Motivos pra não me mudar do Brasil

Motivos pra não me mudar do Brasil

As aves. As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá. Ora, não me lancem artilharia pesada. Guardem suas pedras para quebrar as asas da imaginação, que esse mundo não passa mesmo disso: pura ilusão. “É plágio”, vão me acusar. Putz! Não estou plagiando Goncalves Dias, estou citando Goncalves Dias. E por falar na luz do dia, as nossas noites são muito mais lindas que as noites deles. Quem nunca mirou o céu estrelado do centro-oeste brasileiro sem se descobrir pequeno, sem se sentir insignificante, um perdedor, não sabe o que está ganhando.

A vida é muito curta pra perder tempo com livro chato

A vida é muito curta pra perder tempo com livro chato

Ler sempre foi uma aventura, uma jornada, uma descoberta, uma busca. Muito antes de Jorge Luis Borges apontar as semelhanças entre Simbad e Odisseu (que li muito cedo, em edições para crianças), eu já havia percebido as notáveis coincidências. De certa forma, tudo o que li depois disso foi uma busca pela mesma vertigem proporcionada pela saga dos dois marinheiros. E é disso que esta coluna vai falar. Da busca de coisas pra ler. Livros, na maioria das vezes. Mas não só. E não vou falar apenas de coisas recém-chegados às livrarias. Não. A ideia aqui é partilhar descobertas e não seguir a agenda de lançamentos. Afinal, não existe livro novo: existe aquele que você leu e aquele que você não leu.

Lágrimas não são argumentos

Lágrimas não são argumentos

Desde quando o choro é sempre de verdade. Pode ser de mentirinha, cheio de intenções pra conseguir o que se quer mais lá na frente. Desde quando gritar “Eu te amo!”, no meio da calçada diante do Ministério da Fazenda, com os miolos torrando debaixo do sol do meio dia, é um “eu te amo” pra valer. Ou então atulhar um post no facebook com coraçõezinhos, beijinhos, dúzias de rosas vermelhas. Declarações em praça pública. Puxa. Parece que ninguém escuta, se você não gritar, exagerar, teatralizar. O seu amado, então, comenta-se ter virado surdo de vez.

A felicidade está nas pequenas coisas da vida

A felicidade está nas pequenas coisas da vida

É, essa vida anda tão agitada. Vivemos num mundo onde grandes coisas acontecem ao mesmo tempo. Enquanto tem um foguete japonês sendo lançado pro espaço em busca das respostas de como se formou o sistema solar, do outro lado do mundo tem protestos americanos contra o racismo. E por aqui continua tudo confuso. Acordamos cedo e em nossos jornais as mesmas notícias já estragam o desjejum. É mentira aqui, roubo ali, violência acolá. Medo em todos os lugares. Muitas vezes engolimos a desesperança apressados e partimos para os deveres nossos de todo dia.

Neste Natal já sei o que vou pedir: Você

Neste Natal já sei o que vou pedir: Você

Pode chegar… Me dá a tua mão. Entrelaça os teus dedos nos meus, me segura com firmeza e suavidade, desse jeito que eu sei que você sabe. Enrosca os braços na minha cintura e olha bem pra cá, na minha imensidão verde oliva. Não tira os teus olhos dos meus, eu te peço, mesmo sem nada pronunciar e tudo dizer. Se por ventura sentir medo da maré que vem de mim, não se apequene, agarre-se nos meus cabelos, orelhas, ombros, o que você encontrar pela frente. Escute somente as minhas risadas férvidas e meus apelos de que você venha comigo.

Felicidade, quando dá, tristeza nenhuma segura

Felicidade, quando dá, tristeza nenhuma segura

Olha, nem adianta. Não há o que fazer. A gente aceita e pronto. Esse negócio não tem cura. Quando bate, derruba. Felicidade é fogo. Não tem remédio, injeção, simpatia, massagem, terapia alternativa, intervenção cirúrgica, emplastros, unguentos, compressas, fórmulas homeopáticas, reza brava. Nada! Quem pega uma vez felicidade tem de viver com isso para sempre. É certo que ela vem e volta. É da ordem das doenças crônicas. O sujeito sente uma pontinha de alegria distante, lembra um dia bom que ficou lá atrás, encontra um alguém querido, recebe uma notícia boa e está feito o quadro. A crise se prenuncia e aí não tem jeito, é correr e tratar. Porque, você sabe, felicidade não tem cura. Só lhe cabe tratamento.

Está na hora de fazermos alguma coisa. Vamos fazer gentilezas!

Está na hora de fazermos alguma coisa. Vamos fazer gentilezas!

Então já é dezembro. Vem aí o Natal de novo. É sempre assim, a vida escorrega por sob os pés da gente, daqui a pouco é dia 24, quase meia-noite, e se bobear eu não terei dito a você o que preciso lhe dizer desde sei lá quando. Então, só por garantia, vou dizer por aqui primeiro e depois a gente vê o que faz! É que eu tenho sentido uma gratidão tão grande por nós, sabe? Agradeço mesmo a alegria de sermos, assim, pessoas contemporâneas, se virando e se debatendo nesse mundo tão entupido de grosseria e estupidez.