Ser a outra não é para qualquer uma

Ser a outra não é para qualquer uma

A outra costuma andar deslizando. Coleante e tortuosa como uma cobra. E chega com um breve silvo, se insinuando à meia luz na vida de um homem qualquer. Muitas vezes se veste de vermelho. Embora tenha veias hirtas, corre nelas um sangue quase espumoso, de um vermelho sacrílego, que trafega nos interstícios desse corpo. Ela até nos faz recordar daquele ditado sobre a inveja. Um prato que se come frio e que está sempre ali disposto à serventia.

As 50 melhores frases do Twitter em 2013

As 50 melhores frases do Twitter em 2013

Entre os meses de janeiro e setembro, pedimos a colaboradores, leitores e seguidores que enviassem as melhores frases publicadas no Twitter no ano 2013. Das centenas de frases recebidas, separamos 50 — Tecnologia, esporte, política, economia, comportamento e, sobretudo, humor — que sintetizaram, em 140 caracteres, o sétimo ano do Twitter. Discutível como qualquer lista de melhores, esta também não pretende ser abrangente e reflete apenas a opinião dos participantes da enquete.

Faça a revolução lá fora. Mas só depois de mudar as coisas aí dentro

Faça a revolução lá fora. Mas só depois de mudar as coisas aí dentro

Amanhã você vai sair — ou voltar — às ruas e fazer a revolução. Sem medo, sem máscara, vai dizer “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” a todos os conhecidos e desconhecidos que passarem por você. No elevador, no estacionamento, no ônibus, na fila da padaria. E se ninguém responder, não importa. Você vai manifestar um sorriso largo como uma avenida e seguir em frente. Porque é para frente que se anda.

Os 10 melhores filmes de Woody Allen

Os 10 melhores filmes de Woody Allen

Prestes a estrear no Brasil o seu próximo filme “Blue Jasmine”, Woody Allen será homenageado por sua contribuição ao cinema na cerimônia da 71º edição do Globo de Ouro que acontecerá em Janeiro de 2014. Para relembrar um pouco de seus filmes e de sua carreira fiz uma seleção de 10 filmes que melhor sintetizam o seu estilo. Tarefa difícil, sobretudo pela quantidade de obras que o cineasta possui, cerca de 50 títulos.

21 filmes que de tão ruins são bons

21 filmes que de tão ruins são bons

Alguns filmes são inapelavelmente desastrosos, como o besteirol de ficção científica da Cientologia “A Reconquista” e o desanimado filme erótico de Sylvester Stallone “O Garanhão Italiano”. Para esses não há salvação. Por outro lado, existem filmes que num primeiro olhar parecem obras menores, mas basta assistir com alguma atenção para perceber que são pequenas pérolas. “Jogos Mortais”, “Tuff Turf”, “Porky’s” e “Um Drink no Inferno” são alguns exemplos. Numa categoria mais sutil estão os filmes que de tão toscos, excêntricos e exagerados conseguem dar a volta completa no espectro de gradação e ficam bons, ou, no mínimo, curiosos.

Uma voz dentro da cabeça repetia: bate!  Então eu bati.

Uma voz dentro da cabeça repetia: bate! Então eu bati.

Que polícia, que nada. Por mim, deixava esses caras se pegarem até um moer o outro na porrada. E mais: se eu fosse autoridade, se eu fosse político, mandava montar um ringue ao lado do estádio, tipo uma daquelas jaulas do Mad Max (você já assistiu ao filme ‘Mad Max’ né, chapa?), jogava os brigões lá dentro e deixava o pau torar. Só valeria parar de bater quando um deixasse o outro desfalecido no chão, se não morto, ao menos desacordado. Chamar o SAMU? Não. Puro desperdício de dinheiro público com gente que não presta, que não vale o que o deputado enterra.

Breve diário do desencanto 3

Breve diário do desencanto 3

Adoramos suspirar — quando vivemos em uma cidade grande, enorme, gigantesca, abissal — e falar sobre a impessoalidade de viver em um lugar assim, da solidão dos centros urbanos, de como somos anônimos e blá blá blá, mas não é verdade. A verdade é que mesmo os lugares mais assustadores e cinzentos são feitos de pessoas. Tem sempre gente ali. Boa e ruim. Engraçada, sacal, babaca. Pessoas com coisas para ensinar e mostrar e dizer, ainda que não com palavras. E antes que isto descambe para autoajuda de quinta categoria, permita que eu me adiante e conte que, apesar de morar em São Paulo, não vivo, mesmo, em São Paulo. Vivo em um bairro.

Procure saber: biografias que comem fígados

Procure saber: biografias que comem fígados

Do jeito que os medíocres fazem escola hoje em dia, encontrar pessoas cuja leitura ultrapasse os patéticos perfis facebookianos com suas repetitivas mensagens alvissareiras, por si só, já parece uma tremenda aberração. Eu desconfio das estatísticas. Após o advento das redes sociais, eu receio que a cada dia os brasileiros, que já não eram muito chegados, leiam menos livros. Ocorre que, essencialmente, o mercado clama pela esculhambação. Humilhar, constranger, desencantar, colocar alguém pra baixo… Eis aí o papel do homem esperto: subtrair, faturar e ainda sair cantando de galo.

Miley Cyrus, a Carla Perez americana

Miley Cyrus, a Carla Perez americana

Ainda resta para Miley Cyrus o lugar de “rainha da dança do bumbum” no Brasil, título sem dona desde que Carla Perez aposentou-se do mundo das subcelebridades sem talento e acorreu aos “braços de Deus”, buscando a expiação da sua extensa lista de pecados (aí incluídos o assassinato permanente da língua portuguesa nas raras vezes em que abriu a boca para falar, além de ter sido cúmplice na tortura dos ouvidos humanos realizada pelo É o Tchan). Mas não sei sinceramente se o “twerk” é páreo para a “dança do bumbum” brasileira.

Da beleza imunda, fedorenta e luxuosa que nasce à noite no meio do lixo

Da beleza imunda, fedorenta e luxuosa que nasce à noite no meio do lixo

A esta hora da noite, o trânsito na cidade definha. Um a um, os carros seguem para longe dali, tragados por seus destinos em ruas, vielas, garagens. O mundo adormece na intimidade de cada casa, a cidade aquieta, esgotada, apagando suas luzes por dentro. Aqui fora, o caminhão branco, sujo e forte avança lento, furioso pela rua repleta dos entulhos do dia, seguido de perto por dois homens que correm de uma calçada a outra, recolhendo os enormes sacos de plástico negro para lançá-los ao estômago imenso do rinoceronte de aço e rodas que avança esganado e barulhento.