Autor: Wander Lourenço

Guimarães Rosa: 55 anos sem o homem que fabricava palavras Luis War / Shutterstock

Guimarães Rosa: 55 anos sem o homem que fabricava palavras

O crítico literário Antonio Candido ressalta que, para quem souber ler, a obra de João Guimarães Rosa tornar-se-á um formidável manancial de análise literária. No “Grande Sertão”, especificamente é perceptível que, no decorrer da narração que se inicia com o vocábulo “Nonada”, os múltiplos aspectos discursivos se apresentem ao Leitor, desde o diálogo com as epopeias homéricas até “Guerra e Paz”, de Tolstói, sem se olvidar da relação hermenêutica com Proust, Faulkner, Kafka e Joyce.

A formação cultural da identidade pátria 

A formação cultural da identidade pátria 

m “Fedro”, no capítulo intitulado “A invenção da escrita”, o filósofo grego Platão assevera que o inventor de tal arte de escrever, o deus Thoth, ao ser indagado pelo governante Tamuz, afirmara que o seu feito literário tornaria os súditos egípcios mais sábios… Inspirado nos ensinamentos platônicos, neste artigo abordar-se-á o processo de deformação da identidade de indivíduos em processo de mutilação intelectual, deflagrado por intermédio da disseminação de uma indústria da ignorância instaurada pelo poder público e privado.

Síndrome de Dom Quixote

Síndrome de Dom Quixote

A partir da publicação da obra seiscentista “O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes, a tradição ocidental diagnosticou que, quem estivesse apto a consumir narrativas de ficção, encontrar-se-ia na iminência de se tornar um sério candidato aos surtos patológicos de insanidade (ou alienação). Em consequência deste equivocado laudo anti-leitura, de forma rudimentar e retrógrada, a Literatura passou a ser uma espécie de inimiga pública número 1 da lucidez da humanidade.

Receituário de sonhos literários

Receituário de sonhos literários

Em sua obra intitulada “A Interpretação dos Sonhos”, o psicanalista Sigmund Freud explicita que esforçar-se-ia por elucidar os processos a que se devem a sua estranheza e a obscuridade, ainda que pouco ou nada que aborde a sua natureza essencial possibilite uma solução final para qualquer dos enigmas dos sonhos. Deste modo, aviso aos navegantes: este ensaio não se predispõe a elucidá-lo, absolutamente; entretanto, se inclina a utilizá-lo como metodologia de leitura, que prognostica a prevenção como modo eficaz de combate às aflições psíquicas do Homem pós-moderno.

O fascínio da Literatura

O fascínio da Literatura

O fascínio da Literatura há se originar como uma espécie de pecado original que, ao desnudar-se diante da imagem e semelhança d’um esboço da condição humana, se desintegra no Jardim do Éden da consciência, a partir da Criação de cunho ficcional, que construímos em nós, à proporção que nos reinventamos como eu-líricos, narradores ou personagens de si mesmos.