A lição de “Faça Acontecer”, de Sheryl Sandberg, para as meninas de “Girls”

A indústria norte-americana do entretenimento está apaixonada por Lena Dunham. Do alto dos seus 26 anos, ela já dirigiu um filme, “Tiny Furniture” (2010), assinou um contrato de US$ 3,5 milhões com a editora Random House para publicar seu primeiro livro e acaba de encerrar a segunda temporada de “Girls”, série televisiva de sucesso que criou e protagoniza.

A era do instantâneo: bobeou, você vira leite em pó

Estamos habitando — ou levitando, caso já nos tenhamos transformado em irrevogáveis avatares, seres cíbridos ou espectrais, deste surpreendente século 21 — a Era do Instantâneo, do Flash-Vivencial-Mob. Do #partiuimprevistos. Ops. Já é, como enfatiza a galera jovem, sempre antenadíssima.

Não temos tempo a perder, diz a música. Por isso, roemos todas as nossas unhas, cultivamos poderosas gastrites, como plantas regadas nos “vasos do stress” e parecemos, então, com aqueles animais domésticos endoidecidos, gatos, cachorros, rodando em círculos pela casa, no intento de morder a própria cauda — que, claro, jamais conseguimos.

As flagrantes fragrâncias de Florence

O que mais agradava a Davi eram os cheiros da Florence. Uma fragrância diferente para cada dia da semana. Adolescentes estudavam na mesma escola. Davi sentia um prazer inconteste quando ela entrava na sala um pouquinho antes da sete horas da manhã, trancinhas no cabelo, abraçada a uma pilha de livros e cadernos que a mãe vivia advertindo qualquer dia acabariam detonando a sua coluna.

Gringos valorizam assaltantes que falam inglês

O ex-presidente FHC é considerando pela ONU uma das pessoas mais inteligentes do mundo. Dentre os intelectuais de alcance global, a revista “Foreign Policy” o classifica como um dos mais influentes da atualidade. Se mais influente do que inteligente, ou vice-versa, não vem ao caso. O que importa é que desta vez quero escorar meu artigo nas ideias de um camarada que goza de altos conceitos nas rodas dos mais sábios do mundo. Quero ver alguém falar que estou escrevendo bobagens.

16 tipos de beijos e um desejo desesperado

De imediato, basorexia é um termo que me lembra de uma palavra que eu ouvia vez por outra nos meus tempos de infância em Madrid, onde nasci. “Basura”, que simplesmente em espanhol significa lixo. Vamos combinar que a princípio, ao menos, basorexia não sugere nenhum detrito, nada fétido ou escatológico por exagero. Pois estamos falando do desejo, da compulsão mesmo irrefreável de beijar. Beijar muito. Beijar enlouquecidamente. Beijar sem parar.

11 criaturas praticamente humanas da literatura mundial

Tenho um amigo jornalista que adora fazer listas de preferência: os 10 mais de todos os tempos, os 100 piores, os 1000 imperdíveis, e por aí vai. Desconfio que ele se sinta em êxtase até mesmo quando a esposa coloca em suas mãos uma reles lista de compras do supermercado. Medir, calibrar, graduar, comparar, ranquear o indivíduo dentro dos contextos mais variados da atividade humana parece uma necessidade fisiológica, como mentir, difamar e defecar na entrada ou na saída (eu insisto: tem muita gente imprestável que faz merda tanto na entrada quanto na saída, independentemente da cor e do credo).

Dormi no ponto

Aquela não é terra para velhos. (…)
Um homem velho é apenas uma ninharia,
trapos numa bengala à espera do final.

— William Buttler Yeats —, em “Velejando para Bizâncio”

Tenho a nítida impressão de que dormi no ponto. E não foi no ponto de ônibus, nem no ponto do avião. Dormi mesmo foi no ponto da vida. Faltou-me clarividência para os momentos exatos de cristalização das oportunidades. Faltou-me o faro para identificar a hora e a vez em que determinado sonho poderia converter-se em projeto e ser entabulado para o sucesso.

Entrevista com Mo Yan: Eu falo quando quero

Nobel de Literatura em 2012, o escritor chinês, em sua primeira entrevista após o prêmio, fala ao semanário alemão “Der Spiegel” de sua relação com o Partido Comunista, polemiza sobre o regime e critica desafetos

“Eu falo quando quero” é uma das frases de Mo Yan, o au­tor chinês laureado com o Nobel da Literatura em 2012, que se encontra na entrevista a seguir. Muito já havia sido publicado sobre o autor antes que ele recebesse o prêmio. Mais ainda após a cerimônia realizada em Estocolmo, em 7 de dezembro de 2012. Constata-se que a profusão de informações mais serviu para confundir do que aclarar.

Os 10 maiores poemas dos últimos 200 anos

No mês de novembro de 2011, perguntei a 30 convidados — escritores, críticos, professores, jornalistas — quais eram os maiores momentos da poesia mundial em todos os tempos. O resultado, “Os 10 melhores poemas de todos os tempos”, causou uma grande polêmica, por omitir nomes como Shakespeare, Homero, Ovídio e Dante. Em comemoração ao dia mundial da poesia, comemorado na quinta-feira, 21, refiz a pergunta e pedi aos leitores, seguidores do Twitter e Facebook, que apontassem, entre poemas conhecidos de autores brasileiros e estrangeiros, quais são, em suas opiniões, os melhores publicados nos últimos 200 anos, de 1813 a 2013.

Até um prato de comida quer sair bem na foto

Nem o Instagram, aplicativo cult, disponível para celulares de sistema IOS ou Android, fica fora dessa. Porque, vamos combinar, um bife a cavalo, com dois portentosos ovos estrelados por cima, (com a gema ainda mole, para ser atacada por nacos de pão) parece ainda mais saboroso se conseguir despertar — pela visualidade — a gula de todos os explícitos e anônimos voyeurs de redes sociais sempre dispostas a acolher a voracidade dos seus dentes nos olhos. Fome de imagens.

The dark side of me

O lado escuro de mim rivalizaria com o lado escuro da lua.

O lado escuro de mim picharia o arco-íris, sem dó nem piedade, aliás, com uma satisfação incrível, como se eu escrevesse palavras de ordem sobre as tetas de uma ativista nua.

O lado escuro de mim acenderia a ira dos burocratas da ANEEL.

O lado escuro de mim testaria de uma vez por todas a nossa amizade.

99 coisas para fazer antes de morrer

“Quem passou pela vida em branca nuvem. E em plácido repouso adormeceu. Quem não sentiu o frio da desgraça. Quem passou pela vida e não sofreu. Foi espectro de homem, não foi homem. Só passou pela vida, não viveu”, assim escreveu o poeta Francisco Otaviano. E mesmo sabendo que palavras não dizem muito — que atitudes dizem mais —, sugerimos uma lista de 99 pequenos e grandes gestos que, obviamente não irá mudar a vida de ninguém, mas poderá nos mostrar que a vida é curta para não ser pequena.

Procura na lama do fundo do poço que você acha

Transtorno obsessivo compulsivo é pouco. Pus num rascunho, em ordem alfabética e decrescente (seguindo uma escala de atrocidades), mais de mil motivos que desmoralizam o ser humano, mas seria deveras desumano para mim — escritor de ímpeto animalesco explicitar todos eles nestas linhas, e cansar os seus olhos com uma tremenda crônica autodestrutiva.

Perda de tempo? Exercício idiota? Falta de sono, de prozac, de uma botija de rum? Falta do que fazer? Tá certo. Mas, por ventura, repetir um mantra até secar a língua lhe parece uma coisa das mais sensatas?

Vai um sexo aí?

Nossa. Que jeito à queima roupa de começar esta conversa. Mas não tem outro. Os tempos hoje são tuiterísticos, acelerados e diretos, como registra, aliás, a famosa piada do coelhinho, em pleno desfrute de seu harém “tá bom, não foi?” (note-se: essa frenética interpelação às orelhudas e macias parceirinhas, sempre ecoa quase uma centena de vezes, antes de a piada acabar de ser contada.)

30 filmes brasileiros para morrer antes de ver

Dando sequência à série de listas polêmicas, pedi aos leitores, seguidores do Twitter e Facebook — cinéfilos, jornalistas, realizadores —, que apontassem, entre filmes conhecidos de cineastas brasileiros, quais eram os piores que haviam visto. Cada participante poderia indicar até cinco filmes, sem repetir diretores, tendo como critério principal o gosto pessoal. Como nas listas anteriores, o objetivo não é zombar ou ofender o gosto alheio; é, sobretudo, uma diversão, e reflete apenas a opinião dos participantes consultados.

Philip Roth, 80 anos

Philip Roth completa 80 anos nesta terça-feira (19 de março) e, neste mês, o escritor norte-americano é tema de exposições, publicações especiais e eventos, além de um documentário da PBS de título “Unmasked”. Nada disso, porém, parece revelar verdadeiramente esse autor que sempre se coloca de forma tímida e avessa aos holofotes. De tudo o que se diz a seu respeito, um de seus depoimentos reunidos no documentário é o mais significativo, porque se opõe a uma definição que tanto estigmatiza o escritor: “Eu não adoro me ver descrito como um escritor judeu-americano. Eu não escrevo em judaico. Eu escrevo em americano”.