Carpe diem

Sobrevivendo ao domingo

Sobrevivendo ao domingo

Amigos velhos, e então, como vai o domingo? Paulo Mendes Campos, cronista tão invejável (invejo quem escreve bem) quanto o urso Rubem Braga, escreveu que, para um domingo perfeito, é preciso “ter na véspera o cuidado de escancarar a janela”. Sim, sim, mas não só as janelas físicas: as metafísicas devem ser abertas ainda com mais vigor aos domingos. Abrir-se, eis um mandamento obrigatório, um, por assim dizer, imperativo categórico.

Churchill por Gary Oldman: uma história de adultos para adultos

Churchill por Gary Oldman: uma história de adultos para adultos

O filme é direto e sem muitas firulas, mas Gary Oldman está realmente excepcional — e a história de maio de 1940, essa história, meus amigos, merece ser recontada muitas vezes (principalmente nesta época em que as grandes lutas são pelo fim dos fogos de artifício para que totós não se assustem e dos saleiros em mesas de restaurantes para que os sais não nos tentem).

“Querencia”: eu e Goiânia

“Querencia”: eu e Goiânia

Aqueles que me conhecem sabem: gosto imensamente de viajar. Não só da viagem em si, mas também da sua preparação e, depois, da sua recordação; por isso mesmo, aliás, leio guias de turismo como se fossem clássicos da literatura. Viajo, logo existo; contudo, a cada nova viagem e retorno, as agruras cotidianas desta cidade que consegue superar constantemente os seus próprios limites de desorganização me exasperam e me levam a me perguntar por que aqui permaneço.

Admito: sou interno de um hospício

Admito: sou interno de um hospício

Escrevi, numa “Carpe Diem” anterior, sobre inícios clássicos de livros; hoje, como prometido, volto ao tema com outros incipit (meu jovem editor: sem variação no plural aqui, por favor). Não são exatamente “clássicos” de melhores começos de livros, mas sim, digamos, parte da minha lista maníaco-idiossincrática.

É o tempo, estúpido: ainda ontem eu tinha 20 anos

É o tempo, estúpido: ainda ontem eu tinha 20 anos

O negócio é o seguinte: praticamente não me abalo da minha casa para ir a cinemas, mas acabei, quase por acidente, numa sala escura vendo “O Filme da Minha Vida”, dirigido por Selton Mello. Festa estranha com gente esquisita. Tudo o que costuma me afastar dessa atividade estava lá para ser enfrentado, gente falando ao telefone, comendo sanduíches gigantescos e tirando os sapatos, mas, reconheço, valeu o esforço. Fui, vi e venci. Venci principalmente o meu preconceito contra filmes brasileiros.

Orgia perpétua

Orgia perpétua

Ali pelo oitavo chope, chegamos à conclusão de que todos os problemas eram insolúveis. Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Penso então em Dean Moriarty, penso no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, penso em Dean Moriarty. Porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda chance sobre a terra. Ultima Thule. Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta. Amava o Grande Irmão.

No princípio, Deus criou os livros

No princípio, Deus criou os livros

“No princípio, Deus criou os céus e a terra.” Em matéria de abertura, meus crentes leitores, a Bíblia continua imbatível: quem a escreveu tinha um poder de síntese magnífico — é o “Vim, vi, venci” dos inícios de livros. Os incipit (plural sem variação, caro corretor) — como são chamados esses inícios de livros — dão muitas vezes o tom do livro. Creio mesmo já ter lido que existe um jogo de adivinhação de autores a partir dos seus incipit — se non è vero, è ben trovato.

Leio, logo tusso (carpe diem)

Leio, logo tusso (carpe diem)

Não sou moreno alto, bonito e sensual, mas garanto a vocês que leio. Vivo entre livros e papéis e tenho a casa hoje totalmente colonizada por livros — para ler todos, rogo para que exista em mim o gene da longevidade de Matusalém. “Leio, ergo sum” é o meu moto, e a minha baleia branca será sempre o próximo livro a ser lido. Posso não entender o que leio, mas venho tentando.