Autor: Euler de França Belém

O poema perdido de Fernando Pessoa

O poema perdido de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é uma mina de diamante inesgotável. Quando se acredita que não há mais nada a descobrir, aparece alguma coisa, e relevante. Agora, surge um novo e belo poema, pelas mãos do advogado brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho. O biógrafo do bardo português adquiriu um “livro de autógrafos”, no qual, durante uma travessia marítima, em 1918, o adolescente José Osório de Castro Oliveira (1900-1964) colhia recordações de seus companheiros de viagem.

2117
As lutas de Muhammad Ali não eram apenas lutas. Eram espetáculos… artísticos

As lutas de Muhammad Ali não eram apenas lutas. Eram espetáculos… artísticos

Muhammad Ali é aquele tipo de homem único, o que se costuma chamar, na falta de palavras adequadas, “uma força da natureza”. Trata-se do indivíduo que, com sua força de vontade ímpar, move e remove montanhas. Muda o mundo, ainda que apenas na sua área, mas conectando outras mudanças, com seu comportamento entre agressivo e diferenciado. Com suas posições firmes no mundo do boxe — tão corrupto quanto qualquer outra atividade —, com sua negritude exacerbada, mais pessoal do que política e ideológica, pôs o mundo (dos brancos?) aos seus pés.

1442
Hannah Arendt: a filósofa como poeta

Hannah Arendt: a filósofa como poeta

A faceta da judia Hannah Arendt filósofa quase militante — dotada de uma coragem intelectual excepcional, mesmo quando enfrentava o reducionismo e o vitimismo do establishment judaico — é por demais conhecida. Nascida em 1906 e falecida em 1975, é frequentemente citada em livros e reportagens e artigos de jornais de todo o mundo tal a vitalidade de suas ideias. Afirma-se que algumas de suas ideias são insight não desenvolvidos — e seu livro clássico, “Origens do Totalitarismo”, mereceu críticas de vários autores, como os judeus Bruno Bettelheim, psicanalista, e Raul Hilberg, historiador. Nos últimos tempos, nos quais dinheiro compra até amor verdadeiro, tem sido mencionada, com constância excessiva, por sua paixão pelo filósofo Martin Heidegger.

Revolução Russa de Stálin devorou Maiakóvski

Revolução Russa de Stálin devorou Maiakóvski

Maiakóvski matou-se, aos 36 anos, em 1930, quando Stálin, senhor do poder, havia expurgado adversários de peso como Liev Trotski e enquadrava aqueles que pensavam diferentemente da ortodoxia do partido. Por que Maiakóvski se matou, com um tiro no peito, se havia condenado o suicídio do poeta Sierguéi Iessiênin, em 1925? Mikhailov escreve, com pertinência: “A pessoa que deixa voluntariamente a vida leva consigo o mistério de sua decisão. Nenhuma explicação (inclusive as de Maiakóvski) penetra na essência real da atitude tomada. Elas somente entreabrem a cortina sobre o segredo, mas o próprio segredo permanece escondido atrás do final triste da vida. (…) Encontramos os motivos, mas o segredo permanece em segredo”.

750
Biografia analisa vida de Rubem Alves, que não era o Paulo Coelho dos intelectuais

Biografia analisa vida de Rubem Alves, que não era o Paulo Coelho dos intelectuais

Seus textos leves, mas com alguma profundidade, encantaram leitores durante anos. Com a internet, tornaram-se textos-citações. Cente­nas, talvez milhares, de pessoas passaram a mencioná-los como se contivessem lições fundamentais sobre a vida. Visto às vezes como um Paulo Coelho intelectualizado, Rubem Alves era bem mais do que isto — era um filósofo que escrevia com clareza e buscava, como os gregos, interferir na vida cotidiana de seus pares, menos com o objetivo de ser uma espécie de guia espiritual e mais como um veículo de iluminação e indicativo de que caminhos diferentes (humanistas e cordiais) são possíveis.

1237
Sartre: o messias da filosofia

Sartre: o messias da filosofia

Texto acre e violento é o ensaio “Jean-Paul Sartre: Uma bolinha feita de pelo e tinta”, de Paul Johnson. Poucas vezes alguém escreveu algo tão virulento contra um filósofo do nível de Sartre. Mas não é uma virulência gratuita. Com certeza, o que diz Johnson, no seu polêmico “Os Intelectuais” (os intelectuais deviam ler Johnson, não para concordar, e sim para verificar uma opinião divergente, nem sempre precisa e justa. Muitos de seus ídolos são simplesmente demolidos, sem dó nem piedade), não deve ser mentira. O historiador e jornalista confronta o próprio Sartre e outros autores. As ideias de Johnson não são as minhas (quase sempre concordo com seus petardos). Como resenhista — e não crítico —, reservo-me o direito de não opinar, ou de opinar raramente. Vamos lá. Trata-se de mais um “edifício” a ser demolido. Por Johnson.