Coisas que ninguém perguntou a Paul McCartney, mas eu sim

Dentro do camarote, um garçom muito cortês ofereceu-me um Daikiri e um banco para que eu acompanhasse confortavelmente o show de Paul McCartney em Goiânia. “Meu chapa, eu deveria assistir a este evento de joelhos, mas vou ficar em pé mesmo, obrigado”, o sujeito afastou-se sorrindo da piadinha idólatra.

Por mais que o rolo compressor do tempo persista em suas sacanas engrenagens, Paul mantém o carisma, a anemia e o sex appeal. Já, já, justificarei.

O cientista do samba

Gosto de pensar que Paulo Vanzolini está para o samba como Pedro Nava está para a prosa memorialística brasileira. O primeiro era zoólogo; o segundo era médico. Em ambos, há de comum o gosto pela arte como hobby, e a ciência como profissão. São casos raros de cérebros poderosos, capazes de fazer-se respeitar, simultaneamente, tanto no meio acadêmico quanto no artístico.

Já descolou seu orgasmo hoje?

No fundo, no fundo, o orgasmo é o produto mais cobiçado de hoje em dia. Por um princípio básico de mercado, sempre a demanda é proporcionalmente inversa à oferta. Assim, podemos concluir que, se há uma demanda desesperada é porque há uma oferta retraída. O orgasmo é muito prometido e pouco cumprindo. Nem comprido (em oposição a curto). O indivíduo que encontra, fica, namora, amiga ou casa, promete orgasmo. Mas nem sempre entrega.

Você até pode ser genial. Mas é um tremendo idiota

Por favor, não me atirem pedras. Nem me lancem aos coliseus pós-modernos sob a sanha de sua arroxeada indignação. Aquietem, peço a vocês, dóceis criaturas, a fúria sanguinária dos pitbulls que rondam crepusculares suas mais recônditas emoções. Afinal todos nós bebericamos do nosso cotidiano sequelado pela cultura do “amazing” — os indefectíveis likes retratando gélidas aprovações facebookeanas. Então, não me trollem, please.

A Confraria das Mães dos Canalhas

Num derrocado segundo domingo de maio — ao que muitos homens sóbrios haveriam de condenar nada mais significava senão uma baita oportunidade anual para que o comércio varejista incrementasse o seu faturamento em vendas — um bando de mulheres abatidas de olhares paralíticos, adentradas na maturidade, reúne-se num galpão qualquer, de endereço desconhecido, deprimente e mal ventilado, que bem poderia se tratar de uma fábrica falida, uma escola abandonada, uma igrejinha rejeitada pelos fiéis, ou uma reles locação fantasiosa de um inventor de estórias.

As 10 atrizes mais bonitas da história

Para se chegar ao resultado fiz uma compilação de listas publicadas por sites especializados em listas sobre cinema e personalidades iconográficas. O objetivo de minha pesquisa era identificar, baseado nestas listas, quais eram as mulheres mais bonitas da história do cinema em todos os tempos. Par­ti­ciparam do levantamento as publicações: “Premiere”, “Em­pire”, “Men’s Health”, “Los Angeles Times” e “IMDb”. A­baixo, em ordem classificatória, as 10 atrizes selecionadas baseadas no número de citações das publicações pesquisadas.

De marcha à res

A expressão “mulher-objeto” surgiu na Europa, com as precursoras do feminismo, lá pelo final do século 18 e visava-se a denunciar a condição relegada à mulher pelo machismo. A mulher considerada apenas por ser bonita, a mulher-enfeite, a mulher como adorno da casa do homem, como uma alfaia de cômodo. Pouco mais que um abajur ou um vaso de flores de plástico.

Fábula do futuro: “A Babel de um idioma só”

Naquele tempo, os parlamentares brasileiros eram indiferentes às fronteiras do bem e do mal. Porém, um dia, a ira celeste lhes infligiu assombroso castigo inspirado na herança mitológica da Torre de Babel. E assim, ditos parlamentares, embora falassem exclusivamente o idioma português, não conseguiram mais se entender porque as suas frases e alocuções eram desconexas e aleatórias.

Meu encontro com Aurélio Buarque de Holanda

26 de dezembro de 1977 foi uma data importante. A partir de então, algemas azinhavradas de puídas relações, esgares de desbotadas e ranhetas conjugalidades, persistindo sob o espectro de ervas daninhas, cantaram sua débil glória. A regulamentação do divórcio, pela lei 6515, sacramentou deste dia em diante a diluição de convívios decretados fantasmáticos. Ainda nesta data circulava nas bancas uma reportagem nascida do melífluo contato com o filólogo, tradutor, ensaísta e lexicógrafo mestre Aurélio Buarque de Holanda.

O que é felicidade, cambada?

Uma comitiva composta por uma louca, uma bicha louca, um deputado evangélico, um pastor alemão, um cão dos infernos, um padre exorcista, uma alma penada, três mulheres peladas, um palhaço deprimido e um escritor medíocre em busca de reconhecimento viajou na maionese por vários países do planeta com uma incrível missão a tiracolo: descobrir, preferencialmente, de uma vez por todas, o que fosse aquela tal felicidade?

Casagrande conta como “escapou” da cocaína e da heroína

“Casagrande e Seus Demônios” (Globo Livros, 247 páginas), de Casagrande e Gilvan Ribeiro, é uma descida ao coração das trevas. Ribeiro conta, sem tergiversar ou açucarar, a dramática história do artilheiro da seleção brasileira, do Corinthians e do Torino. Sua atração quase mortal — sobreviveu porque tem um organismo de atleta e, nas overdoses, foi atendido com a qualificação necessária no Hospital Albert Einstein — pelas drogas, como heroína e cocaína, é descrita sem contemplação.

50 frases clássicas de escritores célebres

Seguindo a ideia de um ensaio com frases de personalidades históricas, publicado pelo jornal inglês “The Observer”, reuni neste post 50 frases célebres de escritores de díspares perfis, nacionalidades e épocas — de Shakespeare a Guimarães Rosa. Diferentemente da lista publicada pelo “The Observer”, não selecionei apenas frases ditas textualmente, mas também aquelas fictícias, que foram emprestadas às personagens e obras por intermédio de seus criadores, como os casos de “O horror! O horror!”, últimas palavras do capitão Kurtz antes de morrer, do livro “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad; ou “Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, trecho inicial de “Anna Kariênina”, de Tolstói.

Seríamos nós os herdeiros de Judas?

Hoje, 22 de abril, é o Dia da Terra, que coincide com o dia do descobrimento do Brasil. Aliás, o Brasil, e por extensão, a Terra, estão extremamente maltratados pelo nosso estilo de vida. O Dia da Terra, criado em 1970 nos Estados Unidos, tem por finalidade conscientizar as pessoas sobre os problemas da contaminação, da preservação da biodiversidade e sobre os riscos de esgotamento do planeta. Enfim, sobre o risco de um colapso do suporte da vida, que é o meio ambiente.

20 insultos literários

A literatura é um terreno fértil para intrigas. Não foram poucas as vezes que nomes consagrados deixaram a elegância de lado e alfinetaram colegas de ofício. Pequenas declarações se transformaram em polêmicas gigantes e inimizades eternas. Neste post, publico uma seleção de insultos literários. A lista compila “grosserias” de escritores de díspares perfis, nacionalidades e épocas. Na seleção aparecem escritores canonizados como William Faulkner, Ernest Hemingway, Virginia Woolf, Gore Vidal, Oscar Wilde, Truman Capote, Nietzsche e Henry James. Em comum entre eles, o fato de um dia, por mera provocação, impulso, raiva, terem externado suas opiniões pouco elegantes sobre seus companheiros de ofício.

Espelho, espelho meu: existe alguém tão sem rosto quanto eu?

Sinistro, definiria a gíria da galera jovem. Ou seria macabro? Talvez gótico expresse melhor a semântica dos espelhos, cuja polissemia perpassa campos distintos da cultura e das artes. Aonde se esconderam meus camuflados caleidoscópios psíquicos, encarregados de iluminar até as sombras de todos os mosaicos que habitam meu corpo, gestor máximo de uma catedral-pagã? O espelho traduz suas simbologias, participando de discursos poéticos, mitológicos, literários, religiosos e artísticos, entre outros.

Mais profundo que uma poça de sangue na calçada

Se você quiser ficar pra baixo, arrasado no chão: cocaína. Ela não mente, ela não mente, ela não mente: cocaína.  (Cocaine, Eric Clapton)

As substâncias mais entorpecentes que já usei até hoje foram as caipiroscas preparadas pelo Padre Hendrix (ultimamente, este meu amigo anda preso a um dilema: não sabe se larga a batina, as batidinhas ou as bacaninhas que o procuram na paróquia) e as pingas de engenho que meu falecido avô fabricava no seu alambique na roça.

As 30 falas mais populares da história do cinema

Em 2007, a revista norte-americana “Premiere” publicou uma lista com as 100 falas mais populares da história do cinema. Em 2009, foi a vez da britânica “Empire” publicar sua versão da lista. Em 2013, o site americano IMDb realizou uma enquete com leitores que também elegeu as 100 melhores frases do cinema em todos os tempos. Fizemos uma compilação das três listas e tiramos delas as 30 frases mais citadas. A compilação está publicada na ordem decrescente, de 30ª à 1ª, com uma tradução aproximada, já que o contexto em que as falas foram ditas determina em muito o seu significado, sobretudo para as que têm duplo sentido. 

Alice Munro, a Tchekhov da América, dá adeus à literatura

A notável escritora americana Cynthia Ozick diz que sua par canadense Alice Munro é a Tchekhov da América. Talvez não exatamente o russo, um dos pais do conto moderno, mas a autora de “A Fugitiva” (Companhia das Letras, 392 páginas, tradução de Sergio Flaksman), “Ódio, Amizade, Na­moro, Amor, Casamento” (Globo, 359 páginas, tradução de Cássio de Arantes Leite), “Felicidade Demais” (Companhia das Letras, 341 páginas, tradução de Alexandre Barbosa de Souza) é uma artífice do conto “longo”. O belo e doloroso conto “The bear came over the mountain”, filmado com o título de “Longe Dela”, é mais do que uma história de uma mulher com Alzheimer e um marido “compreensivo”. É sobre a vida em si, sobre as diferenças entre os seres, sobre sua face sombria.

Os 48 melhores frasistas do Twitter

Durante o mês de março e a primeira quinzena de abril, pedimos a colaboradores, leitores e seguidores que enviassem sugestões sobre os melhores frasistas do Twitter. 716 participantes sugeriram 348 nomes, desses, 45 obtiveram mais de 20 citações. Discutível como qualquer lista de melhores, esta também não pretende ser abrangente e reflete apenas a opinião dos participantes da enquete.

A sátira que desisti de escrever

Tenho a impressão, a triste impressão de que a mistura do politicamente correto com o analfabetismo funcional acabou por assassinar a possibilidade da sátira no Brasil de nossos dias. A sátira, que existe desde os antigos gregos, é uma técnica literária, em prosa ou verso, que tem por finalidade ridicularizar um tema para chamar a atenção sobre ele. Para conseguir tal objetivo o autor recorre às entrelinhas, ao humor, ao escracho, à ironia, ao nonsense, ao sarcasmo, à corrosão, ao contrario sensu, à caricatura, enfim. Para tanto se vale da redução ou ampliação de uma coisa ou de uma ideia até torná-la ridícula, colocação em pés de igualdade coisas de tamanhos ou valores desiguais.