Ensaios

Por que é que os revolucionários foram reacionários

Por que é que os revolucionários foram reacionários

As revoluções levam a açoites de aço, trabalhos forçados e ao encarceramento de grandes escritores. No entanto, o termo “revolucionário” continua a gozar das mais nobres conotações, enquanto que o termo “reacionário” detém, tanto na arte quanto na política, o monopólio do mau. Já se disse que os revolucionários na literatura foram em geral reacionários em matéria de política.

Hermann Hesse: o guru dos hippies

Hermann Hesse: o guru dos hippies

O Sul da Alemanha, a partir do século 17 até meados do século 20, era fortemente influenciado pelo pietismo, o maior movimento reformista dentro do protestantismo europeu após a Reforma Protestante. Os pietistas, profundamente crentes, conservadores e intransigentes a tudo quanto era novo, levavam o conteúdo da Bíblia ao pé da letra e eram, por isso, considerados ortodoxos dentro do protestantismo. Foi neste ambiente que, em 2 de julho de 1877, nasceu e passou a sua infância e parte da adolescência Hermann Hesse, o mais lido escritor alemão do século 20.

Hannah Arendt: a filósofa como poeta

Hannah Arendt: a filósofa como poeta

A faceta da judia Hannah Arendt filósofa quase militante — dotada de uma coragem intelectual excepcional, mesmo quando enfrentava o reducionismo e o vitimismo do establishment judaico — é por demais conhecida. Nascida em 1906 e falecida em 1975, é frequentemente citada em livros e reportagens e artigos de jornais de todo o mundo tal a vitalidade de suas ideias. Afirma-se que algumas de suas ideias são insight não desenvolvidos — e seu livro clássico, “Origens do Totalitarismo”, mereceu críticas de vários autores, como os judeus Bruno Bettelheim, psicanalista, e Raul Hilberg, historiador. Nos últimos tempos, nos quais dinheiro compra até amor verdadeiro, tem sido mencionada, com constância excessiva, por sua paixão pelo filósofo Martin Heidegger.

As cinco pistas do gênio

As cinco pistas do gênio

Um dos grandes mistérios da arte é o que diz respeito à capacidade de certos autores de escrever tão bem, ao contrário de outros. Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa pertencem, seguramente, àquela categoria relativamente reduzida de ficcionistas e poetas que com seus textos encantam milhares de leitores, geração após geração. É mesmo encantamento, ao pé da letra.

Sartre: o messias da filosofia

Sartre: o messias da filosofia

O francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), o gnomo obsceno, talvez tenha sido o filósofo mais comentado e, até, lido do século 20. O que você vai ler neste texto é tão duro que dou duas dicas: há uma ampla biografia, “Sartre”, de Annie Cohen-Solal, que tem uma interpretação menos ácida e mais equilibrada do companheiro de Simone de Beauvoir, e há “Passado Imperfeito — Um Olhar Crítico Sobre a Intelectualidade Francesa no Pós-Guerra”, do historiador britânico Tony Judt.

“O Leopardo”, de Tomasi di Lam­pedusa, a obra-prima que imortalizou a Sicília

“O Leopardo”, de Tomasi di Lam­pedusa, a obra-prima que imortalizou a Sicília

“O Leopardo”, de Giu­sep­pe Tomasi di Lam­pedusa (1896-1957), é um dos mais importantes romances da Itália. Não deixa de surpreender que tenha se tornado best seller e suas frases, principalmente “se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”, tenham caído no linguajar popular. A prova de sua vitalidade é que no Brasil há cinco traduções do livro. O filme do diretor Luchino Visconti, conde italiano, é uma adaptação tão perfeita que parece ter sido dirigida pelo “espírito” do escritor siciliano. Fica-se com a impressão de que a película contém toda a história, ainda que condensada.