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Eu conspiro contra o universo

Eu conspiro contra o universo

Não me casei. Não me casei porque não quis. Perdi o juízo aos 38. Tinha passado incólume pelo ímpeto de me atirar de um tédio sobre os braços invisíveis do esquecimento. Sempre fora uma famosa ninguém, uma célebre em nada, uma PhD em pessimismo e neurastenia. A partir de tal ruptura emocional, a primeira atitude que me ocorreu, enquanto persona desajustada, foi aposentar o relógio de pulso nalgum canto da mobília. Recebera como herança um diagnóstico reservado e o relógio de bolso do meu avô paterno, o qual foi solenemente esquecido num poço insondável da minha memória.

“Os Substitutos”, de Bernardo Carvalho, expõe o fim do mundo Divulgação / Pablo Saborido

“Os Substitutos”, de Bernardo Carvalho, expõe o fim do mundo

A boa ficção se preocupa em apenas expor situações e personagens, sem a necessidade de apresentar provas. Quem documenta e busca comprovações são os cientistas e os jornalistas. Ao fazer a exposição da realidade, o artista chega antes dos outros (a ciência, sobretudo) a uma verdade. No Brasil, o escritor Bernardo Carvalho é um dos mestres do jogo ficcional que se aproxima e se afasta do “real”. Ele desconfia do chamado realismo e luta contra a ideia de escrita como registro. “A verdade está perdida entre todas as contradições e os disparates”, escreveu ele no romance “Nove Noites” (2002).

Pensando fora da caixinha

Pensando fora da caixinha

Existem algumas expressões que estão na moda. Outras que não saem de moda. Outras ainda que são queridinhas de coaches e palestreiros, esses caras que ganham rios de dinheiro dando palestras para motivar pessoas a contratar cada vez mais palestras motivacionais. O problema é que as pessoas escutam essas expressões e não entendem o seu real significado, mesmo escutando elas várias vezes em várias palestras motivacionais.
Entenda agora o que elas significam de verdade de uma vez por todas.

Gemma Bovery: obra-prima do cinema europeu está no Prime Video e você possivelmente não assistiu Jérôme Prébois / Albertine Productions

Gemma Bovery: obra-prima do cinema europeu está no Prime Video e você possivelmente não assistiu

No deslumbrante cenário do interior da Normandia, é apresentado “Gemma Bovery”, dirigido pela cineasta luxemburguesa Anne Fontaine. O filme é protagonizado por duas figuras de distintas origens: de um lado, temos o observador atento e com vasta bagagem literária, interpretado magistralmente por Fabrice Luchini, ator francês que honra a arte dos Lumière; do outro, a atriz inglesa Gemma Arterton, que, apesar de seu desempenho por vezes burocrático, destaca-se nas cenas sensuais, nas quais exibe todo seu conhecimento pessoal. Ela se destaca da maioria dos atores ingleses que, frequentemente, possuem uma sólida formação teatral.

Pequena Coreografia do Adeus: o perigo da literatura de Aline Bei tornar-se um pássaro morto Renato Parada / Divulgação

Pequena Coreografia do Adeus: o perigo da literatura de Aline Bei tornar-se um pássaro morto

O maior perigo para uma revelação literária é não conseguir cumprir com as expectativas em seu segundo livro. “Pequena Coreografia do Adeus” é o segundo livro de Aline Bei, consagrada com seu premiado livro de estreia, o romance “O Peso do Pássaro Morto”. Seu estilo próprio de escrever prosa em versos conquistou corações e mentes e foi muito falado nas redes sociais, mídia que Aline Bei domina como poucas.