Autor: J.C. Guimarães

A arte brasileira é tão boa quanto a de qualquer outro país

A arte brasileira é tão boa quanto a de qualquer outro país

Mas afinal: a arte de alguns países é melhor do que a arte de outros? O que parece ser uma pergunta tola pode revelar muito sobre a maneira com que os mecanismos ideológicos do circuito cultural funcionam, e para tais circuitos a resposta implícita em seu modus operandi é sim. Sabemos de antemão que, como em outros casos, pretende-se que haja uma arte de centro e uma arte de periferia.

Não Olhe para Cima: nem meteoros conseguem extinguir os imbecis

Não Olhe para Cima: nem meteoros conseguem extinguir os imbecis

“Não Olhe Para Cima” (2001) é um filme da Netflix sobre débeis mentais poderosos cuja paranoia permite que um cometa caia na Terra e cause a extinção da humanidade. Sim, a loucura foi inspirada no mundo real. E, para ser ainda mais fiel ao hospício, salva-se apenas um pequeno grupo de canalhas: políticos e empresários que se safam pelo espaço pouco antes que o cometa liquide o restante da espécie, que deveriam proteger.

A arte segundo comunistas e fascistas

A arte segundo comunistas e fascistas

O comunista Vladimir Kemenov, o nazista Adolf Hitler e um deputado norte-americano (este em 1949) acusaram publicamente a arte moderna de ser degenerada. Segundo Kemenov aquela profusão de ismos — cubismo, surrealismo, dadaísmo, futurismo — servia à burguesia decadente; segundo George A. Dondero ela servia aos comunistas, e segundo o Führer essa mesma arte servia a judeus e bolcheviques, ao mesmo tempo em que era produto da orfandade étnica.

O livro hipnotizante e visceral de J. M. Coetzee

O livro hipnotizante e visceral de J. M. Coetzee

Entende-se perfeitamente por que J. M. Coetzee ganhou o Prêmio Nobel de literatura. Sua prosa é a mais límpida que se possa imaginar: frases curtas e precisas, vocabulário simples, discurso direto e gosto pelo verbo, com o frescor da conjugação no tempo presente. A consciência martela o tempo todo, mas a ação é constante como nos romances de aventura.

A escancarada beleza do feio

A escancarada beleza do feio

A discussão sobre o “feio” na arte é particularmente significativa em finais do século 19, ambiente do qual Picasso emergiu. É o momento de transição entre aquela arte baseada no desenho acadêmico e a arte moderna, que redefiniu os conceitos de desenho e de cor (antes, também naturalista).