Autor: Euler de França Belém

George Orwell denunciou tanto o fascismo quanto o stalinismo na Espanha

George Orwell denunciou tanto o fascismo quanto o stalinismo na Espanha

George Orwell é um latifúndio “invadido” pela direita e pela esquerda. A riqueza e a diversidade do que escreveu se prestam ao uso político pelos extremos. A direita trata a obra de Orwell, sobretudo “1984” e “A Revolução dos Bichos”, como uma crítica corrosiva ao totalitarismo comunista — o de Stálin. A ressalva é que o jornalista e escritor não era “rival” tão-somente dos stalinistas.

Sartre: o messias da filosofia

Sartre: o messias da filosofia

O francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), o gnomo obsceno, talvez tenha sido o filósofo mais comentado e, até, lido do século 20. O que você vai ler neste texto é tão duro que dou duas dicas: há uma ampla biografia, “Sartre”, de Annie Cohen-Solal, que tem uma interpretação menos ácida e mais equilibrada do companheiro de Simone de Beauvoir, e há “Passado Imperfeito — Um Olhar Crítico Sobre a Intelectualidade Francesa no Pós-Guerra”, do historiador britânico Tony Judt.

Construção, de Chico Buarque, faz 50 anos e tocava em rádio devido ao jabá

Construção, de Chico Buarque, faz 50 anos e tocava em rádio devido ao jabá

Música é música, poesia é poesia. Mas quem há de contestar que “Construção” é um poema de primeira grandeza? Ninguém, por certo. Pode-se sugerir que resiste tanto como poema quanto como música. A letra é um espetáculo em si — o criador afia a língua como se estivesse a afiar um punhal para um duelo, sugerindo que forma e conteúdo, costurados por “fios” de diamantes, são uma coisa só —, e a música, que a potencializa, é um esplendor criativo.

O Leopardo, o livro que imortalizou a Sicília

O Leopardo, o livro que imortalizou a Sicília

“O Leopardo”, de Giu­sep­pe Tomasi di Lam­pedusa (1896-1957), é um dos mais importantes romances da Itália. Não deixa de surpreender que tenha se tornado best seller e suas frases, principalmente “se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”, tenham caído no linguajar popular. A prova de sua vitalidade é que no Brasil há cinco traduções do livro. O filme do diretor Luchino Visconti, conde italiano, é uma adaptação tão perfeita que parece ter sido dirigida pelo “espírito” do escritor siciliano. Fica-se com a impressão de que a película contém toda a história, ainda que condensada.

Carolina de Jesus: a história da escritora favelada que foi traduzida em 13 países

Carolina de Jesus: a história da escritora favelada que foi traduzida em 13 países

O livro “Tempo de Reportagem — Histórias Que Marcaram Época no Jornalismo Brasileiro” (Leya, 287 páginas), de Audálio Dantas, que morreu em 2018, contém verdadeiras aulas de jornalismo. Além de reportagens clássicas, típicas do jornalismo literário, mas sem a pretensão típica de Truman Capote e Tom Wolfe, há textos introdutórios sobre como foram feitas. Recomendo vivamente “A nova guerra de Canudos”, “Povo caranguejo” e “O drama da favela escrito por uma favelada”.

A fantástica história da elaboração e publicação do Dicionário Aurélio

A fantástica história da elaboração e publicação do Dicionário Aurélio

Manuel Bandeira convidou Aurélio para elaborar os “brasileirismos” das novas edições do “Pequeno Dicionário”. “Dedicava-se a buscar novas palavras, neologismos e abonações em escritores consagrados — e, a partir de 1951, como principal revisor, cuidou de fazer correções e atualizações, tarefa que conduziu até 1962.” O tradutor e crítico literário judeu húngaro Paulo Rónai passou a ajudá-lo. Aurélio queria mais. Com uma língua consolidada, falada por mais pessoas do que na ex-metrópole, Portugal, o Brasil estava à espera de um dicionário mais amplo e maduro.

Carta de Winston Churchill para Jair Bolsonaro

Carta de Winston Churchill para Jair Bolsonaro

Caro Jair, o sr., que deve ter lido os livros de Richard Evans, Ian Kershaw, Antony Beevor, Richard Overy e Andrew Roberts — este, meu mais recente biógrafo (o historiador foi o primeiro a ter acesso aos arquivos da família real, ao menos é o que diz) —, talvez possa me informar melhor: por que perdi a eleição, depois de salvar a Europa e, portanto, o mundo das garras do totalitarismo nazista?