Autor: Larissa Bittar

Se você é feito de música, este texto é pra você

Se você é feito de música, este texto é pra você

Já somos castigados com o peso das tragédias, o barulho das buzinas, os ruídos dos conflitos. Ao menos com a música não tenhamos amarras — porque ela salva. Tem hora que a gente desanima. Há momentos que são como um bandolim desafinado e aí é um chorinho atrás do outro. É pau, é pedra, é o fim do caminho. Há uma nuvem de lágrimas sobre os olhos, você está na lanterna dos afogados, coração despedaçado, sociedade em frangalhos e vem o pensamento: inútil, a gente somos inútil.

Mundo louco: enquanto uns morrem de fome, outros ganham prêmio por ter o cachorro mais fashion

Mundo louco: enquanto uns morrem de fome, outros ganham prêmio por ter o cachorro mais fashion

Vai ver que é porque a gente aprende desde criança que o mundo, como eu disse e repito, não é mesmo pra ser justo. É feito pra ter gente de terno e gente sem sapatos, pra acariciar o coração de quem encontra amor e rasgar a alma de quem sofre o abandono, pra aplaudir os que não honram as calças de grife e humilhar os que deram o azar de flertar com a pobreza. Em algum manual de criação deve estar sacramentado que o mundo é pra ser, sim, desse jeito louco e desleal. Essa engenhoca composta por países marcados pela peste e por concursos que premiam o cachorro mais fashion.

Às vezes é preciso enfiar o pé na jaca. Andar sempre na linha é um tédio

Às vezes é preciso enfiar o pé na jaca. Andar sempre na linha é um tédio

Se é prudente evitar excessos, evitemos o excesso de parcimônia também. Troquemos tacinhas por garrafas. Vez ou outra deixemos de lado palavras moderadas e soltemos palavrões em alto e bom som. Alguns domingos precisam de rodízio de pizza (e depois de dez fatias pode trazer a de banana sim). Em alguma tarde aleatória convém contrariar o chefe. Virar pra direita quando a placa indica a esquerda, sair da festa de manhã direto pra reunião com o diretor da empresa. Viajar de repente, vender a TV pra voar de balão, comprar sete blusas e três sapatos para se arrepender em seguida.

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A preguiça é inimiga da perfeição. Não há talento que resista à falta de empenho

A preguiça é inimiga da perfeição. Não há talento que resista à falta de empenho

É provável que não tenhamos ideia dos bastidores da consagração daqueles por quem nutrimos admiração (quis ser gentil e não usei o termo inveja). O médico renomado que abdicou de parte da juventude debruçado sobre livros e acordado em plantões. A bailarina ovacionada nos palcos do teatro municipal enquanto suporta as dores dos pés feridos. Os sapos engolidos pelo executivo de alto poder que começou no térreo da hierarquia. Os infinitos rascunhos rasurados do poeta premiado pelos versos bem sucedidos… Na coxia de cada vitória, há um enredo de luta trilhado na contramão do comodismo.

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Ter uma melhor amiga é ter uma irmã para a vida toda

Ter uma melhor amiga é ter uma irmã para a vida toda

Basta um olhar e a mágica está feita: sem uma palavra sequer, com apenas a expressão do rosto ou um gesto singelo, você é compreendida da maneira mais genuína possível. Parece telepatia, mas é “só” profunda afinidade. É cumplicidade que extrapola a lógica e fortalece laços. Quem pode sempre contar com abraços que colorem dias cinza e sorrisos que celebram momentos de êxito conhece o maravilhoso privilégio que é ter uma melhor amiga.

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Relações são vias de mão dupla. Quando não negligenciamos o outro, somos agraciados com amor

Relações são vias de mão dupla. Quando não negligenciamos o outro, somos agraciados com amor

Relações são vias de mão dupla. Dificilmente perseveram sem gentilezas mútuas (com exceção de casos em que há prazer na subserviência, apego extremo e dependência emocional). No entanto, até em relações saudáveis é comum que uma das partes caia no erro de esperar demais e retribuir pouco. Há os que acreditem ter o direito de receber carinhos que acalentam o coração no momento de dor.

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O insistente dilema entre os prazeres de morar fora e a saudade dos que amamos

O insistente dilema entre os prazeres de morar fora e a saudade dos que amamos

É um cabo de guerra. De um lado a possibilidade de descobrir um mundo inexplorado e altamente convidativo. Do outro, o aperto que machuca o peito dos que optam por voar para longe do lar. Quem decidiu — por apreço à liberdade ou por necessidade — construir uma vida a milhares de quilômetros da cidade de origem conhece bem os conflitos que permeiam essa escolha. Algumas vezes há prazer em abrir a janela e enxergar a avalanche de novidades que reaviva a alma dos que trilharam caminho em direção oposta à zona de conforto.

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