Novas tendências deixam o consumidor na maior fissura

Voracidade é a palavra de ordem. Hoje vivemos cercados de demandas que reverberam à nossa volta. Gula. Desejos desenfreados. Ambição desmesurada. Consumismo compulsivo e, claro, busca frenética pelo “novo”. Assim uma série de termos, decodificando estilos atitudinais contemporâneos, vem sendo despejada cotidianamente no market share ou mercado de consumo. Newism, Presumers. Você já conhecia estas expressões? Então vamos a elas.

Atualmente, comprar não basta. O frenesi almejado da customização nos torna adeptos do Newism, dos lançamentos de produtos, serviços e itens inusitados.

Mas a coisa vai mais longe. E é mais séria. Além de perseguir ineditismos, eu e você, pilhados consumidores modernos, fazemos absoluta questão de sermos os primeiros a adquirir determinados produtos. O mundo virtual, com sua aceleração e crescimento (de informações, empolgação e atenção) desenvolve contínua vontade de contar histórias de status. Este storytelling, estas narrativas ficcionais da atualidade, portanto, alimentam ainda mais a necessidade infindável dos consumidores por experiências inauditas, especialmente intensas em um universo, aonde a maior parte das identidades é apresentada unicamente online.

Consequentemente, qualquer experiência que poucas pessoas possam ter ou já tenham tido indica um nível de sucesso. Por outro lado, cada vez mais deparamo-nos com um número maior de indivíduos em busca de sensações “únicas”. Esse tipo de demanda está ficando mais difícil de encontrar e caro, lógico.

A alternativa (mais barata e prática) é que aqueles ávidos por status recorram ao Experience Cramming: a arte de colecionar e misturar o maior número de experiências inusitadas possíveis.

Desta forma, se a sede do inusitado declara-se vampirescamente irrefreável, não basta que você se assegure de estar obtendo o que há de mais novo disponível. Tomado de grande ganância, quer se apoderar dos pré-lançamentos, ser dono do que ainda não chegou às prateleiras de nenhum lugar no mundo. Quem você é, afinal? Um Presumer, naturalmente.

Alguém aficionado na economia das expectativas. Em plataformas de crowdsourcing e novas tecnologias de manufatura que finalmente estão se tornando populares. Assim, seja pela motivação para criar o “produto perfeito”ou pela excitação em fazer parte de uma causa, Presumers adoram se envolver, ajudar, financiar e promover produtos, serviços antes que eles existam. Analise o seguinte exemplo.

Demo Hour: a primeira plataforma chinesa

Lançada em maio de 2011 em Pequim, Demo Hour é a primeira plataforma de crowdfunding, uma coleta de financiamentos múltiplos, chinesa. Seguindo o modelo-padrão de outras plataformas de crowdfunding, os criadores postam os seus projetos que são suportados por pessoas comuns em troca de prêmios que podem ser produtos, experiências especiais ou até mesmo acesso aos próprios criadores. Demo Hour recolhe 10% do valor total arrecadado de projetos bem sucedidos. Observe outra demonstração provocativa.

Who Gives a Crap? Papel higiênico

Lançada em Melbourne, Austrália, Who Gives a Crap é uma nova marca de papel higiênica dedicada a construir banheiros em países em desenvolvimento.

Motivado pelas notícias de que 2,4 bilhões de pessoas no mundo não possuem acesso a saneamento básico, o fundador Simon Griffith decidiu usar um produto indispensável do dia-a-dia para ajudar a transformar esse cenário. Who Gives a Crap destina 50% do seu lucro para ajudar países em desenvolvimento — para sempre. Presumers abraçaram a causa, logo em seu início, arrecadando 50 mil dólares em apenas 50 horas.

Novas promessas se acumulam

Vamos mostrar rapidamente a ponta do iceberg. O mobile crescerá em força, demanda e usabilidade, aliás, como se esperava. Paralelamente, os mercados emergentes sairão detrás das cortinas e exibirão sua cultura de um modo crescente. Símbolos, estilos de vida e tradições que antes eram menosprezadas (quando não negadas) serão fonte de orgulho para consumidores domésticos e objeto de interesse para consumidores globais. É isso. Apresentamos aqui apenas o comecinho de significativas e transformacionais mudanças que afetarão sensivelmente nossas vidas e cotidiano.

Por enquanto, contente-se em deixar seus olhos imersos na saliva da curiosidade. Vem muito mais por aí. Os caçadores de tendências, ou cool hunters poderão, muito em breve, dar a sua tão sonhada mordida em tudo que está para aterrissar entre nós.

E você também. Segure sua ansiedade, então (isto é, caso consiga…).