Se você não escolhe a sua vida, alguém escolhe por você

Se você não escolhe a sua vida, alguém escolhe por você

Lembra daquele jogo de tabuleiro que avançávamos tantas casas, depois voltávamos ao princípio, ficávamos ricos e, logo em seguida, pobres? A vida funciona mais ou menos assim. Os problemas surgem e a existência nos cobra uma decisão. Cabe a nós escolhermos as saídas, optar por ter filho ou comprar uma bicicleta, decidir pela fortuna ou pela família. Tem gente que possui o dom de ganhar mais do que perder. Talvez nem seja dom, e sim algum motivo de sorte ou sabedoria, dedicação, quem sabe, destino.

Eu não preciso de delação premiada para confessar o quanto odeio tudo isso

Eu não preciso de delação premiada para confessar o quanto odeio tudo isso

Pode parecer veadagem da minha parte, mas senti uma vontade danada de me casar com aquele cara. Era um pilantra garrido, rico a granel, de pele boa, com um charmoso sotaque carioca, e que transmitia uma segurança do cacete. Pensei deve ter tido aulas de oratória com o cão-tinhoso. Valendo-se de um português perfeito, o pulha de black-tie garantiu que repatriaria cerca de duzentos milhões de patacas, a pedido da Polícia Federal, da Procuradoria Geral da União, do Papa Francisco e da Xuxa.

Elogio do imobilismo

Elogio do imobilismo

Somos o mais filosófico dentre as centenas de povos do planeta. Poucos apreciam perder o tempo que desperdiçamos em meio a contradições intermináveis. Adoramos confundir lerdeza intelectual com sabedoria, e o infinito com o indefinido. Em consequência, adiamos a realização do possível, sem prazo de validade. Somos — quem sabe? — mais pacientes que japoneses, chineses, tibetanos, vietnamitas, tailandeses e demais povos orientais, juntos. Somos mais filosóficos que alemães, franceses, ingleses, austríacos e dinamarqueses. Precisamos de tempo e de sossego para pensar e adiar as decisões necessárias. Não gostamos de nos mexer, a não ser o inevitável, se possível apenas o mindinho.

Tudo passa… até mesmo o amor.  Viver é recomeçar

Tudo passa… até mesmo o amor. Viver é recomeçar

Um dia a porta da sua alma se fechou. Sua música parou de tocar. Você olhava pela janela enquanto o amor te deixava. Pode ir, você disse, e jurou que nunca mais sentiria essa dor. Espalhado pela casa com os cacos do seu coração, a última coisa que você queria era amar outra vez. Rejuntar estilhaços até se fortalecer de novo é um processo que leva tempo, e a duração desse tempo é muito pessoal, assim como o tamanho da dor que cada um carrega.

Deseja profundamente. Vontade rasa não realiza nada

Deseja profundamente. Vontade rasa não realiza nada

Tu sabes. Tu sabes tanto que até te cansas de saber. Reclamar é inútil. Quanto mais tu lamentas, mais tu te afundas. Contestar é atirar longe o tempo precioso que te resta. Deixa de senões. Abandona tuas queixas e vai em frente. Se tu queres muito, tu fazes mais. Querer pouco é nada senão uma afronta ao que desejas realizar. Quem quer mesmo, quer muito. Almeja em vontade profunda. O objeto de teus quereres há de se ofender de morte com desejos irrisórios e te dar as costas em partida.

O mal de se sentir inteligente lendo Harry Potter e Guerra dos Tronos

O mal de se sentir inteligente lendo Harry Potter e Guerra dos Tronos

Recentemente, por conta de uma de minhas listas para a Revista Bula, fui xingado e ameaçado fisicamente das formas mais criativas imagináveis, simplesmente porque afirmei a obviedade de que “Guerra dos Tronos” e “Harry Potter” podem, eventualmente, ser interpretadas como imitações de “O Senhor dos Anéis”. Aparentemente nada demais, porém, essa simples opinião ofendeu profundamente alguns milhares de pessoas, gerando revolta, gritos e ranger de dentes. A maior parte dos belicosos ofendidos foram adolescentes e jovens adultos.