Atualização de status: on-line para a vida

Atualização de status: on-line para a vida

É domingo e a família está toda reunida. A mãe serve o macarrão feito em casa. O filho mais velho conta animado sobre a sua última viagem e distribui bebida nos copos, o pai dá comida para o cão debaixo da mesa. O filho do meio mostra a filha dele recém-nascida que desperta sorrisos emocionados, mas a tia do bebê não vê. Ela não percebe toda esta cena, pois almoça teclando em seu celular.

O fazedor de amanhecer anoiteceu

O fazedor de amanhecer anoiteceu

Pensava pequenino, esse grande menino. Gostava de revirar pontuações nas poesias e na cabeça de pensamentos ondulantes. Engasgava na política dos pontos e vírgulas: sobrevoava os lentos e dúbios acasos das reticências infinitas. Duvidava de tudo, até das interrogações. Pois questionava o que já nascera pronto, rígido e sem jeito de mudar. Certas horas se interjeitava, segurando uma interjeição bem alta, quando um bambuzal resolvia assoviar pra ele. Namoros de recantos livres ao ar livre, que aconteciam mesmo sem vento nem abanos de alguma espécie. Sussurros já davam conta, assim semeados pelo caminho dos sonhos.

E se toda guerra fosse de travesseiros? E o choro fosse só de alegria?

E se toda guerra fosse de travesseiros? E o choro fosse só de alegria?

Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão… Porque eram feitas de milhões de marshmallows! E quando chovia, elas despejavam confetes de chocolate colorido, que iam tingindo casas, carros, avenidas inteiras e quem mais passasse por ali, sem pressa, naquele dilúvio açucarado. De boca aberta é mais gostoso ficar, como debaixo de um balão cheio de doces, à espera daquele que vai furar a bexiga e regar todos os pequenos com guloseimas! E que sejam pequenos, grandes, vovô e vovó, tios e primos, cachorro, gato, papagaio. Todo mundo junto numa festa só, dentro de um balão mágico, ou numa nave espacial!

Um passarinho novo no céu das pequenas coisas

Um passarinho novo no céu das pequenas coisas

E lá estavam todos eles. As formigas e os sapos, as cobras e os grilos, os ciscos e os pequenos universos que pulsam dentro das gotas d´água. Todas as criaturas pequenas que vivem debaixo das pedras e as borboletas e os pássaros, todos os pássaros trabalhando acima das árvores e brincando de andar no chão. As rãs e os rios, as folhas pesadas de orvalho caindo dos galhos. Ficaram todos ali, à espera: um anjo simples, sem tempo nem jeito anunciara a chegada de passarinho novo ao céu das pequenas coisas.

15 livros obrigatórios dos últimos 15 anos da literatura brasileira

15 livros obrigatórios dos últimos 15 anos da literatura brasileira

Ao contrário do que creem alguns autores, a literatura brasileira não se inicia no abrir de seus livros. Todo engenho de um novo título é a amálgama de referências pretéritas, uma tessitura invencível ao tempo, indispensável e luminosa. A lista abaixo é composta por obras de escritores que, cientes dessa condição, renovaram ou revigoraram gêneros e tradições literárias. Pois como bem assinalou o editor Gustavo Guertler, a ficção contemporânea precisa de “autores que não saibam com quem se parecem, mas que saibam de quem eles são diferentes”. Essa é a chave para, de fato, ter valor a abertura de um livro.

Para entrar num novo dia como quem ingressa na vida

Para entrar num novo dia como quem ingressa na vida

Olha ele aí de novo. Aconteceu outra vez. Dá sempre. Vira e mexe, um pensamento esdrúxulo arromba nossa porta e invade a casa. Sabe como é isso, né? Não é um ímpeto legítimo, um impulso de realização, uma vontade real. É só um desejo vago, um sonho distante flertando com a realidade. É uma ideia boba que chega e se ajeita. Cada um tem a sua. De repente, o advogado se cansa da dureza de seus processos de todo dia e imagina ele mesmo tocando violão na praça, vivendo de trocados e favores. Nunca aprendeu música, mas é capaz de se ver assim, encantando uma audiência atenta na correria da rua com uma canção leve e linda que os eleve por um instante da lida ingrata.

É hora de tirar os sentimentos das prateleiras

É hora de tirar os sentimentos das prateleiras

Imagine-se em um supermercado absolutamente vazio, porém com as prateleiras abarrotadas de produtos de diversas categorias. Nesta cena, apenas você desfila pelos corredores, deixando no ar a reverberação dos seus sapatos de couro. Aquele ruído, dentre tantos outros, que gostamos de ouvir num filme, enquanto devoramos pipocas no cinema. Já pensou nisso? Exercite suas fantasias então. Pense agora num filme sem barulhos, trilhas sonoras e outros fascinantes malabarismos das mixagens de áudio. Você estará assistindo a uma história agonizante, quase morta, que não nos toca, nem emociona de modo algum.