Autor: Euler de França Belém

A história verdadeira do soldado Ryan

A história verdadeira do soldado Ryan

Autor de “Europa na Guerra — 1939-1945” (Record, 599 páginas, tradução de Vitor Paolozzi), o historiador britânico Norman Davies admite que “O Resgate do Soldado Ryan”, de Steven Spielberg, é, plasticamente, um belo filme, que conta uma boa história. Mas sugere também que a película não consegue — aliás, nem se propõe — esboçar um contexto histórico de qualidade.

A história da mulher que viajou 11 mil km e matou coronel para vingar Che Guevara

A história da mulher que viajou 11 mil km e matou coronel para vingar Che Guevara

Nascida em Munique, em 1937, Monika Ertl era filha do cineasta, escritor, jornalista e alpinista Hans Ertl, que trabalhou com a diretora de cinema Leni Riefenstahl — foram amantes — e chegou a ser cinegrafista do nazista Adolf Hitler (filmou seu encontro com Benito Mussolini, o fascista italiano) e andou com Erwin Rommel pelo Norte da África. Em 1953, julgando-se desprestigiado na Alemanha, mudou-se com a família — a mulher, Aurelia, e três filhas, Monika, Beatrix e Heide — para a Bolívia.

Os escritores franceses que foram apologistas de Hitler e perseguidores de judeus

Os escritores franceses que foram apologistas de Hitler e perseguidores de judeus

Escritores, como Louis-Ferdinand Céline, Robert Brasillach e Lucien Rebatet eram antissemitas e escreveram barbaridades. A maioria escapou da pena de morte e alguns ficaram presos por alguns meses. Pierre Drieu La Rochelle preferiu se suicidar para evitar o julgamento. Brasillach foi executado. Céline escapou. Possivelmente, graças ao seu imenso talento, decidiram deixá-lo vivo. Embora notável como prosador, era execrável como ser humano.

Biografia de João Gilberto, escrita por Zuza Homem de Mello, é a grande notícia cultural do ano no Brasil

Biografia de João Gilberto, escrita por Zuza Homem de Mello, é a grande notícia cultural do ano no Brasil

A música brasileira se divide em a.J.G. e d.J.G? Talvez não. Mas João Gilberto é um músico, compositor e cantor que, talvez mais para os artistas, se tornou um divisor de águas. Talvez não quisesse ser mestre de ninguém, pois a ideia da bossa nova não era criar uma escola fossilizada, e sim uma música renovadora. Mas o baiano de Juazeiro, nascido em 1931 e falecido em 2019, aos 88 anos, acabou por influenciar gerações.

Elza Soares, a Billie Holiday dos trópicos, 90 anos

Elza Soares, a Billie Holiday dos trópicos, 90 anos

Aos 13 anos, Elza Soares foi mãe. Com Alaúrdes teve cinco filhos, João Carlos, Dilma, Gilson, Gerson e Edmundo. Este morreu de fome. Gerson foi entregue para um casal adotar. No lugar de cuidar da casa, a criança preferia soltar pipa, carregando o bebê numa cesta de vime. Como não queria continuar apenas como “parideira”, arranjou emprego numa fábrica de sabão.

A mulher que inventou o cinema

A mulher que inventou o cinema

Ao morrer em 1968, o ano que talvez tenha mudado o mundo, ao torná-lo mais tolerante à rebeldia política e comportamental, Alice Guy não chamou atenção, nem mesmo da antenada turma da Nouvelle Vague. François Truffaut e Jean-Luc Godard, ases do cinema francês, estavam de olho muito mais na cinematografia norte-americana do que na conterrânea pioneira. Mas a francesa de Saint-Mandé começa a ser reconhecida como a primeira pessoa que explorou os recursos narrativos do cinematógrafo.

A história do gênio da grande área que quase pôs fim ao reinado de Pelé

A história do gênio da grande área que quase pôs fim ao reinado de Pelé

“Rei, Rei, Rei, Reinaldo é nosso Rei.” Era assim que os torcedores do Atlético Mineiro saudavam seu principal craque. O centroavante também brilhou na Seleção Brasileira. Era o Neymar de seu tempo, mas, caçado pelos zagueiros e beques, teve sua carreira abreviada (parou aos 31 anos). O livro “Punho Cerrado — A História do Rei” (Letramento, 307 páginas), de Philipe van R. Lima, filho do atacante, poderia ter se tornado uma hagiografia, contando as coisas boas e escondendo as ruins, mas o autor relata tudo (ou quase) — inclusive o vício em cocaína.

Paulo Rónai, a história do judeu húngaro que a cultura e o Brasil salvaram do nazismo

Paulo Rónai, a história do judeu húngaro que a cultura e o Brasil salvaram do nazismo

O judeu Pál Rónai nasceu na Hungria, em de abril de 1907, e renasceu Paulo Rónai no Brasil em 1941. Pál e Paulo são a mesma pessoa — o húngaro que se tornou brasileiro. “O Homem Que Aprendeu o Brasil — A Vida de Paulo Rónai” (Todavia, 379 páginas), de Ana Cecilia Impellizieri Martins, é um livro notável sobre um indivíduo que deve ser tratado como um homem-civilização.