Autor: J.C. Guimarães

Reparação, de Ian McEwan: um livro sobre a complexidade da vida, amadurecimento e perda da inocência

Reparação, de Ian McEwan: um livro sobre a complexidade da vida, amadurecimento e perda da inocência

Ver com os próprios olhos é o suficiente para sabermos a verdade sobre um acontecimento? Talvez seja essa a questão de fundo em “Reparação” (Companhia das Letras, 2001, tradução de Paulo Henrique Brito), obra do escritor inglês Ian McEwan. Quatro centenas de páginas demonstram que a resposta não é nunca tão óbvia quanto um “sim”, uma vez que a imaginação deve ser considerada; ela reage com os sentidos e influencia poderosamente nossa percepção da realidade.

Terraplanismo e pensamento conservador

Terraplanismo e pensamento conservador

Apesar da ampla audiência em sociedades tradicionais como a brasileira, o terraplanismo é frágil diante de um fato incontestável: a perpétua metamorfose da realidade em outra coisa. A mudança é inerente a tudo o que existe na Natureza (incluindo o homem), e culpar a cultura — pretensamente “globalista” — de subverter crenças é inútil.

Como um animador de circo vira presidente

Como um animador de circo vira presidente

A massa humana é uma força gravitacional que arrasta tudo para baixo. Qualquer cálculo de sucesso, no mercado, deve ter em vista que a maioria das pessoas tem uma inteligência bem rudimentar e só entende o que é básico. Assim como nenhuma poderosa marca existe sem ajoelhar-se ao Deus Massa, também nenhum ídolo, astro ou líder sobrevive sem prestar-lhe culto regular.

1984, de George Orwell: a exploração do homem pelo homem está em sua natureza

1984, de George Orwell: a exploração do homem pelo homem está em sua natureza

A inspiração de Orwell é evidentemente o Comunismo, que está no auge nos anos 40 do século 20. Oceania não tem capital, mas os prédios do governo localizam-se em Londres, centro da narrativa. Parece haver uma lógica teórica nisso: Marx acreditava que a revolução proletária devia ocorrer num país industrializado da Europa, precisamente Inglaterra ou Alemanha, e jamais num país feudal como a Rússia czarista.

Quem, ou que é, o juiz Holden, de Meridiano de Sangue

Quem, ou que é, o juiz Holden, de Meridiano de Sangue

A dissociação entre homem e natureza é uma invenção da cultura, sendo que esta traçou uma fronteira entre o humano e o animal, por meio dos símbolos. Cormac McCarthy violenta essa fronteira e lança-nos de volta às nossas origens mais atávicas, quando não reconhecíamos nossa humanidade. Vivíamos sujeitos aos próprios instintos, sob a hostilidade de um universo absolutamente estranho e maligno, nem sempre visível.

É preciso reafirmar a dignidade das Ciências Humanas, contra o negacionismo dos ventríloquos

É preciso reafirmar a dignidade das Ciências Humanas, contra o negacionismo dos ventríloquos

O negacionismo atual começou por negar a Política. Foi o começo de tudo, e explica muita coisa. Há coerência, apesar do déficit de tutano cerebral dos novos paladinos da sabedoria. Pois, amigos, quero ver fazer política sem Sociologia! Apesar de Brasília preferir agir no escuro (o que explica tantas aberrações), não existe governo viável sem programas e projetos.

O Amor nos Tempos do Cólera: o grande livro de García Márquez que ficou à sombra de Cem Anos de Solidão

O Amor nos Tempos do Cólera: o grande livro de García Márquez que ficou à sombra de Cem Anos de Solidão

Se o “O Amor nos Tempos do Cólera” possui menos crédito do que “Cem Anos de Solidão”, é porque aprendemos a esperar do escritor colombiano histórias recheadas de coisas absurdas, como fizera naquela obra em que criara certamente mais dificuldades para seus leitores. A dupla latino-americano formada por Mário Vargas Llosa e Gabriel García Márquez anunciava-se ao mundo no final dos anos 1960, e o último exporia uma nova faceta do realismo mágico-fantástico iniciado por Alejo Carpentier e Jorge Luis Borges em décadas anteriores.