Franz Beckenbauer: um pedaço do futebol morreu

Franz Beckenbauer: um pedaço do futebol morreu

E o futebol mundial lamenta a perda de mais uma de suas lendas. Aos 78 anos, Franz Beckenbauer — o “imperador” ou o “kaiser”, como preferir — partiu para a eternidade, literalmente em um sono profundo. Nascido em 1945, numa Alemanha devastada após os horrores de mais uma guerra entre povos europeus, o atleta elegante promoveu um jogo de classe, notadamente em uma posição onde a normalidade não é o padrão: a de zagueiro. Entretanto, o alemão não era afeito à obscuridade; por isso, brilhou intensamente em toda sua carreira esportiva. Um ás incomparável.

Na infância, Beckenbauer testemunhou o surgimento do lado oeste de seu país como uma potência do futebol ao destronar a poderosa Hungria de 1954 — no “milagre de Berna”, no Estádio Wankdorf, perante os olhares de 60 mil espectadores. Desde então, passou de admirador a admirado, após encaminhar sua incipiente carreira de atleta — na qual se tornou um colecionador de conquistas. Como jogador, as vitórias foram inúmeras; transformou-se em técnico e flertou novamente com o sucesso, sendo um dos poucos a vencer a Copa do Mundo como jogador e treinador; glorioso no Bayern, tanto como atleta quanto como comandante.

As controvérsias e acusações em sua trajetória são minimizadas e eclipsadas por seu talento e suas virtudes. Seja pelo porte com a braçadeira, com a qual se harmonizava como poucos, ou por seus tradicionais óculos e seu terno, elegante e cortês, é certo que o sucesso acompanhou os caminhos desse clássico apreciador das vitórias. Da ascensão de um país dividido à sua consolidação enquanto unificado, Beckenbauer é o símbolo maior de um brilho que pouquíssimos alcançarão, independentemente da era.

Como Zagallo, foi protagonista das Copas dentro e fora das quatro linhas. Atuou também ao lado do rei Pelé, explorando os Estados Unidos em períodos inimagináveis. Tal como Carlos Alberto Torres, foi uma referência e líder. E agora, ao lado deles, integra a Seleção de outra dimensão. No Brasil, atribui-se a alcunha de “beque” aos que atuam na zona defensiva; nada mais justo que essa sutil homonímia sonora, semelhante ao grande ídolo que agora se foi, mas que permanecerá inesquecível aos amantes do belo futebol.

Franz Anton Albert Beckenbauer: o colecionador de taças e de admiração. Sumidade e revolucionário de sua geração. Eterno, pois.


TÍTULOS MAIS IMPORTANTES:

2 Copa do Mundo (1974, como jogador, e 1990, como treinador);
3 Liga dos Campeões
5 Bundesliga
1 Mundial de Clubes
2 Copa da UEFA