No fundo, nossa única certeza é a de que estamos na dúvida

No fundo, nossa única certeza é a de que estamos na dúvida

Pode reparar. Por mais que tenhamos crescido, por mais que o tempo nos leve longe e os anos passem varrendo lembranças, distorcendo fatos antigos, apagando rostos e imagens como em velhas fotografias, por mais que aprendamos a ser adultos no comando seguro de cada passo, há sempre um medo infantil que nos resta. Sempre um monstro esperando debaixo da cama, desafiando com olhos de fogo e coração pequeno nossa coragem de gente grande. Vistos assim, você e eu e todos aqui somos iguais.

A Sangue Frio: dois malucos, quatro mortos e um jornalista

A Sangue Frio: dois malucos, quatro mortos e um jornalista

A casa da família Clutter, mesmo depois do que aconteceu, estava lá, amarela, intacta, de maneira, exatamente da mesma forma que estava naquela madrugada digna de filme de terror dos anos 1950. E fiquei me questionando: que diabos, como alguém mora tão isolado assim do resto da civilização? E, repeti a questão, ainda mais desorientado: como, em 2014, alguém mora assim tão isolado do resto da civilização? No nosso imaginário, até é compreensível que, nos anos 1950, uma família fosse ingênua (para não chamá-la de burra — ok, desculpem a insensatez) para morar tão afastada de qualquer pedido de socorro.

Mostre quantas pessoas moram dentro de você

Mostre quantas pessoas moram dentro de você

Desde a mais tenra idade se habituou a gostar de misturas e de contrastes no seu dia a dia iluminado de curiosidade. As manias, obsessões, compulsões renitentes não interessavam a essa menina-menino. Considerava as repetições de qualquer ordem sempre previsíveis e esvaziadoras de sentidos maiores da vida. As experiências, ahhh, sim, as experiências alquimizavam as cores do horizonte dela-dele trazendo nuances de rosa, tons pastel em degrades delicados, quando se punha a pintar aquarelas para decorar seu quarto de sonhos.

E depois das eleições, pra onde vai tanto ódio?

E depois das eleições, pra onde vai tanto ódio?

É claro que você está certo. O país está prestes a eleger um presidente, nós corremos o risco de fazer o que você chama de “a escolha errada”, os ladrões estão a nos fazer de trouxas e eu aqui, falando de amor? Não, isso não pode ser. Você tem razão, eu reconheço. Pronto, deixei meu discurso amoroso de lado, esperando. Já posso refletir sobre as coisas que você me disse. Sim, o seu candidato deve ser mesmo bem melhor do que o meu. Compreendo seus argumentos, entendo todos os seus pontos de vista e, prometo, vou pensar honestamente em aprender matemática depois de você me mostrar o óbvio: eu não sei fazer contas!

Cartinha preguiçosa para um feliz dia das crianças

Cartinha preguiçosa para um feliz dia das crianças

Viva! Hoje você e eu vamos passar o dia das crianças juntos. Podia ser na disneylândia, na praia, num circo de malabaristas lindas e ar-condicionado novo. Mas vai ser aqui mesmo, neste canto quente do mundo de onde eu saio toda manhã e para onde volto toda noite. Aqui na “casa do pai”, que é uma das duas casas que você tem hoje e só uma das tantas que haverá de habitar na vida.

Um feliz Dia das Crianças àqueles que já cresceram

Um feliz Dia das Crianças àqueles que já cresceram

Abri o maleiro do meu guarda-roupa e da minha memória para reviver as recordações de uma tenra idade. Minha infância ocorreu nos anos oitenta. Revisitar o passado, abrindo caixas de papelão e sonhos guardados, levou-me a uma incrível viagem através do tempo, onde puder voar novamente num Balão Mágico para um mundo bem mais divertido e super fantástico.

Os homens — estes, sim — deveriam lamber os seus cães

Os homens — estes, sim — deveriam lamber os seus cães

Para o meu cão, deixo o mundo: osso duro de roer. Para o mundo-cão, deixo um esqueleto no armário: resquícios do poeta que minguou em mim. Para os grande cânions, deixo pequenas demonstrações de desespero: os meus latidos de inconformismo a ecoarem, a ribombarem contra as rochas e confundirem os ecos. Para ondas e correntes, deixo as minhas braçadas rio acima.
Para o jardim de inverno, deixo os tais sonhos de uma noite verão. Vocês verão — prezados lírios — que, de tão simplórios, até poderiam ser chamados delírios, ao invés de sonhos.