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Quem parou no tempo? A arte ou a crítica?

Quem parou no tempo? A arte ou a crítica?

Ser crítico de arte nunca foi uma tarefa fácil, dada a subjetividade e a multiplicidade de abordagens possíveis. Uma das funções do crítico é conferir à produção cultural uma narrativa, não necessariamente coesa, mas assimilável e historicizada. O que os críticos renomados chamam de falta de inovação é apenas um deslocamento na lógica de produção que, devido à insensibilidade que por vezes acompanha o avanço da idade (um processo natural), eles não conseguem distinguir do que precedeu.

Carlos Drummond de Andrade: a eternidade faz 121 anos

Carlos Drummond de Andrade: a eternidade faz 121 anos

Nestes tempos de excesso de celebridades e de escassez de artistas, Carlos Drummond de Andrade é um vulto consistente que pontua com seu facho de luz o horizonte poético da língua portuguesa. As comemorações do Dia D de Drummond são sem sombras de dúvida um marco que ajuda a fixar a imagem do poeta e a disseminar sua obra no presente e na perspectiva das gerações futuras. “E como ficou chato ser moderno. Agora serei eterno. Eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo. Mas com tamanha intensidade que se petrifica…”

50 frases de Carlos Drummond de Andrade para carregar no bolso

50 frases de Carlos Drummond de Andrade para carregar no bolso

O lendário poeta interplanetário, Carlos Drummond de Andrade, emergiu sob a tutela de um peculiar anjo torto na pitoresca cidade de Itabira, em Minas Gerais. Longe de ser apenas mais um nome na vastidão literária, Drummond redefiniu os caminhos da poesia, desafiando e inspirando várias gerações de poetas. O multifacetado Drummond não se restringiu à poesia: destacou-se como contista, cronista e, certamente, como um habilidoso frasista capaz de sacudir as estruturas literárias do mundo.

 Lusco-Fusco e a arte luminosa de Assucena Natalia Mitie / Divulgação

 Lusco-Fusco e a arte luminosa de Assucena

Naquele instante em que já não é mais dia nem é noite ainda, como na primeira horinha da manhã em que o sol inda não deu as caras mas um raio apressado entrega o dia que chega, nesse momento há um intervalo luminoso, uma luz que banha o mundo e a ela alguém deu o nome lusco-fusco. No anoitecer e no amanhecer, é como a mudança se anuncia irreprimível, absoluta e peremptória. No lusco-fusco.

Oldboy: a pedagógica tragédia de Park Chan-wook Divulgação / Neon

Oldboy: a pedagógica tragédia de Park Chan-wook

Há algumas semanas, tive a oportunidade de assistir “Oldboy” em uma tela de cinema. Já havia visto o filme outras vezes, mas sempre pelo computador. A experiência, é claro, foi muito mais impactante. A sala de cinema, com seu breu artificial e seu imponente ecrã, como que convida o expectador a imergir em cada “frame”. Nelson Rodrigues dizia que a cama é um móvel metafísico, onde o homem nasce, dorme, sonha, ama e morre. O mesmo poderia ser dito da poltrona de cinema, com a diferença de que nela esse ciclo se completa ao tempo de uma sessão.