A obra completa de Mozart para download

O site Mozart Weltweit disponibilizou para download legal e para audição on-line, toda a obra do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, composta por cerca de 700 peças, totalizando mais de 180 horas de música. Mozart foi o mais importante e prolífico compositor do período clássico. Suas obras são referenciais na música sinfônica, concertante, operística, coral, pianística e de câmara. Mozart compôs o primeiro concerto aos 11 anos de idade e o último em 1791, ano de sua morte, aos 35 anos.

Todo dia barulhento espera uma noite silenciosa

Ah, minha mãe. Esse barulho todo me traz você aqui. Penso no seu silêncio no tumulto da nossa casa. Lembro do som da rua quieta enquanto esperava você no portão. Naquele tempo em que esperar por você era minha única angústia da vida. Aqui, no alvoroço desse negócio de viver tudo e dormir nada, de andar apertando os olhos para ouvir alguém entre tanto ruído, me falta você, minha mãe, chegando com a noite e a lua. Silenciosa em sua meia dúzia de palavras. Segura em suas interjeições.

10 livros que vão mudar sua vida

A ideia de que um livro pode mudar a vida de alguém é altamente controversa. Há quem acredite; há quem discorde. O fato é que, caso a leitura de uma obra possa mesmo ser capaz de mudar a vida do leitor, isso depende em grande medida do conjunto de referências culturais e experiências vitais experimentadas por aquele que lê. Não creio, por exemplo, que um livro de filosofia possa mudar a vida de alguém sem disposição para o saber filosófico. Da mesma maneira, um livro de História não causará impacto naquele que não consiga se aperceber de que a compreensão do passado é fundamental para o entendimento do presente.

Contradições acima de qualquer suspeita

Quem nunca afirmou detestar mulheres louras e, de repente, começa a desfilar com uma pantera platine blonde- tintura irretocável, nos volumosos cabelos? Te amo, te odeio. Não suporto peixes, adoro linguado assado. Não tolero homens falantes. Ah, me apaixonei por um deputado honestíssimo. Precisa ver como ele discursa. Pintar a boca de vermelho, jamais! Quero esse batom molhado cor de sangue, máxima duração. Lindo. Não imagino ter filhos e nem terei.

Livros da infância: modos de usar

Diferentemente do que ocorria há dez nos, o mundo me excede. Não sei quanto a vocês, leitores amigos, mas me sinto agredido diariamente por barulhos infernais de toda sorte de aparelhos e veículos, pelo medo constante de assaltos, pela ansiedade que tomou conta de nossas vidas de forma perene. Sim, as aflições cotidianas me esmagam. E também sei que mudei muito — essa é a nossa sina comum. Claro, já não passo horas esfolando os dedos em jogos de futebol no asfalto ou sentado, o mundo à espera, com amigos em calçadas poeirentas. Mas ainda tenho o consolo de poder buscar os livros da infância: leio-os e sou de novo um menino espantado.

Réquiem para a tristeza que nos consome por dentro

Busquemos nas livrarias o livro que sempre desejamos ler, ouçamos a música que embalou nosso mais caro amor, bebamos as bebidas da moda e aquelas que ninguém mais bebe, degustemos pratos exóticos em tardes preguiçosas. Comer, rezar, amar, mas também beber, receber, doar, cantar, ler, ouvir, sentir, tatear, pegar, agarrar. Façamos de nossas vidas um dicionário prático de todos os verbos listados em frios Aurélios e Houaiss.

Elogio da solidão que nos une e nos separa

Eu sou dessa gente que anda só. Não me pergunte por quê. Eu não sei responder e você vai achar que é indelicadeza minha, mas é nada senão a mais sincera incapacidade. Não consigo, não dá. Minha bicicleta não tem garupa, é veículo de um sozinho, descendo uma estradinha esburacada com um equilíbrio tão delicado que é preciso manter as duas mãos no guidão o tempo todo, sabe? Descobri que posso lhe dar uma delas agora e logo tenho de soltar. Não por nada.

O que foi dito bêbado foi pensado sóbrio

Ah, quantos de nós temos coragem de traduzir em palavras as explosões de afeto, fúria ou ódio, claramente estampadas em nossos olhos. Quantos de nós se escondem atrás dos véus da conveniência, ardilosas maquiagens, máscaras de bem-se-relacionar no cotidiano, guardando tudo o que nos ameaça ou fragiliza no quarto escuro de emoções cansadas, amassadas e contraditórias. Francamente. Quase não há espaço para o amor e a ternura se acomodarem junto ao medo, a insegurança e a frieza, pois o quarto é diminuto — do tamanho de uma solitária prisional.

A felicidade é uma coisa foda

Felicidade é ir ao estádio e não ser atingido na cabeça por um vaso sanitário arremessado por um fanático de merda. Felicidade é não comemorar gols de letra com uma torcida burra. Felicidade é vestir o manto sagrado do time, mesmo sendo ateu. Felicidade é sentar no chão da sala e brincar coisas de criança aos 48 anos de idade. Felicidade é dizer toda a verdade mesmo sem estar bêbado. Felicidade é mentir para o filho que a vida será para sempre boa.

A Igreja Universal do Reino do Rock

O demônio “Tranca-Rua da Palavra” afeta a parte cognitiva do cérebro humano e impede a pessoa de conjugar verbos ou cantar palavras que tenham mais de uma sílaba. Foi graças ao “Tranca-Rua da Palavra”, filho da “Pomba Gira dos Monossílabos”, que surgiu o “sertanejo universitário”. Hoje é possível ver muitos jovens brasileiros possuídos por essa nova ameaça. Basta olhar a plateia de shows de duplas como Munhoz & Mariano, Guilherme & Santiago, Jorge & Mateus, além de Luan Santana, o seu genérico Gusttavo Lima, até a Paula Fernandes! Ali está todo mundo endemoninhado.

Eterna meia-noite em Paris

Não se pode negar que Woody Allen, em “Meia-Noite em Paris”, captou bem o charme que tantas gerações de artistas conferiram à cidade. Agradeço aos santos padroeiros do cinema por Woody Allen não ser adepto do hermetismo cinematográfico, esse mal que lota cineclubes e esvazia cinemas: claramente entendemos que no filme ele se questiona se haveria uma idade de ouro melhor do que os tempos atuais em que vivemos.

Me dá sua mão. Vamos caminhar pela vida

Vamos ao mundo, ao tudo e ao nada. Vamos abrir uma empresa e falir juntos. Construir uma biblioteca pública! Vem, vamos pular as poças d’água, empurrar um pé depois do outro no contrafluxo da enxurrada, fuçar os lixos das casas, apertar as campainhas, fugir correndo! Vamos negar os princípios da física, revogar a lei da gravidade e voar por aí, sobre as cabeças rasteiras dos idiotas.

O silêncio também é resposta

O silêncio diz muito mais do que se costuma ouvir de bocas aflitas, que jorram aos borbotões palavras atrapalhadas. Discursos tolos, sem aroma, nem sumo. Por vicio ou pretensa natureza, estamos acostumados a nos relacionar com a boca. Dela emanam sons filosóficos, conexos ou desconexos. Em sua maioria vazios como bolinhas de sabão. Falas de acompanhar a gula de bolinhos de bacalhau, chopes gelados em série, alargando barrigas carentes e solitárias companhias.

Sempre que se sentir sozinho e triste, conte comigo, de segunda a sexta-feira, horário comercial, exceto feriados

Havia uma leva de desesperançados, oprimidos e curiosos no parapeito daquele viaduto sobre a Rua da Amargura, famoso na cidade inteira por servir de suporte aos poetas, bêbados, suicidas e ao público em geral que se amarrava num melodrama. Cronos, o filho de Gaia, estava ali em busca de um rosto, um conjunto novinho-em-folha composto de pele, nariz, lábios, pálpebras, sobrancelhas e expressões, que seria recortado, desinfetado e colado pelos médicos cubanos numa feiosa cratera esquelética onde antes havia uma face de mulher.

Neymar e o racismo: uma tragédia em quatro atos

Atualmente, goste-se ou não, Neymar é o maior ídolo do futebol nacional. Discutir sua qualidade como jogador é estupidez: ele tem um tremendo talento, e já o provou em diferentes contextos. Por outro lado, discutir sua imagem pública e como ele a utiliza é algo que merece muitas reflexões. A principal delas é com relação às suas atitudes perante a questão racial. Eis uma história patética que pode ser resumida em quatro episódios.

O passado é uma fonte em que cada qual bebe conforme a sede

Nos dias de hoje, quando se fala em inovação a gente logo se lembra de alguma geringonça eletrônica, de alguma ferramenta esperta assentada nos conceitos de informática, comunicação e computação eletrônica. O mundo virtual já se tornou tão presente na vida contemporânea que muitas vezes temos dificuldades em entender se alguma coisa é de existência de fato ou meramente virtual. O credito de seu cartão, por exemplo, é de natureza real ou virtual?

15 músicas que são diamantes para os ouvidos

Após apontar 15 filmes que são “diamantes para o cérebro”, fui convidado novamente pelo editor da Bula a elaborar nova lista, desta vez baseada na música nacional. Aceitei de bom grado a proposta, pois creio que as listas constituem um referencial útil ao leitor, que assim pode descobrir tal ou qual artista, ou simplesmente saber um pouco mais de uma obra que, já apreciando, passa a dimensionar sua importância com um pouco mais de profundidade. São composições que me agradam do ponto de vista estético, a denotarem meu gosto peculiar na avaliação das obras (que não é melhor nem pior que o do leitor, é apenas meu).

Senna não é Pelé

Os admiradores de Senna dividem-se em dois tipos básicos: os conscientes e os fanáticos, também conhecidos como “viúvas”. Os primeiros apreciam mais o automobilismo do que idolatram Senna. Sabem que foi um gênio do volante, não um semideus infalível. Os outros parecem acreditar que a principal razão da existência da F-1 foi fazer o Piloto do Capacete Amarelo brilhar. Lamentavelmente, o primeiro grupo é sufocado pelo segundo.

Recado de afeto àqueles que sonham

Lá vai alguém que sonha. Vai pisando seus medos, sofrendo sua ansiedade. Para, respira, sente fome, perde o apetite, foge de sabe-se lá o quê, senta na grama, levanta, dorme, acorda, cantarola, chora. Lá vai alguém que sonha seu caminho leve, procura o sol entre uma sombra e outra e sofre o peso de cada passo, desvia de buracos, armadilhas, arapucas, alçapões. Lá vai alguém que sonha. Vai em cima da hora, acelera na estrada à tardinha. Anda só na companhia de alguém que sangra, que parte e que há de voltar. Segue adiante.

A obra completa de Machado de Assis para download

Uma parceria entre o portal Domínio Público e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística (Nupill), da Universidade Federal de Santa Catarina, sistematizou, revisou e disponibilizou on-line a Coleção Digital Machado de Assis, reunindo a obra completa do autor para download. Além dos romances, “Ressurreição” (1872), “A Mão e a Luva” (1874), “Helena” (1876), “Iaiá Garcia” (1878), “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881), “Casa Velha” (1885), “Quincas Borba” (1891), “Dom Casmurro” (1899), “Esaú e Jacó” (1904) e “Memorial de Aires” (1908), a coleção engloba sua obra em conto, poesia, crônica, teatro, crítica e tradução.