dos mais importantes romances da Itália. Não deixa de surpreender que tenha se tornado best seller e suas frases, principalmente “se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”, tenham caído no linguajar popular. A prova de sua vitalidade é que no Brasil há cinco traduções do livro. O filme do diretor Luchino Visconti, conde italiano, é uma adaptação tão perfeita que parece ter sido dirigida pelo “espírito” do escritor siciliano. Fica-se com a impressão de que a película contém toda a história, ainda que condensada.

Virginia Woolf tentou ‘curar’ sua loucura pelo suicídio

Virginia Woolf tentou ‘curar’ sua loucura pelo suicídio

Em 2016 completou 75 anos que a escritora inglesa Virginia Woolf se matou. Virginia, que hoje tende a ser comparada (desfavoravelmente) a James Joyce, que ela considerava (invejosamente) um operário autodidata, morreu aos 59 anos, jogando-se no Rio Ouse, em 1941. A obra de Virginia permanece gerando polêmica. Para alguns, ainda é inovadora. Para outros, teria envelhecido.

Jack London, o mito permanente

Jack London, o mito permanente

London escreveu o que viveu, e seus livros têm três cenários distintos: o mais apreciado é, sem dúvida, o da corrida do ouro no Alaska, vindo depois o das ilhas até hoje deslumbrantes do Pacífico Sul e finalmente o espaço político socialista (e comunista) norte-americano do fim do século 19 e início do século 20. Nesses três cenários, Jack London gastou intensamente sua breve existência, viveu as emoções mais profundas, correu os riscos mais mortais, travou as mais duras batalhas. De fato, tinha o que relatar.

Gosto não é qualidade. Algo não é bom apenas porque você gosta

Gosto não é qualidade. Algo não é bom apenas porque você gosta

Ao achar que a arte prescinde de técnica, de teoria, de conhecimento, de estudo, uma parcela da opinião pública confunde arte com sentimento; uma coisa mágica, sem explicação, como se fosse um fluído exotérico. Pura gratuidade. Não parece difícil concordar que tudo isso desmerece o esforço dos artistas que estudam seu ofício por anos a fio, e contribui para que não sejam levados a sério. É um grave equívoco. Talvez isso explique por que o que é apreciado não é sério, e o que é sério seja sistematicamente desvalorizado.

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O segredo para escrever ficção

O segredo para escrever ficção

Qualquer técnica pode ser repassada e aprendida na escola ou em oficinas. Mas isso por si só não cria um escritor, se o aprendiz não tiver o ouvido preparado para escutar. Ler trechos de romances como se lê estrofes de um poema, procurando ressonâncias, significados ocultos, nas entrelinhas. Porque o oculto é que conta, não o óbvio ou o aparente. Mesmo um Graciliano e um Hemingway não são óbvios. Por isso muito se perde quando não se lê adequadamente.