O que você viveu ninguém rouba

O que você viveu ninguém rouba

O que você viveu ninguém rouba. Seus amores secretos, tempestades e estiagens, sonhos alagados de ideais, as vezes tão pueris e ingênuos. Seu pendor artístico, os gestos incompletos, sorrisos entregues às luzes do anoitecer, pálpebras que piscam com suavidade, mistérios da alvorada. Todas estas riquezas lhe pertencem. Esta é a sua abastada herança, que se manterá pulsante, enquanto você, com suas vestes de carne fresca ou amadurecida, deslizar entre a terra dos homens.

Eu não gosto de nada que o mundo gosta

Eu não gosto de nada que o mundo gosta

Eu não gosto de sonhar dormindo mais do que eu sonho ao permanecer acordado. Eu não gosto do altruísmo narcisista das redes sociais. Eu não gosto de carinho quando estou nervoso. Eu não sou um cãozinho faminto que rola e late. Ainda que seja amargo como eu, eu não gosto de chocolate. Eu não gosto de esconder os ovos de Páscoa das crianças nos arbustos do jardim. Eu não gosto de brincar com os sentimentos dos outros. Eu não gosto de ficar bêbado até dizer a verdade.

Vou-me embora pra Macondo

Vou-me embora pra Macondo

E diz que quando um homem extraordinário chega ao Reino dos Céus é feriado santo. Por obra do acaso, mera coincidência, conspiração dos anjos ou expressão suprema da Vontade de Deus, hoje é. Aquele que mostrou ao mundo que a América do Sul não é só um senhor de bigodes com um violão e um revólver partiu. Simples, satisfeito e agradecido, voou sorrindo sua curiosidade sobre o que virá, o que sempre vem, lançado às nuvens pelo sopro fresco e perfumado de mil anjos, até chegar ao paraíso em festa literária para ele.

Cem Anos de Solidão, o livro que criou uma geração de leitores

Cem Anos de Solidão, o livro que criou uma geração de leitores

A América Latina é uma região diferenciada do mundo — quanto à história da construção de sua identidade. As instabilidades políticas, aliadas à insuficiência de recursos, muito contribuiu para a eclosão de movimentos típicos da alma latino-americana: ditaduras, guerras, guerrilhas, repressões, exílios e exportação de refugiados são fatos próprios de nossa história. Uma história de solidão, como bem definiu um de seus maiores intérpretes. Na visão desse intérprete, isso se deve a um nó que evidencia “a in­suficiência dos recursos convencionais para tornar nossa vida acreditável”.

Era uma vez o amor em sua primeira vez

Era uma vez o amor em sua primeira vez

Vi você e vi a mim mesmo nessas paragens, construindo nosso depois de amanhã, multiplicando nossas lembranças. Porque o amor deve ser isso mesmo, né? Esse escandaloso milagre da multiplicação. Vi encontros e partidas, esperas, chegadas. Vi nossos enganos, nossa saudade, nossa alegria do encontro seguinte, nossa paixão avassaladora, nosso amor se acalmando e se deitando em nosso colo, sob a sombra de uma tristeza sempre à espreita, uma sensação de que a qualquer tempo a festa acaba.

Ninguém consegue viver de janelas fechadas

Ninguém consegue viver de janelas fechadas

Imagine abrir sua janela ao acordar e, do mesmo modo que as lagartas magicamente se borboleteiam pelas paisagens da vida, encontrar uma fruta que se oferece a você. Clama por seu gesto de sorvê-la inteira. Entregando assim sua gratidão a um dos tantos presentes que a natureza diariamente lhe dá, sem exigir nada em troca. Saber receber é uma arte. Abrir os braços, o sorriso, o corpo e o coração e dispor-se aceitar quem estende o afeto a você. Receber exige coragem. Integridade. Desejo. Iniciativa. Transparências do querer genuíno.

10 autores seminais da literatura americana

10 autores seminais da literatura americana

Tão marcante quanto as alucinações causadas por LSD, cocaína e whisky, quanto as lembranças que voltam em sonhos do orgasmo mais enlouquecedor de todas as orgias já experimentadas, é a influência da literatura americana na mente dos que amam as letras. E tão eclética quanto as nossas experiências mundanas e imaginárias, são os estilos dos autores que formam esse grande barril de produções que vão dos clássicos aos beats, passando pelos mestres dos mistérios e pelos jornalistas-escritores, que nunca sabem se transformam jornalismo em literatura ou literatura em jornalismo…