Ideias

Sobre Dórias e Grafites

Sobre Dórias e Grafites

Corre uma discussão sobre grafites, o que infelizmente desviou a minha atenção de assuntos mais importantes, como o diplomata que vai participar do BBB. Bem, nenhum homem é uma ilha, já se sabe, e por isso larguei a “História da Arte”, de Gombrich, que lia pela terceira vez, e apliquei as minhas células cinzentas ao caso. Vejamos. Acho grafite algo medonho. Grafite feio, aliás, é coisa mais comum no Brasil do que febre amarela e bócio. Naturalmente, portanto, aplaudi a ordem do Dória de tratorar a coisa toda em São Paulo.

Um tosco e uma Messias com laivos de Al Capone

Um tosco e uma Messias com laivos de Al Capone

Eleições nos Estados Unidos. De um lado, um sujeito vulgar; de outro, uma mentirosa contumaz. Trump é o cara que todos adoram odiar (um cacoete adolescente), mas é, apesar das matérias muito editadas do telejornais, articulado. Sua única ideia realmente estranha é o tal muro; sua construção, porém, poderá eventualmente ser barrada pelo Congresso e pela Suprema Corte. Com a vida vasculhada, descobriram que gosta de mulheres (sem comprovação de ataques físicos, ao contrário do sr. Clinton), usa mecanismos legais para não pagar impostos e tem um corte de cabelo ridículo, muito piorado pelo tom acaju, ofendendo assim o senso estético da intelligentsia.

As Crônicas de Gelo e Fogo são literatura menor e a série Guerra dos Tronos é diversão descartável

As Crônicas de Gelo e Fogo são literatura menor e a série Guerra dos Tronos é diversão descartável

A história é conhecida. Uma série estreia. Faz sucesso de crítica. Começa a chamar atenção do público. Torna-se fenômeno pop. Domina a internet. As críticas negativas são rechaçadas com violência. Duas opções se desenham: a série é esticada desnecessariamente ou a série termina na hora certa. A série acaba. O último episódio é muito comentado. O interesse pela série começa a esfriar. Os DVDs da série entram em promoção no bacião de refugos das Lojas Americanas.

As cartas perdidas de Caio Fernando Abreu

As cartas perdidas de Caio Fernando Abreu

Decidi achar as cartas do Caio Fernando Abreu no meu arquivo (soterrado de papéis, acumulados em décadas). Ele escrevia normalmente para mim nos anos 1970, quando por um tempo fomos muito amigos e nos correspondemos, ele em Porto Alegre, eu em São Paulo. Biógrafos e estudiosos já me pediram essas cartas. Uma biógrafa chegou a duvidar da existência delas, já que eu não ofereço a aparência de um capital simbólico suficiente para convencer os deslumbrados. Mas por algum motivo não cedi. Agora vou revisitar cada uma delas, sem obedecer a nenhuma cronologia. São todas cartas legítimas, originais, com a assinatura do amigo que já tinha grande prestígio na época e se transformou num escritor cult, numa celebridade nacional, queridíssimo por muitos milhares de leitores.

Os 10 melhores quadrinhos de super-heróis de todos os tempos

Os 10 melhores quadrinhos de super-heróis de todos os tempos

Os quadrinhos de super-heróis são a narrativa épica do nosso tempo. Não temos mais Ulisses, Poseidon e Homero, mas temos Doom Patrol, a Irmandade Dadá e Grant Morrison. Não faça essa cara. As pessoas ouviam as narrativas de Homero para escapar do quotidiano chato da Grécia Clássica. Nós lemos quadrinhos de ação pelo mesmo motivo. Não há nada de novo sob o sol. Ou melhor, há sim: super-heróis com colãs multicoloridos! Bang! Pflot! Zum!

Um Conan existencialista: pra quem gosta de “Game Of Thrones”

Um Conan existencialista: pra quem gosta de “Game Of Thrones”

Embora seja um ilustre desconhecido no Brasil, o escritor Michael Moorcock é uma lenda da literatura fantástica britânica. Influenciou todo mundo: Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, Douglas Adams, Terry Prachett e George R.R. Martin, criador da série “Game of Thrones”. Moorcock também editou a revista de ficção científica “New Worlds” de 1964 a 1996, sendo responsável pela chamada “new wave” do gênero, que revelou (além dele próprio) escritores como J.G. Ballard (de “Crash”) e Ursula K. Le Guin (de “A Mão Esquerda das Trevas”).

Tem livros que insistem em nos largar

Tem livros que insistem em nos largar

Tem livros que insistem em nos largar. A gente se esforça pra gostar, volta, relê, mas não adianta: o livro não vai. Quando bati o olho em “Ele Está de Volta”, de Timur Vermes (Intrínseca), foi atração imediata. Só que Timur Vermes confunde “tema” com “trama”. Hitler no século 21 é um bom tema, mas não chega a ser uma trama. E aí, como não tem uma história pra contar, o que sobra são longuíssimas observações de Adolf Hitler sobre a decadência do mundo e da Alemanha, em particular. Lá pelas tantas, você começa a suspeitar que o autor simpatiza demais com as ideias do personagem.

Humor é subversão. O resto é gracinha

Humor é subversão. O resto é gracinha

Nós usamos a expressão “Indústria dos Quadrinhos”, mas nunca, jamais, “Indústria da Literatura”. Bem feito pra literatura. E bem feito pra todos os escritores que sofrem pela humanidade com o coração sangrando e o bolso vazio. Indústria pressupõe a existência de cliente, consumo, produção e, consequentemente, dinheiro. Mas nas HQs, como nos livros, quem fatura é o editor, claro.

A vida é muito curta pra perder tempo com livro chato

A vida é muito curta pra perder tempo com livro chato

Ler sempre foi uma aventura, uma jornada, uma descoberta, uma busca. Muito antes de Jorge Luis Borges apontar as semelhanças entre Simbad e Odisseu (que li muito cedo, em edições para crianças), eu já havia percebido as notáveis coincidências. De certa forma, tudo o que li depois disso foi uma busca pela mesma vertigem proporcionada pela saga dos dois marinheiros. E é disso que esta coluna vai falar. Da busca de coisas pra ler. Livros, na maioria das vezes. Mas não só. E não vou falar apenas de coisas recém-chegados às livrarias. Não. A ideia aqui é partilhar descobertas e não seguir a agenda de lançamentos. Afinal, não existe livro novo: existe aquele que você leu e aquele que você não leu.

20 aforismos de Franz Kafka

20 aforismos de Franz Kafka

“Muitos se queixam de que as palavras dos sábios são sempre só parábolas, inúteis na vida quotidiana; e só esta nos é dada. Todas as parábolas dizem apenas que o incompreensível é incompreensível; e isto já sabemos. Disse um: “Porque resistes? Se obedecesses às parábolas, transformar-te-ias em parábola, e estarias livre da vida quotidiana.” Outro disse: “Eu gostaria de apostar em que isto também é uma parábola.” O primeiro respondeu: “Ganhaste.” O outro disse: “Mas infelizmente, só na parábola.” E o primeiro: “Não, na realidade; na parábola, perdeste.”