Minha entrevista com Elton John

Assim que adentrei o camarim de Elton John senti o baque dos 19 graus centígrados na cacunda, uma exigência do cantor para tocar em Goiânia, capital plantada no meio do cerrado, na quentura do centro-oeste brasileiro. Elton pareceu-me gordinho, usava um roupão de cor grená e tinha os pés massageados por um serviçal efeminado adornado com mais anéis e piercings do que um varal de roupas no jardim, o qual utilizava um cosmético local feito à base de pequi, produto genuinamente goiano, que deixa a pele hidratada, macia e, claro, com aquele aroma de pequi que o Elton simplesmente achou o máximo.

Ponto de encontro dos corações desencontrados

Despertos que vagam no seio da noite, quatro ou cinco ou seis bilhões ou mais, é tempo de estarmos juntos. Notívagos, estressados que não adormecem, sensíveis que despertam ao menor barulho no interior de suas cabeças, almas boas oprimidas pela marcha barulhenta do ódio gratuito e diário, sob as botas pesadas da inveja e o calcanhar rachado da burrice, já passa da hora de nos unirmos.

300 livros sobre arte para download gratuito

A Getty Publicações, programa da J. Paul Getty Trusts —instituição cultural e filantrópica norte-americana que reúne organizações como o J. Paul Getty Museum, o Getty Research Institute e o Getty Conservation Institute, disponibilizou uma biblioteca virtual com parte de seu catálogo em comemoração aos 45 anos de atividade editorial. São aproximadamente 300 livros para download gratuito. As obras disponibilizadas são títulos premiados, publicados entre 1968 e 2013, e que podem ser pesquisadas por temas, títulos, autores ou palavra chave.

As 10 obras de arte mais polêmicas da história

O jornal mexicano “El Universal” listou as dez obras de arte que considera como “as mais polêmicas da história”. Como quaisquer listas, sempre restritivas, a do veículo da terra do poeta Octavio Paz é questionável, mas pelo menos alguns dos quadros são mesmo controvertidos, provocam polêmicas e geram dezenas de livros e documentários, como é o caso das pinturas do italiano Leonardo da Vinci, talvez o maior gênio da história da arte.

Ganhar a vida é aprender a perder

Desde seus primeiros brinquedos desaparecidos na terra do quintal e as figurinhas engolidas pelos vãos do sofá, ele relembra suas perdas da vida inteira. Pensa em cada lugar esquecido, revisita planos abandonados, acena para amores passados, desculpa-se com amigos preteridos. E outra vez se dá conta de que, muito mais do que seus ganhos poucos, um homem se constrói a partir de suas tantas perdas.

Happy-hour para estupradores, cucarachas e afins

O estupro foi tenso, mas, divertido. A primeira coisa que fizeram ao chegar àquele boteco copo-sujo foi esparramar sobre a mesa ensebada a féria do dia e pedir que o proprietário da espelunca — um conhecido, reconhecido e admirado traficante da comunidade do Caixote Quebrado — descesse rapidinho uma cerva estupidamente gelada, a fim de comemorarem o sucesso do ataque. Era meio que uma confraternização pela meta atingida, ferramenta de gestão muito utilizada pelos gestores de pequenas e médias empresas, vocês sabem, apesar da informalidade daquela corja.

Cada escritor tem os leitores que merece

Envelhecer é uma merda, sim, eu sei, é verdade. Mas, com o passar dos anos e algum grau de esforço observatório (tá bom: pensar cansa muito, é difícil, vá lá…), é possível chegar a algumas conclusões quanto à vida, às pessoas, especialmente à conjuntura amalucada do habitat em que se (sobre)vive. Com a velheira em andamento, eu descobri por exemplo que a maioria das gentes gosta dos feriados; de acordar tarde; do bife bem passado; do ovo com a gema mole; de apalpar nádegas durinhas; do coito sem camisinha; de chupar balinha; de reclamar do governo; de reclamar da sogra.

15 filmes que são diamantes para o cérebro

Trata-se de uma tentativa de orientar o leitor da Bula — por certo, alguém que preza pelo que há de mais refinado no campo da cultura — no mar de referências cinematográficas. Como sói acontecer, a lista é estritamente pessoal: ela elenca obras que agradam ao meu gosto estético na arte cinematográfica. Basta pensar que, tivesse outro autor assinado a lista, as referências decerto mudariam (talvez ele viesse a público afirmar que “Curtindo a Vida Adoidado”, do diretor John Hughes, é superior aos filmes do Godard, opinião que eu nunca endossaria). A lista também é limitada: são apenas 15 filmes, o que incontornavelmente deixará de fora muitas obras relevantes.

10 mil fotografias artísticas e históricas de alta resolução para download gratuito

O Museu Getty, em parceria com o Walters Art Museum, National Gallery of Art, Yale University, Los Angeles County Museum of Art e Harvard University, disponibilizou 4700 fotografias artísticas e históricas de alta resolução para download gratuito. As imagens poderão ser utilizadas inclusive comercialmente, desde que citada a fonte. Além de fotografias, também estão disponíveis manuscritos, pinturas, esculturas e desenhos. As imagens estão divididas por categorias ou podem ser consultadas por meio da busca pelo nome do autor, título ou país de origem.

Viagem à volta do meu criado-mudo

Do alto das minhas pilhas de livros, trinta e nove anos de leituras atrasadas me contemplam. Os montes inexplorados — meus himalaias particulares — me fitam e eu, planejando viver mais oitenta e cinco invernos, peço calma a eles e paciência aos deuses para com este humilde pecador. Meu motor de explosão necessita de livros como carburante, o que me levou a juntá-los desde criança. Creio modestamente que tenho sido bem-sucedido nesta faina — síndrome de Diógenes literária — de acumulação: diariamente verifico as novidades e faço as minhas compras.

A chuva que varre os velhos ódios e a vida que brota em cada um de nós

E no fim do trigésimo terceiro dia de calor desumano, uma chuva impetuosa varreu as ruas e as praças e os telhados das casas na terra abatida pela seca, a burrice e a falta de amor. Lá de cima, um batalhão de nuvens robustas disparava toneladas de água fria sobre a vida inflamada aqui embaixo, levantando do solo outras nuvens grossas de vapor e alívio em franca liberdade de volta ao céu.

Por que é mesmo que a gente usa drogas?

Foi assim com o laureado ator americano. Foi assim com uma caravana de outras estrelas do cinema, da música, do show business, enfim. É assim com a legião de viciados incógnitos, pessoas comuns com hábitos e dependências tão comuns que os têm conduzido a uma miséria para lá de comum: a ruína da dignidade, o esfacelamento dos relacionamentos, o isolamento, a associação ao crime, a autodestruição por overdose. Mudam os atores, mas o roteiro do dramalhão permanece o mesmo.

E de tanto sermos diferentes, no fim somos todos iguais

Paulo é um adolescente descobrindo a vida e o valor da amizade. Na companhia de seus amigos, deixou de ser um menino inseguro e cabisbaixo. Sai em grupo à noite com a turma e nunca mais levou um desaforo para casa. Ele conta cheio de emoção no colégio sobre o dia em que socou a cara de outro menino até derrubá-lo e pisar na cara dele contra a calçada. E está pensando se conta a seu pai que saiu com os outros meninos de carro à noite para atirar ovos nas prostitutas. O Facebook de Paulo tem 1.994 amigos, e ele acaba de confirmar presença em um protesto contra a violência.

A saudade mais honesta é a do que nunca existiu de verdade

Acontece com todo mundo. Você está lá, como toda gente se equilibrando entre sua pequena multidão de afazeres, levada pelo fluxo impiedoso de seus eventos diários, na correnteza involuntária de um dia depois do outro, e sobre sua testa chuvisca um sentimento inesperado. Sem susto, você o reconhece de pronto. Ele é um velho e íntimo sentimento familiar. É a saudade do que você nunca viveu.

As 10 músicas mais chatas de todos os tempos

Caro leitor, qual a música mais chata que você já ouviu em todos os tempos? Fiz uma enquete virtual com amigos e contatos nas redes sociais e, listei a seguir as muito provavelmente 10 Músicas Mais Chatas de Todos os Tempos. Mesmo sabendo que os nossos chatos são melhores que os chatos de outras nações, por uma questão de bairrismo, de reserva de mercado da chatice, e para evitar bullying por todo território nacional, poupei o pessoal da MPB deste ranking às avessas. Confira aí se a brincadeira faz sentido ou se foi eu que acordei chato à beça hoje.

Das coisas que deixamos para trás e a vida que vem pela frente

Na sala de sua casa agora há só as quatro paredes brancas, lisas, sem os quadros e o espelho e os poucos móveis que ali moravam. Ele olha num canto e não enxerga o velho sofá branco que seu filho amava transformar em cama para encher de farelo de salgadinho. O sofá branco e barulhento que abriu os braços a tanta gente amada. E que teve como último hóspede um velho amigo que o visitara de madrugada, eles se sentaram ali e beberam a cerveja fresca e a saudade morna de tempos vencidos.

Será que você é medíocre?

Para mim, o uso do significado de medíocre que, em sua origem, significa mediano, é um tanto questionável. Na vida das pessoas, a mediocridade pode ser uma aventura, pois é o que relatam — para cada pessoa um pequeno dilema pode ser monstruoso aos olhos de quem o vive. Parece ser por isso que ninguém se aventura a compartilhar o prazer da imaginação de outro. Tenho certeza que daqui para frente, nada é novo no dito.

A nova velha New York

Quando cheguei a Nova York, cinco meses atrás, esperava encontrar uma cidade mais pós-moderna. Na verdade, no imaginário construído na minha mente, como na de muitos brasileiros, formada a partir dos relatos televisivos e dos filmes hollywoodianos que chegam até nós, Nova York era praticamente a cidade habitada pelos Jetsons. Porém, aos poucos fui vendo que Nova York é muito mais o que está nos livros antigos do que a imagem vendida para turistas brasileiros.