Autor: Giancarlo Galdino

Indicado a 14 Oscars, romance no Amazon Prime Video tem o poder de saltar da tela e tocar seu coração

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Quem diz que musicais são historinhas açucaradas, inconsequentes, em que já se sabe de antemão o que vai acontecer — um mocinho e uma mocinha se conhecem, se desencontram um pouco, mas se apaixonam e vivem felizes para sempre —, precisa assistir a “La La Land: Cantando Estações”. O filme, um musical com quase todos os clichês do gênero, como só os americanos sabem fazer, é um trabalho de composição riquíssimo, em que o diretor Damien Chazelle apresenta sua versão do que entende por uma narrativa que dosa música, dança e texto com sabedoria. O que lhe conferiu uma enxurrada de Oscars.

6 filmes que são dados como certos na briga pelo Oscar 2022, 4 na Netflix e 2 no Amazon Prime Video Divulgação / Apple TV+

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Nada começa do zero, e se se quiser chutar o balde, basta se evocar a máxima de Chacrinha. Certa feita, o Velho Guerreiro alardeou que na televisão, tudo o que se via era, na verdade, o efeito de cópias, muito bem estudadas, do que já havia sido levado ao ar em algum momento. O cinema tem seus lances de glória e genialidade, e também mostra que copiar pode ter seu lado positivo. Na lista preparada pela Bula, com seis favoritos ao Oscar 2022 — quatro na Netflix e dois no Amazon Prime Video —, se nota a tendência, louvável quanto a se recuperar a importância da literatura e de outras artes, sem que para tanto o cinema deixe de brilhar.

‘Indecente’, novo filme da Netflix, baseado em best seller é fiel às origens e comprova que de onde menos se espera é daí mesmo que não sai nada

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Maus livros podem se tornar excelentes filmes, mas o natural é que histórias descartáveis se transformem em filmes irrelevantes, e corra o risco quem quiser. O capitalismo, o malvado favorito da esquerda caviar, possibilita que nulidades como Nora Roberts se perpetuem numa carreira autoproclamada literária por quarenta anos até aqui, espalhando sua ignorância inclusive sobre assuntos sobre os quais apenas ouviu falar, por alto. Essa qualidade artística se reflete em “Indecente”, mas não julgue o livro pela capa, digo, o filme de Monika Mitchell pelo título. Assista, se puder.

Filme da Netflix sobre história real de um assassino em série prova que a vida pode ser mais assustadora do que a ficção

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Célula-mãe da sociedade, a família também experimenta seus descaminhos, adoecendo todo o corpo que a abriga. Lastimavelmente, muitas vezes se passam anos até que se detecte onde está esse tumor que apodrece o tecido social das formas mais abjetas que, por óbvio, só podem vir à luz pelas mãos de indivíduos cuja inteligência supera em muito a média da capacidade intelectual dos demais, malgrado empregada para fins perversos. Duncan Skiles capricha ao traçar o perfil do maníaco que protagoniza “O Assassino de Clovehitch”, um criminoso frio, como quase todos, mas que se destaca por detalhes que deveriam ficar restritos à intimidade, mas de que lança mão para extravasar seus ímpetos bestiais.

Politicamente incorreta e hilária, comédia filosófica que acaba de estrear na Netflix foi feita sob medida para pessoas inteligentes

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A maneira desabridamente libertária do francês encarar a vida — e uma parte específica dela, que sempre lhe foi muito cara —, permite que venham à tona experiências como “A Origem do Mundo”, sob a forma de quadro, peça e filme. Nessa última, o diretor Laurent Lafitte extrapola as convenções ao retratar um personagem que se descobre às voltas com a iminência da morte, sem saber se deve ou não levar a termo a única chance de reverter o quadro.