Autor: Marcelo Franco

Mil livros espanarei

Mil livros espanarei

Sempre que afirmo algo parecido, me aparece um sacripanta qualquer para sugerir a contratação de alguém que organize os tantos livros. Não respondo: quem confunde a opção de uma forma de vida com algum tipo de obrigação institucional que mesmo as bibliotecas privadas deveriam ter, segundo esses conselhos, entendeu pouco ou nada dos prazeres que tiramos dos nossos, digamos, desarranjos neuronais causadores do cacoete de acumulação.

Há exatos 121 anos nascia Ernest Hemingway

Há exatos 121 anos nascia Ernest Hemingway

Entrou cedo em minha vida, o grande americano, com “O Sol Também se Levanta”, título e livro ecoando o “Eclesiastes”. Como muitos antes de mim, refiz em Paris os passos dos personagens e até andei buscando vestígios do próprio Hemingway em Pamplona. Não os encontrei, talvez por culpa dos hectolitros de sangria numa tarde calorenta.

Arrivederci, Ennio

Arrivederci, Ennio

Os beijos não são apenas beijos, obviamente; são a infância do personagem principal, Salvatore Di Vita, e, portanto, também a nossa; são os caminhos que Salvatore não tomou e, assim, também os caminhos que todos nós não escolhemos; são a certeza de que a vida, a nossa e a de Salvatore, é mesmo improvisada e com partes excluídas por contingências que nos doem.

Nenhum Brasil existe e Minas não há mais

Nenhum Brasil existe e Minas não há mais

As facilidades da vida moderna (e, contraditoriamente, também as suas agruras) parecem ter tornado a pacata vida burguesa uma paisagem permanente. Já a arte contemporânea, em tudo oposição ao que faziam os mineiros, é esse grande pós-nada e, ainda assim, é best seller nas livrarias, lota cinemas e é vendida a preços estratosféricos nas galerias. Nosso tempo é o de vanglória por conta de textos de 280 caracteres.

A carne é fraca e já li todos os livros

A carne é fraca e já li todos os livros

Hoje, aqueles sete anos, eles só, existem na minha lembrança, mas existem como sete ferretes e doendo sete vezes sete quarenta e nove vezes sete trezentos e quarenta e três ferros pungindo em brasa. Para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba. Querida, ao pé do leito derradeiro.

Prece ao heróis que lutaram contra a barbárie nazista

Prece ao heróis que lutaram contra a barbárie nazista

Tudo muito humano, demasiado humano. Mas houve mais, muito mais: Anne Frank no seu esconderijo, durante anos, em Amsterdã. Von Choltitz, o general alemão que desobedeceu à ordem de Hitler para destruir Paris. Pessoas que deram fuga aos judeus; judeus vivendo em florestas, formando comunidades clandestinas. Londres resistindo heroicamente, durante meses, sob bombardeios diários.

Olga Savary, uma paraense

Olga Savary, uma paraense

Muito do Neruda e do Vargas Llosa que lemos em português vem do seu labor de tradução — e a isso devemos dar graças diariamente, a esse trabalho de formiguinha que tentava nos desasnar a cada novo livro que nos apresentava. E ela ainda nos deu uma tradução de “Paradiso”, aquele calhamaço de José Lezama Lima.

Pedro Nava e o resfriadinho de 1918

Pedro Nava e o resfriadinho de 1918

Neste confinamento forçado, todos — inclusive o degas aqui — já escrevemos sobre o livrinho de Xavier de Maistre, “Viagem em Volta do Meu Quarto”. Virou clichê, assim como recordar Camus e o seu “A Peste”. É justo, é muito justo, é justíssimo, diria aquele personagem interpretado por José Wilker. Mas e Pedro Nava descrevendo a devastação da gripe espanhola? Nada, nadica, nonada? Pois faço aqui a merecida lembrança daquele que nos deu uma das nossas grandes obras em prosa.