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Chamado de louco. Internado em hospícios. Morreu aos 41 anos. Sua obra ensinou o Brasil a dar nome à dor

Chamado de louco. Internado em hospícios. Morreu aos 41 anos. Sua obra ensinou o Brasil a dar nome à dor

Afonso Henriques de Lima Barreto aprendeu o Rio no trem suburbano e viveu do salário de amanuense. Negro, atravessou o pós-Abolição entre repartições do centro e ruas de Todos os Santos, fazendo da cidade matéria de vida. Sofreu internações no sistema manicomial, resistiu ao cerco de salões e morreu cedo, aos 41, em novembro de 1922. Ignorado em vida, volta como referência: sua voz periférica, direta e irônica ajuda a ler o Brasil urbano, suas exclusões.

Os 11 maiores atores da história do cinema: a seleção suprema

Os 11 maiores atores da história do cinema: a seleção suprema

Esta lista organiza onze atores no sistema 4-3-3, adotando a linguagem tática do futebol como ferramenta comparativa para o cinema. Concebida por um historiador e um físico, ela posiciona temperamentos de tela em funções de jogo, quem ancora, quem organiza, quem rasga espaço. Os critérios são explícitos: impacto histórico, amplitude de registro, precisão técnica, potência de imagem e capacidade de alterar o tempo interno de um filme.

O amor é um tormento

O amor é um tormento

A manhã se abre entre o pão na chapa e o café amargo, mas a mesa se transforma em espaço de confissão. Orlando revela a agonia do coração materno prestes a romper, aneurisma que ameaça a vida. Maranhão convoca as sombras da própria infância: a mãe perdida cedo demais, a pobreza sem trégua, os abusos silenciados pelo tempo. Entre memórias e dores, ambos constroem uma comunhão rara, marcada pela franqueza crua da existência. No silêncio que sobra, permanece a certeza: o amor é tormento.

O melhor romance brasileiro de 2025 (até agora)

O melhor romance brasileiro de 2025 (até agora)

Um romance-dossiê que aproxima Machado de Assis do mito gótico de Drácula, “Quincas Borba e o Nosferatu” confirma o talento de Edson Aran em cruzar tradição e risco criativo. A montagem de cartas, relatórios e diários substitui o narrador onisciente por múltiplas vozes em atrito, transformando dúvida em suspense. Quincas Borba vira investigador, Brás Cubas falha com ironia e Capitu assume desejo e ação em um Rio Imperial vivo.

Há 100 anos, tentaram calar uma poeta; ela recusou o silêncio e desmascarou a hipocrisia moralista

Há 100 anos, tentaram calar uma poeta; ela recusou o silêncio e desmascarou a hipocrisia moralista

Entre vitrines novas e vigilância doméstica, Gilka Machado fez do corpo pensamento e pagou com décadas de silêncio. No Rio reformado por Pereira Passos, publicou versos que afrontaram a patrulha moral e o biografismo. Atuou no Partido Republicano Feminino desde 1910, viu o voto chegar em 1932 e manteve a escrita enquanto criava filhos, enfrentava a viuvez e organizava o legado do marido. Chamaram-na “matrona imoral”; ela respondeu com ofício. Drummond a definiu como a primeira mulher nua da poesia brasileira: nudez da língua, não da pessoa, sem pedir licença.