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Chegou à Netflix o suspense de terror que transforma a culpa entre irmãs em um pesadelo impossível de esquecer Divulgação / 24 Frames

Chegou à Netflix o suspense de terror que transforma a culpa entre irmãs em um pesadelo impossível de esquecer

Dirigido por Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom, com Marsha Wattanapanich, Vittaya Wasukraipaisan e Rachanu Boonchuduang no elenco principal, “Espíritos 2 — Você Nunca Está Sozinho” parte de uma volta forçada. Pim vive na Coreia do Sul com o marido, Wee, mas precisa retornar à Tailândia depois que a mãe sofre um derrame. O reencontro com a antiga casa e com a memória de Ploy, sua irmã gêmea siamesa, faz o passado reaparecer não como lembrança abstrata, mas como presença que ocupa corredores, quartos e espelhos.

Esse retorno dá ao longa um eixo bem definido. De um lado, há a rotina prática de hospital, casamento e deslocamento entre países; de outro, o peso da infância compartilhada entre duas irmãs unidas pelo corpo e também por ressentimento, ciúme e dependência. Basta a porta se abrir. Quando os flashbacks começam a se encaixar no presente, a cirurgia de separação deixa de ser mero dado biográfico e passa a operar como ferida que nunca cicatrizou de fato.

Os diretores conduzem esse material com senso agudo de espaço. A casa da família concentra quase toda a aflição, e os espelhos, repetidos ao longo da encenação, embaralham rosto, reflexo e identidade sem cair no ornamento fácil. Em cenas passadas no quarto ou no banheiro, a presença junto ao corpo de Pim parece ter peso físico, como se a culpa respirasse no mesmo ambiente. O medo nasce justamente dessa proximidade, dessa sensação de contato em lugares fechados, e não de alguma ameaça difusa lançada sobre a cidade.

Também ajuda o contraste entre a vida que Pim tentou construir na Coreia e aquilo que a espera na Tailândia. Wee procura ajuda médica quando a mulher parece perder o controle, mas não ocupa apenas a função de testemunha racional, porque sua relação com ela já vinha da juventude. Isso altera o centro do drama. Nos trechos ligados a Ploy, o afeto entre as irmãs aparece contaminado por posse e rivalidade, o que dá outra espessura às lembranças e impede que o filme reduza tudo a assombração ou distúrbio psíquico.

A primeira metade recorre a aparições repentinas e sustos secos, algo apontado por mais de uma crítica, mas o interesse do longa não se esgota nesse mecanismo. Os flashbacks acrescentam informações sobre a cirurgia, sobre a sobrevivência de apenas uma das irmãs e sobre a deterioração daquela convivência. Quando a revelação de identidade começa a reorganizar o que se viu até ali, os espelhos, a cama, os retratos e os quartos deixam de parecer peças dispersas. Cada aparição passa a carregar uma memória precisa, ligada a um corpo, a uma casa e a uma culpa antiga.

Marsha Wattanapanich sustenta o centro da história ao diferenciar duas presenças sem depender só de truques exteriores, e Vittaya Wasukraipaisan dá ao marido o peso necessário para ancorar o que parece se desfazer ao redor. Sem expor seu movimento final, “Espíritos 2 — Você Nunca Está Sozinho” se afirma quando o sobrenatural deixa de ser apenas susto e se mistura a um passado recomposto de maneira incompleta. Ao término, o que permanece não é uma lição nem um truque, mas a imagem de um corredor estreito, um espelho imóvel e alguém respirando ao lado da cama.

Filme: Espíritos 2: Você Nunca Está Sozinho
Diretor: Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom
Ano: 2007
Gênero: Drama/horror/Suspense
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★