Lester Bangs, o santo beatnik da crítica

Lester Bangs, santo beatnik. Morreu em 1982, aos 33, idade de Cristo. Não foi crucificado, mas certamente alçado à cruz do jornalismo, no subgênero gonzo, de qualidade extremamente contestada, ainda que tenha saído do ventre do new journalism (Tom Wolfe, Gay Talese, Truman Capote). A exemplo de Hunter S. Thompson, escreveu motivado por substâncias psicotrópicas, em fluxo vertiginoso, e pôs-se, muitas vezes, à frente do próprio objeto do texto — e quem não está, prisioneiro de sua própria subjetividade, em posição soberana ao alvo da análise?

Ministério da Cultura confunde ciência com religião ao falsificar Machado de Assis

Se o Ministério da Cultura tivesse um mínimo de respeito pela nação brasileira, ao invés de construir um túnel com 60 mil livros, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, para marcar o lançamento da falsificação de “O Alienista”, de Machado de Assis, perpetrada pela escritora-empresária Patrícia Secco, ele mandaria diretamente para a reciclagem os 600 mil exemplares do livro, adaptado juntamente com “A Pata da Gazela”, de José de Alencar.

Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros

Pedimos aos leitores e colaboradores — escritores, jornalistas, professores — que apontassem os poemas mais significativos de Manoel de Barros, um dos mais aclamados poetas contemporâneos brasileiros. Nascido em Cuiabá em 1916, Manoel de Barros estreou em 1937 com o livro “Poemas Concebidos sem Pecado”. Sua obra mais conhecida é o “Livro sobre Nada”, publicado em 1996. Cronologicamente vinculado à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, Manoel de Barros criou um universo próprio, marcado, sobretudo, por neologismos e sinestesias, sendo, inclusive, comparado a Guimarães Rosa.

As 15 melhores músicas brasileiras de todos os tempos

Entre os meses de março e outubro pedimos aos leitores, colaboradores, seguidores do Twitter e Facebook que apontassem quais são as 15 melhores músicas brasileiras de todos os tempos. Com o objetivo de dar maior amplitude à pesquisa foi adotado como critério a inclusão de apenas uma música por intérprete, já que alguns nomes, baseados na enquete, emplacariam mais de uma canção entre as 15 selecionadas. Discutível como qualquer lista de melhores, esta também não pretende ser abrangente e reflete apenas a opinião dos participantes da enquete.

Mãos ao alto! Isto é um abraço

É um desejo, quase um cansaço. Mãos ao alto! Isto é um amor escondido, um carinho perdido, uma promessa de estrelas. Prepare-se logo para novos assaltos, iluminados como jamais viu. Invasões nas quais trocam-se armas por flores, gritos por sussurros, defesas por clamores. Novas aventuras se aproximam. Nesse mundo de pedras e podres, alguém prega novos momentos e encontros brandos, assinalados um a um, no livro branco da paz. A imundície foi posta a nocaute.

Discípula de Paulo Freire assassina Machado de Assis

Com o propósito de facilitar a leitura de quatro clássicos da literatura brasileira, Secco pedira autorização ao Ministério da Cultura para captar R$ 1,53 milhão; por incrível que pareça, foi autorizada a captar R$ 1,45 milhão, ou seja, quase o montante que havia pedido para seu projeto. Em sua arbitrária simplificação de Machado de Assis, em que comete erros primários de intepretação de texto, a escritora-empresária Patrícia Secco embrutece o espírito do leitor ao falsear o mestre e descaracterizar seus personagens.

Sopro quente de ternura para um dia frio

E então ele chegou de longe. Veio de um lugar onde não há contas e dívidas. Surgiu das dobras do mundo que fica para lá do fim dos parques, depois das últimas ruas asfaltadas, além das árvores mais velhas do chão. De lá, onde um anjo nos espera na porta, onde as mulheres e os homens e as crianças e os velhos dançam sorrindo velhas canções de amor e alegria, chegou o frio que tudo transforma.

Postado em Filmes

Os 21 piores filmes brasileiros de todos os tempos

A cinematografia brasileira é um oceano de filmes ruins. Para cada pérola como “Cidade de Deus” ou “Tropa de Elite” existem dezenas ou mesmo centenas de filmes absolutamente lamentáveis. Verdadeiras bombas produzidas com dinheiro público pela Embrafilme e via Lei Rouanet, ou ainda na Boca do Lixo, as pornochanchadas, na Vera Cruz, ou o atual amadorismo do formato digital.

Traficantes de letras usam drone para lançarem livros dentro de escola, mas alunos não entendem nada

À primeira vista, ninguém entendeu nada quando aquele pequeno veículo aéreo não tripulado desceu dos céus carregando um pacote suspeito. Quem avisou que tinha um helicopterozinho engraçado plainando sobre o pátio da escola foi o zelador que, ao contrário daquela legião de quinhentos imaturos em busca de sucesso na vida, não possuía ainda um smartphone com o qual pudesse se manter minimamente conectado ao virtual mundo moderno.

Desligue o celular e olhe o céu

Os dias transcorrem, a alegria pisca à nossa volta, a paz acena lá de longe com um lenço branco. A felicidade passa por nós e sussurra algumas palavras em nossos ouvidos, ocupados demais com fones sofisticados e outras traquitanas tecnológicas para ouvi-las. Neste movimento de autorrecolhimento ou auto expulsão simultânea dos clamores do mundo exterior, nos enredamos em um útero ou uma bolha de propriedade exclusivamente nossa. Espaços volitivamente autistas. Impenetráveis.

98% da população mundial acredita em Deus, mas duvida das estatísticas

98% da população mundial acredita que Deus existe. 100% de mim acredita que aquela vizinha do lado simplesmente não existe. 15% da humanidade é gay. 85% dos deputados federais homofóbicos mordem a fronha. 1,2% das crianças com menos de 3 anos acreditam na cegonha. 99,7% dos cidadãos desrespeitam a lei. 6,7% das mulheres casam-se virgens. 100% das cadelas acasalam-se virgens. 99,99% dos espermatozóides nadam, nadam, nadam, e morrem na praia.

Trio da vergonha alheia: música oficial da copa com Cláudia Leitte, Pitbull e Jennifer Lopez

Como tudo o que está ruim ainda pode piorar, fizeram o favor de unir Cláudia Leitte a dois dos maiores embustes da indústria fonográfica da “terra do Tio Sam”. Refiro-me ao rapper Pitbull, o “rei da desafinação eletrônica”, e à rebolativa Jennifer Lopez, um desses projetos de “divas pop” de quinta categoria que são exportadas a rodo dos Estados Unidos e cujo único “talento artístico” é sua bunda. Infelizmente, existem jornalistas que acreditam que basta colocar passistas de escola de samba e o pessoal do Olodum que a música ganha “brasilidade”.

A obra completa de Mozart para download

O site Mozart Weltweit disponibilizou para download legal e para audição on-line, toda a obra do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, composta por cerca de 700 peças, totalizando mais de 180 horas de música. Mozart foi o mais importante e prolífico compositor do período clássico. Suas obras são referenciais na música sinfônica, concertante, operística, coral, pianística e de câmara. Mozart compôs o primeiro concerto aos 11 anos de idade e o último em 1791, ano de sua morte, aos 35 anos.

Todo dia barulhento espera uma noite silenciosa

Ah, minha mãe. Esse barulho todo me traz você aqui. Penso no seu silêncio no tumulto da nossa casa. Lembro do som da rua quieta enquanto esperava você no portão. Naquele tempo em que esperar por você era minha única angústia da vida. Aqui, no alvoroço desse negócio de viver tudo e dormir nada, de andar apertando os olhos para ouvir alguém entre tanto ruído, me falta você, minha mãe, chegando com a noite e a lua. Silenciosa em sua meia dúzia de palavras. Segura em suas interjeições.

Contradições acima de qualquer suspeita

Quem nunca afirmou detestar mulheres louras e, de repente, começa a desfilar com uma pantera platine blonde- tintura irretocável, nos volumosos cabelos? Te amo, te odeio. Não suporto peixes, adoro linguado assado. Não tolero homens falantes. Ah, me apaixonei por um deputado honestíssimo. Precisa ver como ele discursa. Pintar a boca de vermelho, jamais! Quero esse batom molhado cor de sangue, máxima duração. Lindo. Não imagino ter filhos e nem terei.

Livros da infância: modos de usar

Diferentemente do que ocorria há dez nos, o mundo me excede. Não sei quanto a vocês, leitores amigos, mas me sinto agredido diariamente por barulhos infernais de toda sorte de aparelhos e veículos, pelo medo constante de assaltos, pela ansiedade que tomou conta de nossas vidas de forma perene. Sim, as aflições cotidianas me esmagam. E também sei que mudei muito — essa é a nossa sina comum. Claro, já não passo horas esfolando os dedos em jogos de futebol no asfalto ou sentado, o mundo à espera, com amigos em calçadas poeirentas. Mas ainda tenho o consolo de poder buscar os livros da infância: leio-os e sou de novo um menino espantado.

Réquiem para a tristeza que nos consome por dentro

Busquemos nas livrarias o livro que sempre desejamos ler, ouçamos a música que embalou nosso mais caro amor, bebamos as bebidas da moda e aquelas que ninguém mais bebe, degustemos pratos exóticos em tardes preguiçosas. Comer, rezar, amar, mas também beber, receber, doar, cantar, ler, ouvir, sentir, tatear, pegar, agarrar. Façamos de nossas vidas um dicionário prático de todos os verbos listados em frios Aurélios e Houaiss.

Elogio da solidão que nos une e nos separa

Eu sou dessa gente que anda só. Não me pergunte por quê. Eu não sei responder e você vai achar que é indelicadeza minha, mas é nada senão a mais sincera incapacidade. Não consigo, não dá. Minha bicicleta não tem garupa, é veículo de um sozinho, descendo uma estradinha esburacada com um equilíbrio tão delicado que é preciso manter as duas mãos no guidão o tempo todo, sabe? Descobri que posso lhe dar uma delas agora e logo tenho de soltar. Não por nada.

O que foi dito bêbado foi pensado sóbrio

Ah, quantos de nós temos coragem de traduzir em palavras as explosões de afeto, fúria ou ódio, claramente estampadas em nossos olhos. Quantos de nós se escondem atrás dos véus da conveniência, ardilosas maquiagens, máscaras de bem-se-relacionar no cotidiano, guardando tudo o que nos ameaça ou fragiliza no quarto escuro de emoções cansadas, amassadas e contraditórias. Francamente. Quase não há espaço para o amor e a ternura se acomodarem junto ao medo, a insegurança e a frieza, pois o quarto é diminuto — do tamanho de uma solitária prisional.

A felicidade é uma coisa foda

Felicidade é ir ao estádio e não ser atingido na cabeça por um vaso sanitário arremessado por um fanático de merda. Felicidade é não comemorar gols de letra com uma torcida burra. Felicidade é vestir o manto sagrado do time, mesmo sendo ateu. Felicidade é sentar no chão da sala e brincar coisas de criança aos 48 anos de idade. Felicidade é dizer toda a verdade mesmo sem estar bêbado. Felicidade é mentir para o filho que a vida será para sempre boa.