Autor: Giancarlo Galdino

Apesar de Rodrigo Santoro, novo filme brasileiro da Netflix é considerado a melhor produção desde Cidade de Deus

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O cinema nacional vive de muitos erros e alguns acertos esporádicos, às vezes no mesmo filme. “7 Prisioneiros” (2021), de Alexandre Moratto, centro das atenções no Festival de Veneza desse ano, é o exemplo cabal de uma produção que consegue reunir em pouco mais de uma hora e meia o melhor e o pior do Brasil, graças a Christian Malheiros e Rodrigo Santoro, respectivamente.

O filme comovente da Netflix que, em pouco mais de meia hora, vai fazer você refletir sobre o sentido da vida

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A história de “O Menino que Lia Cartas” (2019), de Sibusiso Khuzwayo, chega a despertar uma certa incredulidade, dado o cenário pouco auspicioso sob o qual se apresenta. Imaginar que um menino de doze anos tenha de servir de mediador entre o mundo das palavras, completamente vetado a todo um povoado no coração da África do Sul, e uma gente ávida por saber o que quer lhe dizer a vida, pela pena daqueles que amam e estão longe, é uma constatação estarrecedora, mas, lamentavelmente, real.

Novo filme da Netflix é uma obra de arte dolorosamente triste, delicada e linda e uma das promessas do Oscar 2022

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Rebecca Hall faz um debute emocionante como diretora em “Identidade” (2021), baseado na novela de mesmo nome da romancista americana Nella Larsen (1891-1964), publicada em 1929. A história de Irene e Clare, negras de pele clara que encaram esse fato de suas vidas de uma forma diametralmente oposta, toca pela singeleza, num filme feito para encantar, pela trama em si, pela fotografia em preto-e-branco, pela trilha sonora inspirada no melhor da música erudita.

Sombrio, violento e perturbador, filme da Netflix vai hipnotizar você por 136 minutos Loris T. Zambelli / Netflix

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Embora valha-se de um roteiro assertivo, “Rede de Ódio” (2020) mais esconde do que mostra. Talvez um sintoma dos tempos nebulosos em que vivemos, em que a novilíngua contemporânea, à luz do que o escritor britânico George Orwell (1903-1950) expõe em “1984”, publicado em 1949, determina que notícia é detração e imaturidade é experiência.

O suspense da Netflix que mostra que por trás de governos autoritários sempre há um genocídio em potencial

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Drama histórico espantosamente atual, “A Sombra de Stálin” (2019), joga luz sobre um dos piores crimes do tirano, que governou a União Soviética, como alude seu nome, com mão (e alma) de ferro. Em tempos de mistificação grosseira no jornalismo dito profissional, em que notícias falsas são consideradas uma licença da liberdade de expressão, o filme da diretora polonesa Agnieszka Holland, disponível na coleção da Netflix, lembra que a coragem pode ser a salvação da humanidade — por mais que o medo a paralise.