Ninguém ama para sempre. Eu te amo hoje. Amanhã a gente vê como que fica

Ninguém ama para sempre. Eu te amo hoje. Amanhã a gente vê como que fica

Não, não é você. Pode acreditar. O problema é comigo. Eu que sou insatisfeita, exigente, descrente. Eu que não gosto de andar de mãos dadas, não sou de demonstrar carinho. Diferente da música, eu não sei namorar. Não durmo de conchinha. Não pergunto como foi o teu dia e torço para você não me contar os teus problemas. Não rendo, não ligo, não respondo. Mas, olha, não tem nada de errado contigo. Você é maravilhoso, gentil, inteligente, divertido. Gosta de mim. Eu que sou esquisita mesmo.

É ética sim!

É ética sim!

Há aproximadamente dois anos participei como ouvinte de uma audiência pública no senado promovida pela senadora Ana Amélia, que tinha como objetivo ouvir as partes envolvidas na regulação ética da pesquisa clínica no Brasil. Tratava-se de resposta a uma demanda da indústria farmacêutica, ali representada, entre outros, pelo presidente da Interfarma, Antônio Brito. Ele abriu sua participação com a afirmação que viria a se tornar seu mantra: “Não se trata de ética.” Toda vez que ele se manifesta publicamente sobre o assunto, faz questão de frisar isso.

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Redes sociais: o estranho universo que nos aproxima e afasta dos outros e de nós

Redes sociais: o estranho universo que nos aproxima e afasta dos outros e de nós

As relações humanas, cada vez mais abundantes e menos sólidas, caminham em direção ao abismo. Tenho tantos amigos quanto minhas redes sociais apontam, mas sequer me recordo da última vez em que lhes perguntei, olho no olho, algo singelo como: “E a vida? Anda bem?”, para de fato ouvir com interesse sua resposta. Não há como negar que a casca tem sido o lugar mais frequentado do fruto, num ato solene de esquecimento do básico: o que frutifica as relações são as sementes. É preciso dispor de terra fértil e ir fundo até se conectar a elas.

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Sempre sonhei em matar um homem num duelo justo

Sempre sonhei em matar um homem num duelo justo

A partir de agora, é cada um por si. Pelo andar da carruagem na Câmara dos Caubóis — ou melhor, na Câmara dos Deputados — voltaremos a fazer a boa e velha justiça com as próprias mãos. Após muita negociação e chantagem, sob um nauseabundo cheiro de pólvora, enxofre e dólares furados remetidos pelo consórcio de indústrias de munição, formol e algodão-para-narinas, a bancada do meu-ódio-será-sua-herança aprovou um revestrés na Lei do Desalmamento — quer dizer, Lei do Desarmamento. Será permitido vender a alma ao diabo sem fornecer recibo, cuspir marimbondos no passeio público, dar tapinhas no traseiro fofo das moças bonitas e carregar revólveres na cintura.

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O amor no tempo do buraco na camada de ozônio

O amor no tempo do buraco na camada de ozônio

Parece piada, mas, não é. Conheceram-se no enterro de um anão em Itu. Nenhum dos dois sabia nada do morto, a não ser que era um sujeito pequeno. Por isso, estavam ali. Tinham em comum o interesse incomum de comparecer aos velórios de criaturas humanas pitorescas. Vai entender cabeça de gente. Apesar de cultos, tinham dessas perturbações. E não tinha psicanálise no mundo que desse jeito naquilo.

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25 coisas para NÃO fazer antes de morrer

25 coisas para NÃO fazer antes de morrer

A cada dia surge uma nova lista do que fazer antes de morrer. Filmes para assistir, lugares para conhecer, comidas para provar, músicas para transar, e por aí vai. Tanta gente dando tantas opções. Eu me sinto perdida neste mundo de coisas que devo fazer até o dia de partir para a melhor — será melhor mesmo? O pior de tudo, confesso, é a total falta de intimidade com essas listas, e a sensação de que vou bater as botas sem tem cumprido nem um terço dos tópicos.

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Uma explosão de felicidade: ah, quem nos dera! É o que merecemos neste momento

Uma explosão de felicidade: ah, quem nos dera! É o que merecemos neste momento

No final do século passado, foi quando vieram a público as primeiras imagens ao vivo de implosões de edifícios, pontes, viadutos, estádios de futebol, conjuntos habitacionais e até de bairros inteiros, ao deixarem de ser necessários ou mesmo viáveis. Hoje, no entanto, é cena corriqueira e quase ninguém liga. Mas, quando começou, era capaz de mobilizar a atenção do povo e provocar discussões acaloradas, como o desempenho dos times de futebol e o impeachment de governantes fracassados.

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