Autor: Euler de França Belém

O Irlandês, de Martin Scorsese, é uma obra-prima

O Irlandês, de Martin Scorsese, é uma obra-prima

Paulo Francis dizia que cada jornal tinha pelo menos 315 críticos de cinema. Mudou: hoje todo mundo é crítico de cinema. Mas, brincadeira à parte, a crítica de cinema patropi tem um grau de excelência rara. A “Folha de S. Paulo” publicou um texto do “Times” sobre o filme “O Irlandês”, de Martin Scorsese, que comenta a parceria entre o diretor e os atores Roberto De Niro e Al Pacino, mas nada explica sobre a película — o que Luiz Carlos Merten e Inácio Araújo fazem com categoria.

A paixão de Hannah Arendt pelo filósofo nazista Heidegger

A paixão de Hannah Arendt pelo filósofo nazista Heidegger

A obra de Hannah Arendt é cada vez mais influente e engana-se quem pensa que sua filosofia — por ser lida e discutida de maneira ampla — é superficial. Na verdade, é densa, mas, como escreve com clareza, é mais bem compreendida e estudada do que, por exemplo, Kant, um filósofo, a rigor, mais filósofo-filósofo. A judia alemã é uma filósofa-ensaísta e, nos seus estudos mais pesados, filósofa-filósofa.

Susan Sontag: a mulher que queria ser tudo

Susan Sontag: a mulher que queria ser tudo

Se alguém me pedisse para definir Susan Sontag numa frase, eu diria: “A intelectual que queria ser tudo”. Trata-se de uma mulher plural: crítica literária, ensaísta de primeira linha e, sim, prosadora (aquém da ensaísta, é certo, mas integrante de um ilustríssimo segundo time, assim como Edmund Wilson, que, como prosador, é membro de um honroso terceiro time).

Daqui a 100 anos, quem será lembrado: Chico Buarque ou Bolsonaro?

Daqui a 100 anos, quem será lembrado: Chico Buarque ou Bolsonaro?

Independentemente de sua ideologia política, que tende a esmaecer com o tempo — prevalecendo a qualidade da arte, pois a estética vai superando o discurso político-ideológico, dada a passagem do tempo histórico em que foi criada (a resposta artística acaba pode se tornar mais lembrável do que o tempo que lhe deu origem) —, a obra musical, até mais do que sua literatura, de Chico Buarque vai sobreviver, assim como a música de Bach, Beethoven, Brahms e Chopin, a poesia de Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto e a prosa de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Teles.

Edward Snowden sugere que conversar pelo celular é compartilhar segredos com quem não conhecemos

Edward Snowden sugere que conversar pelo celular é compartilhar segredos com quem não conhecemos

Há seis anos, o jovem Edward Joseph Snowden (de 36 anos) — um indivíduo — destampou a, digamos, “latrina” do governo americano, e por extensão a de alguns de seus aliados, e expôs que se espionava tudo, a respeito de todos. Para não ser preso, escapou para Hong Kong e, depois, para a Rússia de Vladimir Putin — país tido como inexpugnável ao poderio da nação mais rica do mundo.

Os soldados brasileiros de Hitler: centenas lutaram ao lado dos nazistas

Os soldados brasileiros de Hitler: centenas lutaram ao lado dos nazistas

O mestre em ciência política e doutor em ciências sociais Dennison de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná, escreveu um livro muito bom, mas ainda exploratório, sobre brasileiros, filhos de alemães, que lutaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ao lado dos nazistas de Adolf Hitler. “Os Soldados Brasileiros de Hitler” (Juruá, 122 páginas) não contém aquelas pesquisas exaustivas típicas de scholars europeus e norte-americanos.

Mulheres Livres: a história da luta das mulheres durante a Guerra Civil Espanhola

Mulheres Livres: a história da luta das mulheres durante a Guerra Civil Espanhola

A Guerra Civil Espanhola às vezes é chamada de “a última guerra romântica” — como se pudesse existir alguma guerra realmente romântica. Quem quiser entendê-la a fundo deve consultar os livros de Stanley Payne e Antony Beevor, dois seus principais estudiosos. Pode-se dizer que o 1968 da Espanha se deu entre 1936 e 1939, com experimentos políticos se desenvolvendo a rodo, de maneira organizada ou não.

Toni Morrison ficará para a história como uma gigante literária

Toni Morrison ficará para a história como uma gigante literária

Talvez seja possível sugerir que, no caso de Toni Morrison, a militância — o engajamento — contribuiu para fortalecer seu imenso talento, dando-lhe ideias, temas. Não a prejudicou em nada. Tornou-se a uma gigante literária dos séculos 20 e 21. Agora, quando tentam transformá-la em mera panfletária, colocando a militante na primeira fila e a escritora na segunda fila, estão prestando um desserviço tanto (não só) à literatura quanto à própria militância política.