Ensaios

Nenhum Brasil existe e Minas não há mais

Nenhum Brasil existe e Minas não há mais

As facilidades da vida moderna (e, contraditoriamente, também as suas agruras) parecem ter tornado a pacata vida burguesa uma paisagem permanente. Se não há mais jovens como os escritores mineiros, não haverá quem queira, como eles — é Nava quem conta —, “a deposição do presidente do Estado, o encarceramento dos seus secretários, um esbordoamento de deputados e uma matança de delegados”. Já a arte contemporânea, em tudo oposição ao que faziam os mineiros, é esse grande pós-nada e, ainda assim, é best seller nas livrarias, lota cinemas e é vendida a preços estratosféricos nas galerias. Nosso tempo é o de vanglória por conta de textos de 140 caracteres.

Os sinos que unem John Donne, Hemingway e Raul Seixas

Os sinos que unem John Donne, Hemingway e Raul Seixas

Apesar de cético, Hemingway tem muito de influência do anglicano John Donne. A citação do inglês no livro, portanto, é mais do que uma simples referência: talvez esteja mais para deferência, ou até reverência. O que chega a ser uma ironia: Donne, um dos principais arquitetos do pensamento de Hemingway, esteve no porão até seu reaparecimento, no preâmbulo de “Por Quem os Sinos Dobram”. “Por Quem os Sinos Dobram” influenciaria também o pensamento de um controverso e genial artista brasileiro: Raul Seixas, que batizou seu 9º álbum — e uma de suas canções — com esse título.

Em uma sociedade de analfabetos, ser inteligente na adolescência virou crime

Em uma sociedade de analfabetos, ser inteligente na adolescência virou crime

No campo da cultura produzida em escalas industriais, quando se pensa na adolescência “moderna”, no jovem da “era digital-globalizada”, descreve-se logo a imagem de um sujeito desapercebido do mais comezinho senso crítico. É que “quem está na fase de transformações” pode tudo: de dançar as músicas analfabetas de Mr. Catra a permanecer horas diante da tela da televisão consumindo patéticos melodramas novelescos (das seis, das sete, das oito, das nove, das dez horas); de ver seguidas sessões de blockbusters hollywoodianos caça-níqueis a “torcer” pelas vítimas da acefalia que participam da “nave louca” dos reality shows, tudo é “fase”, “logo passa”.