Jack London, o mito permanente

Jack London, o mito permanente

London escreveu o que viveu, e seus livros têm três cenários distintos: o mais apreciado é, sem dúvida, o da corrida do ouro no Alaska, vindo depois o das ilhas até hoje deslumbrantes do Pacífico Sul e finalmente o espaço político socialista (e comunista) norte-americano do fim do século 19 e início do século 20. Nesses três cenários, Jack London gastou intensamente sua breve existência, viveu as emoções mais profundas, correu os riscos mais mortais, travou as mais duras batalhas. De fato, tinha o que relatar.

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Não insista. Deus não é mulher

Não insista. Deus não é mulher

Há que se controlar a ira para ler o texto até o fim. Prova de amor maior não há. Faça um esforço. Encare o sacrifício como se fizesse um ato de caridade, um cordeiro imolado, aqueles cinco pilas depositados na urna durante o culto. Boa. É isso aí. É assim que se faz. Vamos começar a história. Não insista. Deus não é mulher. Aliás, todo mundo sabe, todo mundo diz, a ordem processual da criação, segundo consta dos autos, foi a seguinte: Papai do Céu concebeu primeiro o homem.

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Liberdade é transar quando quer. Maturidade é não transar quando não está a fim

Liberdade é transar quando quer. Maturidade é não transar quando não está a fim

Ser livre é uma forma de autenticidade. É ser você mesmo e não perder o sono por causa disso. É mudar de opinião, de rumo, e voltar atrás quando bem entender. Ou nunca mais regressar. Liberdade é transar quando quer e quando não quer também. Na maturidade, não. Você não transa quando não está a fim. E ponto final. Não existe lugar melhor no mundo que a própria casa, não há cama melhor do que a sua.

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Hoje eu acordei e me certifiquei de que a louça estava lavada para poder emitir opinião

Hoje eu acordei e me certifiquei de que a louça estava lavada para poder emitir opinião

Hoje eu acordei e me certifiquei de que a louça estava lavada para poder emitir opinião. Hoje recebi bombom no trabalho, bombom do meu filho, bombom do marido e conselhos para não comer tudo porque preciso me cuidar. Hoje guardei minha liberdade na mochila e desisti de ir sozinha a outro país ou ao quarteirão mais próximo porque não devo perambular por aí sem ter a tiracolo uma figura masculina que avalize meu direito de não ser violentada.

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Gosto não é qualidade. Algo não é bom apenas porque você gosta

Gosto não é qualidade. Algo não é bom apenas porque você gosta

Ao achar que a arte prescinde de técnica, de teoria, de conhecimento, de estudo, uma parcela da opinião pública confunde arte com sentimento; uma coisa mágica, sem explicação, como se fosse um fluído exotérico. Pura gratuidade. Não parece difícil concordar que tudo isso desmerece o esforço dos artistas que estudam seu ofício por anos a fio, e contribui para que não sejam levados a sério. É um grave equívoco. Talvez isso explique por que o que é apreciado não é sério, e o que é sério seja sistematicamente desvalorizado.

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Palavras são navalhas

Palavras são navalhas

Vivemos tempos incríveis, velozes, nos quais muitos se intitulam defensores da ética, baluartes dos bons costumes, apesar da evidente boçalidade neles incutida. A tecnologia da comunicação avança a galope, propiciando que cavalgaduras se vangloriem e saiam por aí escoiceando a esmo, sem mensurar as consequências. Há uma epidemia de néscios grassando na internet. Quando muito, esse tipo de “gente conectada” compartilha piadas grosseiras, orações hipócritas e correntes-do-bem estrambólicas, com as quais, juro, muito me agradaria que eles se enforcassem.

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Para se levantar, primeiro é preciso cair

Para se levantar, primeiro é preciso cair

Quando passamos a compreender a própria solidão, paramos de buscar a felicidade plena. Assim, recebemos com alegria o que nos chega: um bilhete inesperado, um beijo roubado ou um sorriso despretensioso. Então, um dia, descompassados e felizes, achamos graça quando dançamos sozinhos no meio da sala. É o prazer de fazer “adormecer o lobo da estepe, tornando-o dócil”.