Entrevistas

A última entrevista de Oswald de Andrade

A última entrevista de Oswald de Andrade

“Oswald não sorriu, mas ficou satisfeito. Ergueu-se um pouco na cadeira da qual se levantava com dores e problemas. Talvez quisesse provar-se que ainda lhe restavam energia e agressividade. O que o plano exigia, para pegar, era um Oswald irônico, destruidor e com muito recheio, igual ao dos primeiros retratos. Balançou a cabeça, aprovando. A oportunidade de escrever mais um livro, sem muito esforço, entusiasmava-o. Bastaria respondendo às perguntas. Em sua portátil, eu funcionaria como repórter e secretário. Mas logo a princípio, tornou-se evidente que a longa reportagem não poderia obedecer a um esquema rígido. Nada de ordem cronológica.”

A última entrevista de Guimarães Rosa

A última entrevista de Guimarães Rosa

Eis o homem. O homem que em menos de 20 anos, com sua prosa, seu estilo, sua literatura — sem os favores profissionais da medicina, que pode dar saúde mas ainda não deu gênio (cf. alguns prêmios Nobel), conquistou o Brasil, Portugal, a Alemanha, a Itália, os Estados Unidos, o mundo, não? Repara no corpo: mau grado as ligeiras ameaças de obesidade, parece atleta, cavaleiro que foi, ou de bandeirante, que da língua é. Vê como está sobriamente elegante, distinto, sorridente, calmo, aristocrata, como convém a um embaixador (ou não estivéssemos num salão do Itamarati). Mas nada da pose ou dos gestos artificiais com que outros tentam iludir a mediocridade. Quem esperou quase quarenta anos para publicar o primeiro livro, ou quem avançou sozinho pelos grandes sertões da língua, não precisa ter pressa nem pedir emprestado um corpo, uma casaca, máscaras.

A última longa entrevista de Sigmund Freud

A última longa entrevista de Sigmund Freud

Sigmund Freud (1856-1939), o judeu austríaco fundador da psicanálise, estudou medicina em Viena. Continuou a sua formação em Paris, junto a Jean-Marie Charcot, que empregava a hipnose como tratamento para a histeria. Mais adiante, Freud desenvolveria a sua teoria psicanalítica. Sustentava que a neurose era produto da sexualidade infantil.

O amor é outra coisa, mas o Edson Aran é isso aqui mesmo!

O amor é outra coisa, mas o Edson Aran é isso aqui mesmo!

O escritor Marcel Proust gostava de jogar uma brincadeira de salão chamada “Confissões”, onde os participantes respondiam perguntas pessoais. Em sua homenagem, hoje o jogo ficou conhecido como “Questionário Proust”. Querendo entender que outra coisa é essa que chamam de amor, a Bula fez uma sabatina das mais amorosas com o bedel do cupido, o jornalista, cartunista e escritor Edson Aran.

Felipe Neto responde ao Questionário Proust

Felipe Neto responde ao Questionário Proust

Na Inglaterra vitoriana o escritor Marcel Proust gostava de jogar uma brincadeira de salão chamada “Confissões”, na qual os participantes respondiam perguntas pessoais. Em sua homenagem, hoje o jogo ficou conhecido como “Questionário Proust”. Sempre em busca do tempo perdido, a Bula fez uma sabatina proustiana com o vlogueiro Felipe Neto. Quem é Felipe Neto? Para alguns é Felipe, o Belo, seguindo a tradição do rei francês que processou os templários (nosso Felipe é especialista em escapar de processos). Para outros, esse Neto é um filho da mãe. Para Bula é um intelectual influente, que merece respeito.

A última entrevista de Jorge Luis Borges

A última entrevista de Jorge Luis Borges

“Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção.” Jorge Luis Borges nasceu em 1899 na cidade de Buenos Aires, Argentina, e morreu em Genebra, Suíça, em 1986. Entrelaçando ficção e fatos reais, Borges concentrou-se em temas universais, o que lhe garantiu reconhecimento mundial. É considerado o maior escritor argentino de todos os tempos e um dos mais importantes nomes da história da literatura.

A última entrevista de Clarice Lispector

A última entrevista de Clarice Lispector

De minha sala até o saguão dos estúdios tenho que percorrer cerca de 150 metros. Estou tão aturdido com a possibilidade de entrevistá-la que mal consigo me organizar naquela curta caminhada. Talvez falar sobre “A Paixão Segundo G.H”… Ou quem sabe sobre “A Maçã no Escuro” e “Perto do Coração Selvagem”… Vou recordando o que Clarice escreveu. Será que li tudo? Em apenas cinco minutos consegui um estúdio para entrevistá-la.

A última entrevista de Manuel Bandeira

A última entrevista de Manuel Bandeira

Ninguém sabe explicar como aquele homem, castigado, tantos anos, pela doença, não amargou. Disse Mário de Andrade: “Eu fico espantado de como há certos homens no mundo! Tu, por exemplo. Essa sublime bondade inconsciente, bem no íntimo, de quem nem sabe que é bom”. Vou além. Acho que Manuel Bandeira nem tem plena consciência de sua imensa envergadura de gente e poeta. Acho que, talvez, os quatro anos que viveu em sua terra, Recife, é que explicam, mais que os males, o homem de hoje. Diante de mim está o gigante de nossa poesia: Manuel Bandeira, em seu modesto apartamento, atulhado de livros e calor humano, na Avenida Beira-Mar, no Rio.