Deixaram a porta aberta e Deus fugiu da igreja

Deixaram a porta aberta e Deus fugiu da igreja

A regra é rubra; os dogmas, claros. Abre aspas: “É vedado aos crentes solteiros desta igreja, não somente se afeiçoarem aos crentes de outras agremiações religiosas que também concorrem a Pimenta-do-Reino dos Céus, assim como contrair com os mesmos chato, bubão ou matrimônio. É vedado aos casais fazerem amor sobre o harmônio antes do culto, principalmente com as luzes dos castiçais acesas. Se a música e a fantasia libertam, com certeza deve ser pecado.

E afinal, você sabe de onde vem o amor?

E afinal, você sabe de onde vem o amor?

Amar vem de acreditar. É lá, no lugar seguro onde impera a confiança, que se formam as primeiras possibilidades amorosas. Lá são geradas as populações de borboletas que esvoaçam incômodas no ventre dos apaixonados, as noites memoráveis de lua e conversa, os pássaros e sons que nascem com o dia. Lá também, nos campos verdes da esperança, as paixões incendiárias refrescam seus ímpetos para aos poucos se transformar no amor que é entendimento, respeito, apreço, afeto e essas coisas que deixam a vida mais leve.

Lester Bangs, o santo beatnik da crítica

Lester Bangs, o santo beatnik da crítica

Lester Bangs, santo beatnik. Morreu em 1982, aos 33, idade de Cristo. Não foi crucificado, mas certamente alçado à cruz do jornalismo, no subgênero gonzo, de qualidade extremamente contestada, ainda que tenha saído do ventre do new journalism (Tom Wolfe, Gay Talese, Truman Capote). A exemplo de Hunter S. Thompson, escreveu motivado por substâncias psicotrópicas, em fluxo vertiginoso, e pôs-se, muitas vezes, à frente do próprio objeto do texto — e quem não está, prisioneiro de sua própria subjetividade, em posição soberana ao alvo da análise?

Ministério da Cultura confunde ciência com religião ao falsificar Machado de Assis

Ministério da Cultura confunde ciência com religião ao falsificar Machado de Assis

Se o Ministério da Cultura tivesse um mínimo de respeito pela nação brasileira, ao invés de construir um túnel com 60 mil livros, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, para marcar o lançamento da falsificação de “O Alienista”, de Machado de Assis, perpetrada pela escritora-empresária Patrícia Secco, ele mandaria diretamente para a reciclagem os 600 mil exemplares do livro, adaptado juntamente com “A Pata da Gazela”, de José de Alencar.

Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros

Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros

Cronologicamente vinculado à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, Manoel de Barros criou um universo próprio — subvertendo a sintaxe e criando construções que não respeitam as normas da língua padrão —, marcado, sobretudo, por neologismos e sinestesias, sendo, inclusive, comparado a Guimarães Rosa. Em 1986, o poeta Carlos Drummond de Andrade declarou que Manoel de Barros era o maior poeta brasileiro vivo.

Mãos ao alto! Isto é um abraço

Mãos ao alto! Isto é um abraço

É um desejo, quase um cansaço. Mãos ao alto! Isto é um amor escondido, um carinho perdido, uma promessa de estrelas. Prepare-se logo para novos assaltos, iluminados como jamais viu. Invasões nas quais trocam-se armas por flores, gritos por sussurros, defesas por clamores. Novas aventuras se aproximam. Nesse mundo de pedras e podres, alguém prega novos momentos e encontros brandos, assinalados um a um, no livro branco da paz. A imundície foi posta a nocaute.

Discípula de Paulo Freire assassina Machado de Assis

Discípula de Paulo Freire assassina Machado de Assis

Com o propósito de facilitar a leitura de quatro clássicos da literatura brasileira, Secco pedira autorização ao Ministério da Cultura para captar R$ 1,53 milhão; por incrível que pareça, foi autorizada a captar R$ 1,45 milhão, ou seja, quase o montante que havia pedido para seu projeto. Em sua arbitrária simplificação de Machado de Assis, em que comete erros primários de intepretação de texto, a escritora-empresária Patrícia Secco embrutece o espírito do leitor ao falsear o mestre e descaracterizar seus personagens.