Autor: Euler de França Belém

A vingança de Roberto Marinho contra Adolpho Bloch

A vingança de Roberto Marinho contra Adolpho Bloch

Quebrado, Adolpho Bloch saiu à caça de um salvador da pátria. O único que poderia salvá-lo era Roberto Marinho. A história é contada pelo próprio criador da Manchete: “Esperei quatro horas e quando entrei ele tentou falar primeiro, mas eu fui mais rápido: ‘Doutor Roberto, eu preciso de ajuda’. Ele demorou uma eternidade para responder. ‘Adolpho, há dez anos eu estou esperando você retornar o meu telefonema. Passar bem’. E a secretária me levou até a porta”.

Toni Morrison deve ser lida como escritora e não mera militante negra

Toni Morrison deve ser lida como escritora e não mera militante negra

Ralph Ellison, James Baldwin e Toni Morrison são escritores poderosos. Entretanto, como são negros, sempre dizem: o “escritor negro norte-americano. É inescapável? Talvez seja. Pois nenhum outro escritor americano branco — exceto, quem sabe, William Faulkner — capta tão bem o mundo dos negros quanto o trio, além de Richard Wright. O que não se comenta, por vezes, é que, embora construam uma civilização ampliada, com a inclusão dos negros, não os tratam de maneira idealizada.

Elza Soares, a Billie Holiday dos trópicos

Elza Soares, a Billie Holiday dos trópicos

Fico tentado a fornecer um guia de leitura do livro “Elza Soares — Cantando Para Não Enlouquecer” (Planeta, 383 páginas), do escritor José Louzeiro, que morreu em 2017. No guia, privilegiaria os capítulos que discutem diretamente a artista e menos sua vida. Mas, se fizesse isto, contribuiria para privar o leitor de entender, de modo mais amplo, como uma favelada, sem nenhuma estrutura, se tornou uma cantora magnífica — espécie de Billie Holiday, pelo menos em sofrimento, dos trópicos.

John Gray diz que ateus se tornaram evangélicos radicais

John Gray diz que ateus se tornaram evangélicos radicais

Deus está na moda — como saco de pancada dos intelectuais herdeiros do Iluminismo, não necessariamente socialistas ou comunistas. Gray não faz exatamente a defesa da religião, e sim uma crítica corrosiva dos “ateus-religiosos”, de como, ao trocarem Deus pelo homem e pela ciência, se tornaram porta-vozes de tiranias jamais vistas na história das sociedades.

Lobo Antunes ironiza o Prêmio Nobel e afirma que Saramago é uma merda

Lobo Antunes ironiza o Prêmio Nobel e afirma que Saramago é uma merda

António Lobo Antunes é apontado como o maior escritor vivo de Portugal. É uma espécie de Samuel Beckett do país. Escritor de uma prosa por vezes difícil, que exige uma leitura tão atenta quão paciente, sua língua, quando fala de outros autores, é quase sempre corrosiva. Ele acaba de lançar, em Portugal, o romance “A Última Porta Antes da Noite” (Dom Quixote, 456 páginas).